Não só a Grécia, outras sociedades também praticavam a democracia
A análise de mais de trinta sociedades da Antiguidade encontrou ferramentas de participação politica popular em lugares bem distantes do Mediterrâneo. A história, vesga dos dois olhos, tem sido contada que a Grécia é onde a democracia foi criada há mais de dois mil anos. E que ela só foi colocada verdadeiramente em prática na Roma Antiga. A arqueologia conta agora outra história.
O índice de autocracia.
Um grupo internacional dos maiores especialistas em arqueologia acaba de criar o “índice de autocracia”. O estudo foi recentemente publicado na revista cientifica “Science Advances”. Eles colocaram em uma “cesta” indicadores como o tamanho das casas, a existência de praças abertas a todos ou como enterravam seus concidadãos e inimigos. “Muitas sociedades por todo o mundo desenvolveram maneiras de limitar o poder dos governantes e dar a voz à gente comum”, afirmam.
No topo da autocracia estava o Egito.
“Definimos duas dimensões chave para definir democracia. Uma delas é o grau de concentração de poder em uma só pessoas ou instituição. A outra é o grau de inclusão”, diz o estudo arqueológico. Para eles, o extremo da autocracia, da falta de democracia, estava no Egito dos faraós. As pirâmides, dizem, são o protótipo da autocracia. Por lá, não há um só dos indicadores da nova arqueologia mostrando alguma democracia.
Angkor, iroqueses, libaneses e muito mais.
Em Teotihuacán, a 50 quilômetros da Cidade do México, levantaram uma pirâmide, a do Sol, a terceira maior da Terra. Mas, se essa construção é um indicador de autocracia, essa sociedade, anterior aos astecas, tinha imensos mercados, casas construídas que desembocavam em imensas praças, onde debatiam seus problemas, e muito mais. Eram razoavelmente democratas. Profundamente democráticos foram os iroqueses, o “povo da casa estendida”, na fronteira dos EUA com o Canadá; o povo de Angkor Vat, no Camboja e o Mohendro-Daro, no atual Paquistão; bem como os libaneses (fenícios) de Tiro.
A correlação da democracia com os impostos.
O trabalho não encontrou uma correlação entre o número de habitantes e a democracia. Dizem que houve apenas um crescimento vertiginoso da burocratização com o aumento de habitantes. Mas houve uma forte relação entre os impostos e a democracia. Se a fonte de dinheiro era externa, como o controle de minerais de outros lugares ou das rotas comerciais, as sociedades tendiam a praticar o mandonismo, a autocracia. Já nas sociedades onde os impostos sobre seus cidadãos eram cobrados, a democracia era exercida .
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