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Em Pauta

A última guerra kadiwéu e a consolidação de suas terras

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 20/04/2024 07:00
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

O Português do Barranco Branco, esse foi o último inimigo enfrentado pelos kadiwéus. O nome do adversário era incorreto, não eram portugueses, os proprietários da gigantesca Fazenda Barranco Branco estavam sediados em Bruxelas. A denominação dessa empresa era "Societé Industrielle Agricole au Brésil". Esse era o maior latifúndio pantaneiro na virada do século XIX para o XX . Tinha 500 mil hectares, maior que países como Portugal, Alemanha, Bélgica e Suíça. Criava por volta de duzentos mil vacas. É fato que a Barranco Branco almejava tomar as terras kadiwéus.


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Das escaramuças aos canhões.

"Choviam acusações contra os índios". Que a sua "Nação ", assim designavam sua tribo, tinha roubado reses e cavalos da fazenda, que tinha espancado algum de seus mais de cem funcionários.... mas numerosos era, dentre os indígenas, os que "haviam sido mortos nos ataques dirigidos contra eles e mandados por ordem superior da polícia de Corumbá". Ordens que, indiretamente, saiam da Barranco Branco. Até que resolveram enviar contra eles, por duas vezes, em 1.897 e 1.898, destacamentos militares, "conduzindo dois canhões de campanha". A Barranco Branco tinha expandido suas fronteiras originais, passara a ter alguns retiros próximos e outros bem distantes das fronteiras originais. Não há descrição da guerra. A história está perdida, pelo menos até hoje. O resultado foi que a Barranco Branco não conseguiu desalojar os kadiwéus de suas terra, mas pode ter resolvido os litígios com os retiros.


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Fazendo alianças, consolidando suas terras.

Há uma lenda que coloca os kadiwéus ao lado do Exército Brasileiro na Guerra do Paraguai. Teria sido por sua participação nessa guerra que o Império Brasileiro lhes teria "concedido" 500 mil hectares de terra, onde atualmente vivem. Não há um só registro histórico da aliança de kadiwéus com soldados brasileiros nessa guerra. É fato, por outro lado, que eles eram, além de exímios cavaleiros, competentes estrategistas políticos. E foi construindo alianças com "caudilhos de Miranda" inicialmente, depois com caudilhos de Nioaque, que conseguiram consolidar suas terra. Tudo começou em 1.898. Os índios estavam cansados das disputas com a Barranco Branco, um dos caudilhos de Miranda teve a ideia de propor a eles uma união para engrossar sua força e derrotar seus opositores. Os índios aceitaram. As promessas eram vantajosas. Embora não tenham sido cumpridas, abriu-se o espaço para outra aliança. Foi à partir da aliança de  Nioaque que saiu o pleito para a causa indígena, acatado pelo governo. O território kadiwéu estava consolidado.

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