O velho forte e sólido. A impotência no MS antigo
É difícil imaginar velhos desnutridos lavrando a terra, derrubando matas com machados, aproveitando troncos para cercas, ateando fogo à área desmatada, rompendo com enxadões troncos e raízes e limpando matos. Mas, enquanto podiam, todos o faziam, pois dependiam da terra para viver. E, apesar das dificuldades, sobreviviam. Pareciam não sentir cansaço.
Centenas de ranchinhos de velhos.
Havia centenas de ranchinhos isolados nos quais um casal de velhos vivia quase isolados das demais fazendas. Eram esses velhos que acudiam com um punhado de farinha, um tanto de laranjas e até a preciosa água potável os viajantes e as comitivas. Ofereciam até cuidados.
Sólidos e pobres.
A doença, mais do que a idade, marcava o fim da vida ativa ou seu declínio. A fadiga anunciava o limite. A maioria dos homens que sobrevivia às péssimas condições de vida no Mato Grosso do Sul, eram sólidos. Gente forte. Muito diferente dos fracotes atuais. Pobres, trabalhavam até que as forças os abandonassem. Estranho para os padrões atuais, era incrível ver que os ricos também trabalhavam muito, agarravam-se à ação. Acreditem, é a verdade, a velhice era uma oportunidade muito valorizada. E era diferente para nossos velhinhos quando comparados com os do “sul maravilha”. Aqueles iam para mosteiros, os nossos ficavam nas fazendas.
A impotência marcava a data da entrada na velhice.
Numa época sem calendário e relógio, em que a imensa maioria não sabia quantos anos tinha, o marcador da entrada na velhice era um só: a impotência. Era a maior fonte de ansiedade. Ela minava o poder de mando sobre seus dependentes, especialmente a esposa. Era assunto de escárnio. A medicina de então a tratava como decorrentes da composição do sêmen. As curas da impotência passavam pela prescrição de afrodisíacos.
Nossas antigas receitas contra a impotência.
Banana era considerada “planta que excita o venéreo adormecido”. O amendoim era raro em nossa região, mas “podiam tornar o homem mais forte e mais capaz para os deveres sexuais”. Houve tempo em que no “sul maravilha” só os portugueses podiam vendê-lo. A hortelã era considerada altamente eficaz. Mas tem uma que passa dos limites daquilo da compreensão: a urtiga combatia a flacidez do pênis. Será que esfregavam? Comer jaca ou tomar chá de algumas orquídeas era bom para combater a impotência. Existiam “unções” com fezes de cão que também eram prescritas, mas não descobri o que significava essa tal “unção”. Untavam o pênis com as fezes caninas? A asa de morcego levantava o membro. É outra receita que não descobri o que faziam com a asa desse animal.
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