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03/12/2017 08:17

Quanto custa uma cerveja nas cidades turísticas

Mário Sérgio Lorenzetto
Quanto custa uma cerveja nas cidades turísticas

Se está pensando em viajar e é apreciador de cerveja, veja os preços médios nas principais cidades turísticas do mundo e... assuste-se em alguns casos. É melhor "treinar" bastante no Brasil do que "praticar" lá fora. Os valores estão em reais.

1. Oslo - 30
2. Cingapura - 26
3. Hong Kong - 26
4. N.York - 26
5. Boston - 22
6. Paris - 22
7. Estocolmo - 22
8. Melbourne - 22
9. Zurique - 19
10. Copenhague - 19
11. Auckland - 19
12. Londres - 19
13. Helsinque - 19
14. S.Francisco - 19
15. Xangai - 19
16. Edimburgo - 19
17. Milão - 19
18. Sidney - 15
19. Madri - 15
20. Chicago - 15
21. Toronto - 15
22. Moscou -15
23. Atenas - 15
24. Ottawa - 15
25. Amsterdam - 15
26. N.Delhi - 15
27. Bombaim - 15
28. Tóquio - 15
29. Jacarta - 10
30. Kuala Lumpur - 10
31. Bruxelas - 10
32. Bangalore - 10
33. Viena - 10
34. Istambul - 10
35. Frankfurt - 10
36. Berlim - 10
37. México - 7
38. Varsóvia - 7
39. Lisboa - 7
40. Joanesburgo - 3
41. Praga - 3

Quanto custa uma cerveja nas cidades turísticas

Rio, a Paris dos Trópicos, mas com muito de Lisboa.

A denominação do Rio como "cidade maravilhosa" foi feita, em 1912, pela francesa Jeanne Catulle-Mendèz. Essa ideia só seria consagrada em 1935 com a célebre marcha carnavalesca de André Filho "Cidade Maravilhosa". Virou um hino. O Rio era o cartão de visita do país e certificado de brasilidade. Combinava a beleza da natureza tropical com a modernidade urbana. Depois das reformas no princípio do século XX, era considerada também a "Paris dos Trópicos". Uma Paris com muito de Lisboa e suas mazelas. No final do século passado, com a proliferação dos shoppings e a expansão para Jacarepaguá e a Barra da Tijuca, tomou ares de uma Miami sul americana, não do gosto de todos. Mas seu caráter mais perdurável é o de um Rio Paraíso Tropical.
Quando Américo Vespúcio chegou, em 1502, viu na Guanabara algo muito parecido com a ideia que os antigos faziam do Paraíso: um carnaval de montanhas, serras, praias, enseadas, dunas, ilhas, restingas, lagoas e bosques; tudo embaixo de um céu sem fim. Uma obra mestra da natureza, entendia que era habitada por gente feliz. Uma gente bronzeada e amoral. Homens e mulheres que viviam cantando e bailando ao sol. Todos pelados. Fornicando alegremente nas matas e areias. Dormindo sob românticas luas em choças de palhas. Com grande abundância de frutas, pássaros e peixes ao alcance das mãos. Ninguém tinha a necessidade de plantar. Só colhiam e viviam a vida.
A sensualidade dos morros é única no mundo. São formas que não intimidam. Pelo contrário, convidam a tocá-las. Por mais que o homem tenham tentado destruí-la em todos esses séculos, o Rio resistiu ao urbanicídio, que assolou a outras metrópoles. Das grandes cidades modernas, é das poucas que podem ser reconhecidas facilmente em mapas e gravuras do século XVII.

Quanto custa uma cerveja nas cidades turísticas

O desapreço ao Rio. Uma cidade partida.

Existem exceções ao imenso apreço ao Rio de Janeiro. O antropólogo Claude Levy-Strauss detestou a Guanabara. Em "Tristes Trópicos" arrebenta o postal. "Depois disto me sinto ainda mais embaraçado para falar do Rio de Janeiro, que me rechaça apesar de sua beleza tantas vezes celebrada. Como dizer? Me parece que a cidade do Rio não está na escala de suas próprias dimensões. O Pão de Açúcar, o Corcovado, todos esses pontos tão afamados, parecem ao viajante que penetra na baia como raízes perdidas nos rincões de uma boca desdentada. Quase constantemente submersos na bruma enlameada dos trópicos...". Tampouco Saramago se sentia cômodo no Rio de Janeiro. Se sentia desorientado na cidade, "dividida como está, em três ou quatro partes que se comunicam por túneis". Estudou, localizou os acidentes geográficos, mas desistiu de entende-los.
Mas o Rio sempre foi uma cidade dissonante. São dissonâncias coletivas: as da herança da escravidão, a da pobreza, da desigualdade social, da violência, e a do fracasso político. Ao fim, o Rio é uma "cidade partida". Um Rio violento, com os crimes do narcotráfico nas favelas nos dias de hoje; com os esquadrões da morte vinculados com a polícia na época da ditadura. Mas sempre tentando se situar nos anos 50 do século passado. Os anos que consideram como os "Dourados". Quando esboçavam uma crônica "noir" que ia em paralelo com os sons da bossa nova. Eram crônicas que enchiam os jornais sobre o lado obscuro de Copacabana ao mesmo tempo que triunfavam as canções que a mitificavam, como a que chamava essa praia de "princesinha do mar". Mas os cariocas, os brasileiros em geral, têm a arma para manejar essa partição: a alegria. A alegria particular do brasileiro, que acolhe com naturalidade a tristeza. É a força maior. Contagia sua gente.



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