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Capital

"Ou era eu, ou era eles", diz homem que matou trans e marido em depoimento

Crime aconteceu na sexta-feira; Deivison foi solto em audiência de custódia

Por Clara Farias | 07/06/2026 13:16

"Ou era eu, ou era eles", afirmou Deivison Felipe Alves de Brito, de 30 anos, durante interrogatório sobre a morte da mulher trans Natália dos Anjos Molina, de 33 anos, e do marido dela, Ademar Spacino Júnior, de 38. O crime aconteceu na madrugada de sexta-feira (5), em Campo Grande. Preso em flagrante após os assassinatos, ele foi solto em audiência de custódia neste sábado (6), decisão que motivou recurso do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

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Deivison Felipe Alves de Brito, de 30 anos, alegou legítima defesa ao matar a mulher trans Natália dos Anjos Molina, de 33 anos, e o marido dela, Ademar Spacino Júnior, de 38, em Campo Grande. Preso em flagrante, foi solto em audiência de custódia, decisão contestada pelo Ministério Público do MS, que aponta confissão, arma apreendida e tiros nas costas de Natália como indícios de crime doloso, possivelmente motivado por transfobia.

Durante o depoimento, Deivison alegou ter agido em legítima defesa. Segundo ele, a confusão começou após uma discussão envolvendo sua esposa e o casal. Ele relatou que Natália teria partido para cima da mulher dele e que, diante da situação, pegou a arma de fogo e efetuou os primeiros disparos ainda do portão da residência.

Deivison disse que pegou a arma descarregada em cima do armário, colocou os projéteis e depois ainda recarregou. Segundo ele, o primeiro disparo foi no chão para assustar Natália. "Ele não parou. Aí eu dei mais, acho que quatro nele. Aí eu dei mais vez, consegui colocar mais uns dois projéteis e continuei", declarou.

Ainda segundo Deivison, o marido de Natália teria perguntado o que estava acontecendo e sido chamado pela companheira para ir até o local. O acusado afirmou que Ademar foi em direção à cozinha para pegar uma faca e, em seguida, se aproximou dele. "Dei um para assustar, ele não parou [...] Dei mais uns dois tiros para ver se ele parava, e ele continuou correndo na casa dele", disse.

Em entrevista, a mãe de Natália relatou que a filha e o marido eram ameaçados frequentemente por Deivison e a esposa, e Natália teria sido morta dentro da residência. "Foi um crime de ódio, só porque é mulher trans, de certo foi ódio. [...] Eu perdi minha filha, para mim não tem sentido uma vida dessa", afirmou à reportagem no dia do crime.

"Ou era eu, ou era eles", diz homem que matou trans e marido em depoimento
Local onde o crime aconteceu (Foto: Osmar Veiga)

Após a soltura de Deivison em audiência de custódia, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) recorreu da decisão e pediu ao Tribunal de Justiça a decretação da prisão preventiva. No recurso, o órgão sustenta que há indícios robustos de autoria, incluindo a confissão do investigado, a apreensão da arma utilizada e elementos periciais que apontam múltiplos disparos contra as vítimas. O MPMS também destaca que Natália foi atingida por três tiros nas costas e cita a possibilidade de o crime ter sido motivado por discriminação, já que uma das vítimas era uma mulher trans.

O Ministério Público argumenta ainda que a liberdade do investigado representa risco à ordem pública, podendo comprometer a instrução criminal, influenciar testemunhas e gerar insegurança aos familiares das vítimas. Conforme o pedido, a análise sobre eventual legítima defesa demanda aprofundamento das investigações e não poderia ser concluída de forma antecipada durante a audiência de custódia. Por isso, o órgão requer a suspensão imediata da decisão que concedeu liberdade provisória e a prisão preventiva do investigado até o julgamento definitivo do recurso.