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16/03/2017 08:45

24 horas de um país dividido entre o 'bem' e o 'mal'

Mário Sérgio Lorenzetto
24 horas de um país dividido entre o 'bem' e o 'mal'

Voltamos às convulsões do ano passado. Em 24 horas, o país foi paralisado por duas "bombas atômicas": a lista de Janot e as manifestações pela manutenção da Previdência. A lista, ainda pouco conhecida, paralisou o parlamento nacional e o poder executivo. A reforma, paralisou o trabalho e levou às ruas do país parcela importante dos trabalhadores organizados. Os sem sindicato não participaram das passeatas. Os dois eventos estão sendo divididos pelos analistas com nuances de "bem" e do "mal".

Autoridades do mundo político e judicial se posicionaram afirmando que as doações das empreiteiras tiveram duas motivações - caixa dois, dinheiro usado exclusivamente em campanhas eleitorais (doações do "bem") e, enriquecimento ilícito (doações do "mal"). Propugnam que os primeiros - que receberam dinheiro exclusivamente para as campanhas, recebam penalidades brandas.

Os demais, aqueles que enriqueceram, seriam julgados pelas leis do código penal. Em bom e claro português: os beneficiários de caixa dois não poderiam concorrer as eleições, enquanto os que enriqueceram iriam para a cadeia.

Nas manifestações também teriam ocorrido uma confluência de interesses classificados como do "bem" e do "mal". Há os que participaram das greves e passeatas que tão somente desejam sustar a reforma previdenciária; mas, há muitos que preconizam a vingança - petistas e seus aliados que desejam derrubar o governo Temer.

Um país dividido na essência, mas muito unido na aparência, entre o "bem" e o "mal". Os políticos do "bem" acorrentados com os do "mal". Os manifestantes do "bem" firmemente irmanados aos do "mal". Mas, tudo leva a crer, o final desse filme não será feliz.

24 horas de um país dividido entre o 'bem' e o 'mal'

Mente veloz: levamos um quarto de segundo para avaliar se alguém é bom ou ruim.

Nos início dos anos 90, cientistas da Universidade de Harvard em conjunto com outros da Califórnia, mostraram que a todo instante formamos impressões positivas ou negativas sobre pessoas. Realizaram experimentos que indicaram que levávamos em torno de 6 segundos para ter uma impressão do entusiasmo e desempenho de alguém.

Poucos anos depois, outra pesquisa foi além. Descobriram que as pessoas faziam julgamentos com base em imagens de rostos em apenas dois décimos de segundo. Tudo é avaliado como bom ou ruim no espaço de um quanto de segundo. A mente é extremamente veloz para julgar. Sentimos, intuímos, antes de pensar com lógica.

Muitas vezes, parece haver uma sabedoria biológica por trás desses sentimentos instantâneos. Quando nossos ancestrais confrontavam estranhos, os que identificavam de maneira mais rápida e precisa a raiva, tristeza, medo ou felicidade na expressão do outro, tinham mais chance de sobreviver e deixar descendentes.

Os cientistas pesquisam que deve haver um pouco de verdade na suposição popular de que as mulheres são, em média, melhores que os homens na leitura das emoções alheias. Já ficou comprovado, cientificamente, que elas de fato são mais hábeis para descobrir mentiras no que tange as relações amorosas.

24 horas de um país dividido entre o 'bem' e o 'mal'

"Educação positiva" avança no mundo.

A "educação positiva", movimento que está ganhando impulso em todo o mundo, trabalha para criar uma cultura escolar de relações baseada em atenção e confiança. O foco está em desenvolver atividades emocionais , intelectuais e encorajar um estilo de vida mais saudável.

O modelo proposto por Martin Seligman, da Universidade da Pensilvânia (EUA), sustenta que o sucesso escolar e o bem estar formam uma dupla hélice e que, a melhor educação deve ensinar crianças sobre valores e caráter bem como a interagir com outras pessoas, estabelecer metas para elas mesmas e trabalhar para alcançar esses objetivos.

Esse é o modelo escolar que chegou até mesmo a Cingapura, o país que concorre com a Finlândia pelo primeiro lugar no ranking educacional. Um importante eixo desse novo currículo é o tempo para a família e como os pais têm um papel importante na construção dos valores para as crianças. Também ensinam os jovens a serem mais empáticos, socialmente responsáveis e ativos em suas comunidades, estimulando o trabalho com idosos e crianças em creches, cujos pais trabalham em tempo integral.

Cingapura também adotou iniciativas pedindo que faculdades tivessem um processo de admissão mais flexível, com avaliação de qualidades como motivação, entusiasmo e resiliência. De forma geral defendem uma maior coesão da sociedade. Perceberam que necessitavam de uma definição mais ampla de sucesso, que fossem além das notas escolares e acadêmicas.

Também colocaram mais dinheiro na educação. Criaram um programa denominado "SkillsFuture" (algo como "habilidades do futuro"). Oferta 500 dólares de Cingapura (R$1.100) para cada jovem de 25 anos ou mais para serem gastos em algum aprendizado aprimoramento pessoal ou investir em algum hobbie cultural. Um banco de dados online oferece mais de 10 mil cursos para que possam ampliar ou aprofundar certas habilidades ou mesmo testar novos hobbies.

Orientadores acadêmicos e de profissões também estão disponíveis para todos os níveis - do fundamental ao superior - para estimular a autoconsciência, autodireção e habilidades de vida dos alunos. Todos devem ser capazes de oferecer informações sobre as habilidades necessárias em um ambiente de economia digital de forma que estudantes possam ir além do aprendizado com provas e testes. Trata-se de uma abordagem mais suave, que enfatiza valores e princípios, algo que o Brasil só conhece pelas lei de Gérson e do eterno Macunaíma, o símbolo maior do malandro, que se eterniza em todos nós.

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Os impostos mais estranhos do mundo.

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Imposto do sabão.

Na Inglaterra, o sabão foi taxado durante muitos séculos. Era um produto caro e, consequentemente, boa fonte de receita para os cofres. Em 1835, William Gladstone, aboliu o imposto e permitiu o crescimento dessa indústria que definhava. O sabão usado pelos ingleses era predominantemente oriundo da França.



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