Por unanimidade, OAB-MS pede afastamento de Moraes e suspeição de Gonet
Posição amplia pressão por respostas e alcança duas das principais autoridades do sistema de Justiça

A crise envolvendo o Banco Master levou a Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) a adotar uma posição dura contra duas das principais autoridades do sistema de Justiça. Por unanimidade, o Conselho Seccional decidiu defender o afastamento cautelar do ministro Alexandre de Moraes e a suspeição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para atuar no caso.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A OAB de Mato Grosso do Sul decidiu, por unanimidade, defender o afastamento cautelar do ministro Alexandre de Moraes e a suspeição do procurador-geral Paulo Gonet no caso do Banco Master. A deliberação ocorreu em sessão extraordinária após vazamento de informações sigilosas. A entidade afirma que a medida visa garantir apuração independente e transparente, sem representar condenação antecipada. O posicionamento será apresentado ao Conselho Federal da OAB em Brasília.
A deliberação foi tomada em sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (8), após a divulgação de informações das investigações que estavam sob sigilo. Segundo a OAB-MS, a gravidade dos fatos exige uma apuração independente, pública e transparente.
O pedido de afastamento não representa, segundo a entidade, uma condenação antecipada do ministro do Supremo Tribunal Federal. A medida cautelar seria necessária para evitar interferências, preservar as investigações e proteger a credibilidade das instituições envolvidas.
A mesma preocupação levou o Conselho a defender que Paulo Gonet não participe da condução do caso. A suspeição, caso reconhecida, impediria o procurador-geral de atuar nas apurações relacionadas ao Banco Master.
A decisão amplia a pressão por respostas sobre o episódio e coloca a seccional de Mato Grosso do Sul entre as vozes que cobram providências concretas. O posicionamento será apresentado nesta quarta-feira (9), em Brasília, durante reunião do Colégio de Presidentes das Seccionais da OAB com a diretoria do Conselho Federal.
Para a OAB-MS, defender as instituições democráticas não significa blindar autoridades. Significa garantir que suspeitas graves sejam investigadas, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
O afastamento cautelar não define culpa. Mas a permanência de autoridades sob questionamento também não pode servir de obstáculo à apuração. Quando a confiança da sociedade está em jogo, silêncio, demora e proteção corporativa apenas aprofundam a crise.
No Estado Democrático de Direito, ministros do Supremo, procuradores e qualquer outra autoridade devem explicações à sociedade. Ninguém está acima da Constituição e das leis.

