Astrofotógrafo de 16 anos registra raro encontro de Vênus e Júpiter
Monitor de clube da UFMS, Guilherme Camargo une paixão pela ciência e divulgação astronômica
Enquanto muitos adolescentes dedicam as noites às redes sociais ou aos jogos eletrônicos, José Guilherme dos Santos Camargo, de 16 anos, costuma voltar os olhos para o céu. Foi assim que o estudante e astrofotógrafo registrou um raro encontro aparente entre os planetas Vênus e Júpiter, visível nos últimos dias logo após o pôr do sol.
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As imagens, feitas em Campo Grande, mostram a proximidade visual dos dois astros no horizonte oeste, direção onde o Sol se põe. Apesar de parecerem próximos, os planetas estão separados por milhões de quilômetros no espaço. O fenômeno é conhecido na astronomia como conjunção planetária, quando dois corpos celestes aparentam ocupar a mesma região do céu para quem observa da Terra.
"São os dois pontos mais brilhantes que aparecem nessa região do céu. Está bem bonito de observar", explica Guilherme.
Segundo ele, a observação pode ser feita a olho nu logo após o entardecer até 1º de julho. Embora conjunções entre planetas aconteçam periodicamente, a visibilidade de Vênus e Júpiter logo depois do pôr do sol é menos comum do que os encontros observados antes do amanhecer.
A paixão pela astronomia acompanha Guilherme desde a infância. Ele estima que começou a se interessar pelo tema por volta dos 9 anos de idade. O envolvimento mais intenso veio em 2022, quando participou de uma observação de cometa promovida pelo Clube de Astronomia Carl Sagan, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), no Parque das Nações Indígenas.
"Eu sempre gostei muito de astronomia. Depois daquela observação, comecei a frequentar o clube e, com o tempo, virei monitor", conta.
Guilherme afirma que, além de auxiliar nas atividades do grupo, ele participa de observações públicas, opera telescópios, ministra palestras e ajuda a divulgar conhecimentos científicos para a população. Em 2023, adquiriu seu primeiro telescópio e passou a registrar o céu.
"Se for planeta ou Lua, eu uso o telescópio. Mas muitas fotos do céu faço apenas com o celular", explica.
Planos futuros - Aluno do segundo ano do ensino médio, Guilherme pretende seguir carreira na área científica. O objetivo é cursar Engenharia Aeroespacial no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), sem abandonar a astronomia, que considera uma atividade para toda a vida.
Para ele, a divulgação científica é uma forma de combater a desinformação. "A ciência ajuda a combater informações falsas. Com a tecnologia, a gente consegue levar conhecimento para pessoas que não têm acesso a esse conteúdo", afirma.
Quando não está estudando, conforme Guilherme, sua a rotina costuma incluir observações noturnas, fotografias e sessões com telescópio. O resultado desse trabalho pode ser acompanhado em seu perfil nas redes sociais, onde compartilha registros do céu feitos a partir de Campo Grande.
Para quem deseja conhecer mais sobre astronomia, o estudante recomenda acompanhar as atividades do Clube de Astronomia Carl Sagan, da UFMS, que promove observações públicas regularmente.
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