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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

24/03/2009 14:12

Polícia procura mulher que vendeu filho por R$ 2 mil

Redação

Agentes da Polícia Civil de Ponta Porã, município distante 334 quilômetros de Campo Grande, tentam localizar a mulher que em novembro do ano passado vendeu o filho de apenas 6 meses a um casal de chineses residente na capital paulista. Há pelo menos 30 dias a mãe não é vista na casa onde morava na ocasião do crime.

De acordo com o delegado responsável pela investigação, Odorico Ribeiro de Mendonça e Mequista, os policiais já foram à residência várias vezes e não conseguiram encontrar a mulher. A Polícia investiga se ela foi morar na cidade onde tem um irmão preso, conforme informou aos chineses que compraram o menino por R$ 2 mil.

A transação foi interrompida em 13 de novembro do ano passado, quando a PF (Polícia Federal) descobriu o caso e foi a São Paulo recuperar o bebê. A criança foi trazida para Campo Grande e está em Ponta Porã com um avô, que conquistou judicialmente a guarda provisória do menino, atualmente com 9 meses.

O caso se enquadra no artigo 238 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que tipifica como crime: "prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa". A pena prevista é reclusão de um a quatro anos e multa. Incide nas mesmas penas quem oferece ou efetiva a paga ou recompensa.

Para a Polícia, o depoimento da mulher é fundamental à investigação. No primeiro momento da apuração, a Polícia não acredita que se trate de uma rede de venda de crianças, uma vez que, não existem intermediadores da "negociação" e o casal não tinha interesse de levar o bebê para o exterior.

A mulher que vendeu o filho trabalhava na casa de um familiar do casal, em Ponta Porã. Ao saber da dificuldade que a mãe enfrentava e da vontade que tinha de dar o filho à adoção, propôs a entrega da criança.

Em depoimento à PF, em São Paulo, os chineses revelaram que tinham dificuldade para adotar um filho. A Polícia apurou que o casal chegou a fazer o quarto do menino na residência, mais um indício de que não tinha interesse de retirar a criança do Brasil.

A mulher chinesa é naturalizada no Brasil e o marido dela tem visto de permanência que o autoriza a residir no País. Eles alegam que não se trata de uma "negociação" porque a mãe não pediu dinheiro para entregar o filho.

O casal afirma que decidiu ajudar a mulher com a quantia de R$ 2 mil para que viajasse com destino à cidade onde o irmão cumpre pena em uma unidade prisional. O nome da cidade será preservado para não comprometer as investigações.

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