Os mandões de aldeia transformaram a imensa Nioaque em um vilarejo
Imigrantes de várias províncias do Brasil chegaram às campinas de Nioaque. Mineiros, paulistas, goianos e gaúchos, além de 150 famílias paraguaias estabeleceram-se definitivamente no imenso território que compunha Nioaque. Era o fim da guerra, queriam criar gado e plantar. Havia sido destruída duas vezes pelos guaranis de Solano Lopes, mas se recuperava do último incêndio.
Os mandões de aldeia.
Miguel Palermo, o historiador que viveu em Nioaque nessa época, afirma que os comandantes do destacamento militar foram verdadeiros “mandões de aldeia”. Pedro Rufino, general Diogo, general Sólon e general Lucas, tinham boa vontade e não pouparam esforços em prol da vila. Mas, aos poucos, viraram “pequenos reis absolutos”, que tentavam construir um “culto como as divindades”.
Mandavam em tudo.
Nas escolhas do empregados de governo, nas eleições, nos festejos, nos bailes, nas disputas, nos delitos, nos crimes….em tudo via-se a mão de um desses mandões. Ora protegendo, ora perseguindo um de seus “súditos”. Palermo diz que era assim porque o povo não tinha instrução e facilmente se subjugava à vontade alheia. Não havia liberdade em Nioaque. É a partir do comando do pior deles, coronel Barbosa, um testa de ferro de Cuiabá, que tudo decai em Nioaque. As lutas, inclusive armadas, nunca mais abandonariam a vila. A Nioaque que comandava Campo Grande, Ponta Porã e a Vacaria inteira, murchou, definhou, feneceu….
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