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21/09/2017 10:57

Os 500 anos da Reforma Protestante

Mário Sérgio Lorenzetto
Os 500 anos da Reforma Protestante

Diz a lenda que em 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546), criou um escândalo contra o vergonhoso espetáculo que a igreja católica oferecia com as vendas das indulgências - perdoava qualquer pecado em troca de dinheiro. Lutero teria cravado nas portas da igreja de Wittenberg, na Alemanha, as famosas 95 teses que desafiavam o poder do Vaticano. A Alemanha está promovendo inúmeras festas desse aniversário. Angela Merkel e Barack Obama já homenagearam Lutero na porta de Brandeburgo, em maio, e nesse mesmo mês foi inaugurada uma espetacular exposição em Wittenberg. Desde o término da Segunda Guerra Mundial os aniversários luteranos - nascimento, morte, 95 teses, iluminação divina durante a tormenta de 1505 - ganharam relevância.
O gesto descrito nas portas da igreja de Wittenberg é a representação mítica e ritual do que significou Martinho Lutero para o então chamado Sacro Império Germânico. Há séculos duvidam que ele cravou as teses na porta. As menções a esse ato desafiante aparecem muito depois conforme se vai adornando e mitificando o personagem Lutero e o cisma que trouxe consigo. Mas, "si non è vero, è ben trovato", como dizem os italianos. Se não for verdade, é bem contado. Resulta muito menos heroico mandar pelo correio - o que muito provavelmente ocorreu. Era muito mais épico na época de Lutero. O homem do século XVI sabia que esse era o modo em que dava a conhecer os chamados "cartéis de desafio". Quando um cavalheiro insultava publicamente outro e o desafiava a um duelo. Se verdade for, pregar as 95 teses na porta da igreja era chamar o Papa para um duelo. O chefe da igreja teria de responder. Caso contrário, ficaria desonrado para sempre. E a resposta viria na forma de uma fogueira, e não de um debate. Mas foi o debate que ocorreu. E provocou um racha definitivo na igreja católica e em todos os países da Europa. Antes que o século XVI acabasse, o norte do continente era protestante. O sul, católico, mas a custo de muitas, muitas mortes.

Os 500 anos da Reforma Protestante
Os 500 anos da Reforma Protestante

Em que consistia a Reforma Luterana?

Em geral, os centros cristão do norte da Europa e Grã Bretanha defendiam que os fiéis deveriam conciliar a fé com o comportamento. Evitavam a adoração de santos, inclusive da Virgem Maria, pregavam uma vida sem excessos. Uma das principais proibições era do consumo do álcool, de comidas doces ou gordurosas e do luxo na decoração da residência. Mas a tese mais polêmica, além da contrariedade contra a venda de indulgências, era a defesa intransigente do casamento dos padres.
O próprio Lutero deu um exemplo explosivo ao casar com a freira Katharina von Bora, uma das doze religiosas que ele ajudara a fugir dentro de barris de um convento em Nimbschen. Outros protestantes foram além. Começaram a rebatizar os adultos. Alegavam que não fazia sentido dar esse sacramento a crianças que não entendiam o que estava acontecendo. Esses protestantes foram chamados "anabatistas" (de "batismo duplo"). Era uma atitude chocante para a época. Mas esse pensamento sobreviveu e passaram a simplesmente ser conhecidos como "batistas".

Os 500 anos da Reforma Protestante
Os 500 anos da Reforma Protestante

Tempos de guerras religiosas.

A Europa Central, em especial a atual Alemanha e os países a seu redor, foi varrida por uma série de conflitos com motivações religiosas. Mas não era apenas de religião que essas guerras tratavam. Havia um pouco de revolta contra tudo e contra todos. Havia camponeses se rebelando contra os donos de terras. Tinha donos de terra tomando terra da igreja. Havia nobres querendo separar da primeira mulher para casar com outra. E, principalmente, todos contra os elevadíssimos impostos e taxas cobrados pela igreja católica.
A Guerra dos Trinta Anos causou a morte de mais de 8 milhões de pessoas entre 1618 e 1648. A cada vez que uma região mudava de governante, precisava mudar de fé. Uma população majoritariamente católica podia ver um rei protestante ser aclamado e alterar a religião de todos à força. E vice-versa. Em geral, a situação só se estabilizaria a partir do final do século XVII.

Os 500 anos da Reforma Protestante
Os 500 anos da Reforma Protestante

A Contra Reforma Católica.

O Vaticano demorou, mas se moveu diante do desafio pregado por Lutero. E se moveu com alguma dose de humildade. Entre 1545 e 1563, o Concílio de Trento debateu as alegações dos rebeldes. Acabou com a venda de indulgências que passaram a ser resolvidas com penitências e preces. A comercialização foi proibida em 1567, pelo Papa Pio V. Contudo, pouco foi mudado teologicamente. O Papa continuou com os poderes, o uso de imagens continuou sendo incentivado e a adoração aos santos foram mantidos. Mas, na prática, a instituição se modernizou e organizou. Passou a investir mais na formação dos padres e no uso de comunicação de massa. Também deu espaço para as ordens com vocação missionária, especialmente para os jesuítas. Se parte da Europa estava perdida ou colapsada, enviou religiosos para o Brasil, Filipinas, Índia, Japão, Andes e Caribe. Nesse sentido, a Contra Reforma foi eficaz: os católicos conquistaram parcelas importantes do mundo. Em outras palavras, Lutero venceu na região que desejava, o Papa venceu na outra parte do mundo. Esse quadro só está mudando 500 anos depois.



O articulista começa dizendo “Diz a lenda”. Ora, sabemos que lenda é algo fantasioso, e a história mostra os resultados desse fato verdadeiro, que são milhões de luteranos.
Engana-se em chamar “iluminação divina” o voto feito por Lutero durante uma tempestade, onde demonstrou seu medo ao cair um raio perto dele.
São esquecidos os pilares da Reforma Protestante, ou seja: Sola Fide (Somente a Fé), Sola Gratia (Somente a Graça) e Sola Scriptura (Somente a Escritura), onde Lutero causou uma grande reforma, ensinando que a salvação não é pelas obras, mas pela graça, recebida pela fé, segundo as Escrituras Sagradas.
Para muitos, Lutero não “andou o suficiente”, pois manteve dois sacramentos: O batismo infantil e a Ceia, sendo contestado pelos reformadores radicais, os anabatistas.
 
Carlos Osmar Trapp em 21/09/2017 14:56:37
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