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    com Manoel Afonso


31/03/2017 10:16

Sem Ayache e mutilado, PT sem rumo no MS

Manoel Afonso

GUINADA “Esse é o governo da organização” – assim o deputado estadual Beto Pereira (PSDB) define a administração do tucano Reinaldo Azambuja. Assim como ocorreram gestões marcadas pela construção, o parlamentar entende que é preciso preparar o governo para um período que exige prudência e muito planejamento.

DESGASTES O deputado Beto compartilha com a tese de que eles possam atingir a imagem do governo e do governador, mas lembra que o estilo franco e transparente da atual gestão acabará capitalizando credibilidade da população. Beto diz que não há ambiente para demagogias que possam levar o Estado à ingovernabilidade.

EXEMPLO é o desafio de fazer a reforma da previdência com aumento da taxa de contribuição dos servidores estaduais. Será uma discussão amarga e desgastante, mas inevitável. A reação de Reinaldo contra a decisão do Palácio do Planalto em jogar no colo dos Estados a reforma da Previdência mostra a franqueza do nosso governador.

ABERRAÇÃO O foro privilegiado beneficia 22 mil brasileiros detentores de cargos públicos e mandatos, o refúgio seguro contra a justiça. Pior, garante a proteção mesmo contra os crimes comuns sem relação com o cargo que eles ocupam. A lentidão política do Supremo Tribunal Federal quase sempre tem deixado os acusados sem castigo.

O LEITOR precisa entender: o mecanismo tem impedido o juiz federal Sergio Moro de tomar qualquer decisão contra parlamentares sem autorização do STF. Veja: entre 1988 e 2015, só 16 de mais de 500 políticos processados no STF foram condenados. Na outra ponta Moro sozinho já condenou dezenas de denunciados. Essa é a diferença.

DUVIDO que o Senado aprove a PEC que limita a abrangência dos benefícios do foro privilegiado. Em benefício próprio irá imperar o espírito corporativista da casa, onde dezenas de seus integrantes respondem a investigações que sairão pelo ralo da prescrição. Ora. O STF não julga, é mais uma casa onde se discute teses. Nada mais.

AFRONTA A libertação da ex-primeira dama carioca Adriana Anselmo pelo STF é mais uma prova de que nossas leis são de encomenda, para os ricos é claro. Andou bem a ministra Luislinda Valois (Direitos Humanos) pedindo a extensão do benefício à todas as mães sob prisão preventiva. Quem tal batizar nova lei de ‘Lei Adriana Anselmo’?

PERFIL Com 4.152 votos Epaminondas Vicente Silva Neto (SD) se elegeu vereador em Campo Grande. Conhecido por todos como Papi, integrou a coligação SD-PSL-PRB. Casado, com curso médio completo, exerceu a função de coordenador da Funtrab. Essa foi sua primeira candidatura e diz que é possível trabalhar para o bem. Sucesso.

NOVO TEMPO? O brasileiro está acreditando. As prisões deixam os políticos de saia justa, mais cautelosos nas mutretas. À imprensa cabe o papel fundamental de denunciar as mazelas da corrupção, sobrepondo-se a postura de nossos tribunais em geral. Repito Millôr Fernandes: “a imprensa faz oposição, o resto é apenas secos e molhados’.

NELSINHO TRAD Como ele caminhará no pleito de 2018? Cresce a tese de que ele incentiva a terceira via oferecendo espaço para os ‘excluídos’ do PMDB e PSDB. A postura do ex-prefeito do PTB lembra o famoso bordão “Vem comigo’ do saudoso apresentador de televisão Gourlart de Andrade falecido em agosto de 2016.

SEM RUMO A cassação do mandato do ex-senador Delcídio do Amaral, a condenação do deputado João Grandão no TRF de São Paulo, a denúncia contra o deputado Vander Loubet no STF (Lava Jato) e a decisão do TJMS condenando o deputado federal Zeca do PT a perda dos direitos políticos por 8 anos coloca o PT em situação muito difícil.

DESMAMA Desnudo pela prisão de várias lideranças nacionais e a perda do Palácio do Planalto, o PT ‘guaicuru’ sofre também com a defecção no interior, onde não elegeu um só prefeito em 2016. O desastre se repetiu na capital - elegendo um vereador apenas e seu candidato a prefeito obtendo só 8.482 votos - 1,99% dos votos válidos.

AMPULHETA Como o PT se fechou para preservar o mando de suas lideranças, hoje sofre as consequências. A grande promessa era o médico Ricardo Ayache que deixou o PT ingressando no PSB onde vislumbra maiores chances de seu projeto eleitoral. Há quem diz que o partido estaria à espera de um milagre. Convenhamos - uma utopia.

AMAMBAI Estive com o prefeito, Ednaldo Luiz de Melo Bandeira, o Dr. Bandeira (PSDB), que sepultou o sonho do PT de reconquistar a cidade com o candidato Prego, que obteve 20,93% dos votos contra 40,11% do vencedor. Lá o PT não elegeu um só vereador. Para o prefeito, os tempos são outros, o PT não empolga nem os 7 mil índios do município. Lenda pura.

NOTA 10 O deputado estadual Zé Teixeira (DEM) é competente, faz contraponto à posição de seus colegas do PT quanto a invasão de terras e depredação de prédios por gente do MST, financiada pela CUT com dinheiro do imposto sindical. Aliás, a postura do PT repete o velho discurso comunista. ‘Câmbio – Stalin chamando – câmbio’.

E AGORA? O deputado estadual Pedro Kemp (PT) critica as decisões do juiz federal Sérgio Moro, por perseguir os petistas e aliviar gente do PMDB e PSDB. Questionou se Moro teria coragem de prender o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Agora, com a condenação de Cunha, gostaria de ouvir Kemp sobre o caso. Fico no aguardo.

EDUARDO CUNHA Sua condenação vem provar que o desmonte da ‘Lava Jato’ é cada vez mais difícil e deixa seus críticos sem discurso. Vai além: deixa de saia justa aqueles que se mostravam até então solidários a Cunha, inclusive o nosso deputado federal do PMDB Carlos Marun. Quem viver verá os novos capítulos. Aguarde.

QUEBRADO R$ 4 bilhões de prejuízos nos últimos 2 anos e precisando demitir até 25 mil funcionários. Depois da Petrobras, agora a vez dos Correios graças ao dedo do PT, PMDB e PSD. Pena, não aprendemos com os ‘States’, onde os Correios dão lucro. É a terceira empresa que mais emprega, com 785 mil funcionários, e possui 260 mil veículos.

O LEITOR questiona: por que no Brasil tudo que depende do Poder Público funciona em marcha lenta, pela má vontade dos funcionários e a burocracia? Enquanto isso a iniciativa privada consegue ser competitiva apesar das amarras e dos impostos. Continuamos reféns dos carimbos ainda do tempo do Brasil Colonial. Pode?

“O Brasil não tem povo, tem espectadores.” (Lima Barreto)

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