Quando o Secretário de Educação assume noção do cargo
A confusão nos primeiros anos de existência do Mato Grosso do Sul foi gigantesca. Um dos casos mais emblemáticos da inexperiência com a governabilidade foi a nomeação do Secretário de Educação. Era uma bagunça. O farmacêutico e odontólogo Hercules Maymone foi nomeado para assumir o cargo. Ninguém sabe explicar, mas, logo em seguida, foi substituído pelo então administrador de empresas e advogado Juvêncio da Fonseca. Assumiu sem ter a mínima ideia do que era governar. Era então, assessor de Marcelo Miranda. Juvêncio nos legou uma histórica confissão.
Caiu de paraquedas na Secretaria de Educação.
“Eu fui jogado na Secretaria de uma hora para outra. Hoje, eu não sabia que era Secretário e, amanhã, eu já estava tomando posse. Quando eu tomei pé da situação nós fomos excluídos do governo”. Contava Juvêncio, que em seu curto tempo na Secretaria não conseguiu sequer deixar um relatório para a Marisa Serrano, sua sucessora.
Marisa, a conciliadora.
Marisa guardava alguma relação com o grupo de professores que comandava a Associação de Professores campo-grandense. Era uma época em que, pela primeira vez, alguma categoria profissional do Mato Grosso do Sul levantava bandeiras de luta. Por perceber a importância, e um mínimo de organização, desse movimento, Marisa assume a Secretaria com a missão de acabar com a insatisfação desses profissionais. Os novos governantes temiam serem ejetados de seu poder caso não amainassem a ofensiva dos professores. Estes, sentiam-se prejudicados com tantas disputas politicas pelo cargo de governador. Seu papel, além da condutora da Educação do Estado, era a de conciliar governantes com professores.
A maior manifestação nas ruas de Campo Grande.
Conquistar o exercício do poder fora, até então, um joguete dentro de escritórios. Nada tinha a ver com a vontade popular. Meia dúzia de “iluminados” se reuniam e dividiam os cargos públicos. Uma passeata nas ruas de Campo Grande destruiu essa tradição de convescotes decisivos. Em torno de 6.000 professores foram às ruas carregando bandeiras por melhores condições de ensino. Pleiteavam melhoria salarial, concurso público, aposentadoria organizada e melhorias nas escolas. Por estranho que pareça, o movimento conquistou elogios da população. A imprensa, que sempre fora subserviente às ordens dos governantes, deu voz ao movimento. E tudo mudou….
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