Pororoca, a árvore de mau agouro do sertão, tem nova fama
É uma árvore de porte médio - entre três e oito metros - cuja madeira não prestava para nada, como diziam os caboclos do Mato Grosso do Sul. “Ruim pra daná”, uma madeira de qualidade inferior, não possuía serventia alguma. Estava presente sempre próxima a córregos e rios. Seus pequenos frutos, chamados de “azeitonas do mato”, não serviam de alimentos nem para os pássaros, exagerava o homem do sertão. Uma “peste de árvore”, é como pensavam antigamente.
Árvore de má sorte.
Quando algum viajante encontrava três ou mais pororocas na beira da estrada, desviava. Era árvore de mau agouro. Ele se benzia, quando isso acontecia. E apressava o passo do cavalo. Era sinal certo de viagem mal-sucedida.
Nem passarinho fazia ninho.
De tão imprestável que era, toda retorcida, sombra rala, galhada torta, folhas sempre ressecadas, nem passarinho, preguiçoso e relaxado, nela fazia ninho. Só lagarto é que aproveitava algum buraco no tronco para fazer morada. Formiga não subia na pororoca porque seu mau cheiro entontecia. Nunca sertanejo algum viu coruja pousada na copa feiosa de uma pororoca. Nem urubu. Nem pinhé. A pororoca de nosso sertão tinha um apelido comum: era a “espanta-bruxa“. Espantava pela feiura.
Hoje, usada para reflorestamento.
O tempo passou. O velho conhecimento do homem do sertão do Mato Grosso do Sul sumiu. Ninguém reconhece uma árvore que nos leva má sorte. A pororoca adquiriu fama diferente. Passou a ser usada em projetos de reflorestamento de terras destruídas pelo uso intensivo. Agora é a “pororoca ressuscitadora”. Leva vida à terra. Feia, como sempre, até seus frutinhos passaram a ser comidos pelos passarinhos sempre famintos.
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