“Velho com amor, morte em redor“”. Amar era profanar
Nos primeiros decênios da chegada dos brancos no Mato Grosso do Sul, existia um provérbio que dizia: “velho com amor, morte ao redor”. Os velhos estavam proibidos de amar. Era impróprio. Pior, era profano. Satã podia entrar no corpo da mulher idosa que ousasse ter relações sexuais, causando-lhe toda sorte de males.
As idosas se enclausuravam.
Nas pequenas cidades e vilas que se formaram, depois de muitos filhos, as mulheres se enclausuravam. Não eram mais vistas. Muito tempo depois, quando apareceram os primeiros padres, era com eles que elas se comunicavam. O entendimento geral era que com o advento da menopausa, elas enfeavam.
Casavam aos doze anos.
Mulher idosa era obesa. Raras as exceções. Perdiam os dentes com o uso abusivo do açúcar, produzido em um grande número de pequenas usinas. Ganhavam papadas. Cobriam-se de pelos. Murchavam. Era lhes atribuída uma vida ociosa. Mas o que destruía, de fato, seus corpos, eram os casamentos na infância. Doze ou treze anos era idade para casar… e ter mais de dez filhos.
Sangue menstrual matava crianças.
O sangue menstrual era, ao mesmo tempo, respeitado e temido. Antes da velhice, era feitiço amoroso para intoxicar amantes infiéis. Havia as mais violentas que matavam maridos misturando o sangue menstrual com vidro moído. Esse sangue era o culpado de enferrujar metais ou estragar alimentos. Mulher menstruada não podia cozinhar. Também havia a crença de que, quando espalhado pelo corpo de uma mulher, o sangue menstrual era capaz de matar uma criança no berço por meio de um simples olhar. Ninguém duvidava disso.
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