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24/07/2017 07:11

Ayn Rand: a escritora predileta dos conservadores

Mário Sérgio Lorenzetto
Ayn Rand:  a escritora predileta dos conservadores

Nascida na Rússia, Alissa Rosenbaum, mudou de nome ao chegar nos Estados Unidos, em 1926. Adotou o nome Ayn, copiado de uma escritora finlandesa e o sobrenome Rand, de sua máquina de escrever Remington Rand. Em 1937, escreveu um conto lírico e futurista, "Anthem" (Hino), sobre um indivíduo contra a "tirania coletivista". Esse livro é uma afirmação da liberdade que vai além de romances anti-totalitários como "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley. Em Anthem, um homem redescobre o significado da palavra "eu". Começa a luta de Rand contra o coletivismo e em favor do individualismo.

Um ano depois, Rand lança aquele que seria seu maior sucesso. "A Nascente". O herói, arquiteto Howard Roark, expressava sua visão do homem ideal. Lutava contra os coletivistas a seu redor para defender a integridade de suas ideias. "Os grandes criadores - os pensadores, os artistas, os cientistas, os inventores - enfrentaram sozinhos os homens de seu tempo. Toda nova grande ideia encontrou oposição. Toda nova grande invenção foi combatida. O primeiro motor foi considerado uma tolice. O avião foi considerado impossível. O tear mecânico foi considerado maléfico. A anestesia foi considerada pecaminosa. Mas os homens de visão original seguiram em frente. Eles lutaram, eles sofreram, e eles pagaram o preço. Mas venceram".

Vender "A Nascente" foi difícil. Até 1940, uma dúzia de editores havia rejeitado o livro. Mas o editor resolveu pagar US$1.000 pelo trabalho que ainda estava incompleto. Muito temiam pois o livro dispara um ataque poderoso ao coletivismo e explica a dinâmica do livre-mercado. Por algum tempo as vendas do livro foram lentas. Mas a propaganda boca-a-boca gerou um interesse crescente. Em 1948, chegara a 400.000 cópias vendidas. E um ano depois, vendia mais de 6 milhões de exemplares.

Rand passará os seguintes 14 anos trabalhando em outro livro. "A Revolta de Atlas", seu livro seguinte, está cheio de ideias provocadoras e expressa o pensamento de Rand sobre o sexo. "A escolha sexual de um homem é o resultado de suas convicções fundamentais. Diga-me o que um homem acha sexualmente atraente, e eu te direi toda sua filosofia de vida. Mostre-me a mulher com quem ele dorme e eu te direi o que ele pensa sobre si mesmo". Mas também é um libelo sobre o dinheiro. "O dinheiro se baseia no axioma de que cada homem é dono de sua mente e de seu trabalho. O dinheiro exige que todos reconheçam que os homens devem trabalhar em seu próprio benefício, não em seu detrimento, para seu ganho, não para sua perda. A ligação comum entre os homens não é a troca de sofrimento, mas a troca de bens. Ainda defende as conquistas individuais. "Eu ganhei meu dinheiro com meu próprio esforço, em trocas livres e com o consentimento voluntário de todos os homens com quem fiz negócios... Eu me recuso a pedir desculpas pelo meu talento... Eu me recuso a pedir desculpas pelo meu sucesso". Apresenta um frase poderosa que vem sendo esgrimida por conservadores do mundo todo: " Estamos em greve contra o dogma de que buscar a própria felicidade é errado. E se todas as mentes criadoras do mundo entrassem em greve?"

Rand volta a uma posteridade dourada. Está iluminando os discursos dos defensores do presidente dos EUA e dos defensores do Brexit. "A Nascente" voltou a ser a bíblia dos ferozes defensores do individualismo. Foi convertida na guru do capitalismo. O verdadeiro assombro decorre do fato de que sua influencia ao longo do tempo não decresceu. Durante os dois mandatos de Obama, os setores mais extremistas da direita, tomou as palavras de Rand como suas para demonstrar que todo aumento do Estado é uma ameaça para o progresso. Obama a atacou dizendo que é uma escritora para adolescentes. De certa forma, os escritos de Rand clareiam uma verdade difícil da esquerda enxergar, o individualismo encontra seguidores até mesmo no meio dos trabalhadores.

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Da ciência ao espiritismo: os caminhos do autor de Sherlock Holmes

Seis dias após a morte de Sir Arthur Conan Doyle, falecido de um ataque cardíaco em 7 de julho de 1930, aconteceu no Royal Albert Hall. - aquela época o maior teatro de Londres com capacidade de 6 mil pessoas - a maior sessão de espiritismo ocorrida até então. Dez mil pessoas abarrotaram a casa de espetáculos. Tinham a esperança de escutar uma mensagem do escritor vinda do além. Sua viúva, Lady Doyle, disse à revista Time: "Ainda que não tenha falado com Arthur desde quando faleceu, estou segura que a seu devido tempo e a seu próprio modo nos enviará uma mensagem". E segundo alguns, esse tempo havia chegado.

Mas, como é possível que o pai literário do detetive mais famoso da história , que popularizou o uso das ciências como ninguém havia feito, pudesse ao mesmo tempo crer em fantasmas? Doyle era um homem com profundas raízes científicas. Medico da Universidade de Edimburgo, leitor inveterado, estudioso como poucos... mas, já em 1879 publicou um estudo no British Medical Journal que causou celeuma entre seus colegas. No texto descrevia como havia experimentado em si mesmo doses crescentes de um veneno, retirado da planta Gelsemium, utilizadas também para acalmar nevralgias, até que teve de suspender as aplicações com medo da morte.

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O êxito do detetive chegou a saturar seu criador

Em 1886 conseguiu vender sua novela "Estudo em escarlate", onde apresenta pela primeira vez os novos personagens Sherlock Holmes e o doutor John Watson.

Ao longo de sua carreira literária, Doyle deu vida a outros personagens como o professor Challenger ou o Brigadier Gerard. Mas sem discussão possível, seu grande trunfo foi Sherlock Holmes, um personagem imortal. O êxito do detetive chegou a saturar seu criador. No relato "O problema final" Doyle decidiu matar Holmes fazendo-o cair em uma cascata quando enfrentava seu arqui-inimigo, professor Moriarty. Mas a demanda foi tal que se viu obrigado a ressuscitá-lo.

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Doyle acreditava em videntes e telepatas

Doyle não era exatamente um inovador, mas era um leitor voraz. Tudo que estudava está em seus livros muito tempo antes de que os métodos de investigação fossem colocados em pratica. Ele se adiantou três anos antes do uso das máquinas de escrever. Escreveu nas novelas cinco anos antes que os resíduos de pólvora dos disparos fossem usados nas técnicas de investigação de crimes. Esteve à frente da polícia escrevendo sobre o sucesso de usar as impressões digitais. Mas essa é uma história diferenciado do sucesso de ficção que obrigou a polícia a mudar de rumo. Bertillonaje era o método de medições antroprometricas que a polícia insistia em usar e não adotar as impressões digitais. A polícia levou 40 anos para adotar as impressões digitais.

Tudo isso não parece enquadrar com um Doyle que acreditava em videntes, telepatas e participava de sessões de espiritismo. Ele mesmo contou, em uma entrevista, que o espiritismo surgiu cedo em sua vida. Mas somente em 1916 começou a tomar esse caminho em definitivo. À medida que envelhecia, se tornava um defensor do espiritismo.
Suas crenças o levaram a protagonizar duelos verbais ácidos com o Magico Holdini,o homem mais vamos dessa época no mundo todo. Os jornais diziam que Doyle estava se comportando como ridículo nos embates com Holdini. Doyle acabou se desligando totalmente do mundo científico e terminou sua vida ressentido com os cientistas que não aceitavam suas crenças.

Quem criou um personagem lendário, acabaria virando lenda. A mais impressionante diz que Doyle foi enterrado em pé.



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