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22/09/2017 06:30

Navegando pelo erotismo. Dos pés aos seios

Mário Sérgio Lorenzetto
Navegando pelo erotismo. Dos pés aos seios

É difícil acreditar que houve uma época em que os seios eram a parte menos erótica do corpo feminino. No pensamento do homem, os seios só tinham por função produzir leite. É muito mais difícil de acreditar que durante muitos séculos, até o fim do século XIX, os homens enlouqueciam com os pés das mulheres. Pode causar náuseas para os homens do XXI, mas as mulheres não se lavavam. Essa ideia servia para atrair seus parceiros com certo "cheiro peculiar".
O erotismo mudou através do tempo. O que nunca saiu de voga, o que permaneceu até os dias atuais, é a vontade de controlar o prazer sexual. O sexo só devia ser praticado para a procriação. Há quem defenda isso até hoje. As tentativas de controlar o prazer sempre contaram com sanções sociais, religiosas e até "médicas". Isso não mudou. Só transformaram os mitos e crendices. Então, como desde menino é que se torce o pepino, as crianças e jovens eram assustados com histórias de cegueira, pelos nas mãos e câimbras, se praticassem a masturbação.
Mas era sobre a mulher que esse controle se exercia com maior rigidez. Ela era criada para se casar, ser de um homem só, procriar e cuidar dos filhos. Sexo? Apenas quando o marido tivesse vontade. Mas depois de pouco tempo ele só tinha vontade fora de casa. Com outra. Também, pudera. A mulher vestia-se de preto, desconhecia quase tudo sobre o prazer e não se cuidava, porque seu valor perante a sociedade era medido pelo recato. As belas? Eram consideradas perigosas. Reagir à infidelidade do marido? Nem pensar.
Do bordel ao motel, da fotografia às poses no celular, da "pederose" à "pedofilia", da perseguição ao "antifísico" à homofobia, do corpo nu ao coberto e a volta ao nu. Passamos de um mundo em que quase tudo era proibido, mesmo entre quatro paredes. Chegamos a este em que se proíbe quase nada, até em público. Esse é o fascinante caminho que criamos e vivemos, mesmo com o pudor agonizante, mas ainda lutando para existir.

Navegando pelo erotismo. Dos pés aos seios

Ai que cheirinho doce que ela me trouxe.

Hábitos de higiene, hoje associados ao prazer físico, eram inexistentes. Entre os habitantes do Brasil, a sujeira esteve mais presente que a limpeza. E isso, durante séculos. Os pés eram as partes mais limpas das pessoas. Os rostos, mãos, braços, peitos e pernas que eram muito expostos em ambos os sexos, raramente recebiam a benção de uma lavada. Os perfumes que remetiam aos odores dos animais - âmbar, almíscar - estavam na moda, não para mascarar o mau cheiro dos corpos femininos, mas para sublinhá-lo. Mas lavar o corpo, com que? Um pedaço de sabão valia uma fortuna.

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Onde faziam sexo?

Mesmo nas casas dos ricos e poderosos, as mais belas, o fedor era pesado. Os aposentos, por vezes, eram varridos com uma espécie de vassoura de bambu. Água no chão? Nunca. As paredes da casa depois de caiadas durante a construção não recebiam uma nova mão de tinta. Eram amareladas. Os quartos nunca eram abertos à ação do ar. Nem expostas as raras camas, embora úmidas de suor. Costumavam queimar substâncias odoríferas na hora de deitar para suportar o mau cheiro. Os detritos só eram retirados uma vez por semana. Os penicos estavam em toda parte. Seu conteúdo era jogado nas ruas.
Para pobres, índios e negros a privacidade era algo impossível. Dormia-se em redes, esteiras ou em raríssimos catres compartilhados por muitos membros da família. Os poucos cômodos serviam para tudo. Ali recebiam os amigos, realizavam os trabalhos manuais, rezavam, cozinhavam e dormiam. Não havia espaço para o leito conjugal. Entre os poderosos, os muitos quartos nas residências não significavam garantia de privacidade. Todos davam para o mesmo corredor e raramente tinham janelas. Ouvidos indiscretos podiam escutar o que bem entendessem. As portas não se trancavam, chaves eram artefatos caríssimos. Nas maiores cidades podiam contar meia dúzia de casas com cama coberta por mosquiteiro, colchão rijo, travesseiro redondo e lençóis. Mas, para suas intimidades, os casais - ricos ou pobres - sentiam-se mais à vontade "pelos matos", nas praias, nos campos, na relva. Longe dos olhos e dos ouvidos dos outros. Longe do fedor.



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