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Economia

Acordo Mercosul-UE entra em vigor, beneficiando mais de 100 empresas de MS

Integração comercial amplia mercado para pequenas e médias empresas de maior valor agregado

Por Viviane Monteiro, de Brasília | 01/05/2026 10:18
Acordo Mercosul-UE entra em vigor, beneficiando mais de 100 empresas de MS
Reprodução das bandeiras do Mercosul e da União Européia produzida com IA

A entrada em vigor do acordo entre União Europeia e Mercosul, a partir desta sexta-feira (1º), abre uma nova janela de oportunidades para mais de 100 empresas de Mato Grosso do Sul que já atuam no mercado internacional, principalmente médias e pequenas indústrias com alto valor agregado. A análise é do consultor de comércio exterior Aldo Barrigosse, diretor da Barrigosse Consultoria.

RESUMO

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O acordo entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde esta sexta-feira (1º), abre oportunidades para mais de 100 empresas de Mato Grosso do Sul, especialmente médias e pequenas indústrias. O estado registrou saldo de US$ 812 milhões com a UE em 2025, com exportações de US$ 1,3 bilhão. A expectativa é de crescimento superior a 10% nas exportações no primeiro ano, beneficiando setores como carnes, soja, celulose e produtos industrializados.

Com a integração comercial entre os dois blocos, que conectam um mercado de 720 milhões de consumidores, o estado ganha força em três frentes. Além do aumento previsto nas exportações de commodities consolidadas, como soja, celulose e carne bovina, empresas de menor e médio porte tendem a se tornar mais competitivas, em especial, aquelas voltadas a produtos industrializados. O acordo envolve, ao todo, 31 países entre os dois blocos.

“Nesse universo, quem tende a obter ganhos mais relevantes são as empresas de menor e médio porte, por trabalharem com produtos mais industrializados e de maior valor agregado, mais sensíveis à redução tarifária”, afirma.

Segundo o consultor, esse segmento tem grande potencial de crescimento no novo cenário. “Ao eliminar ou reduzir significativamente as tarifas, essas empresas ganham competitividade de forma mais direta no mercado externo.”

Ele cita como exemplo a produção de soro fetal bovino e sangue bovino em pó, insumos utilizados em laboratórios e pesquisas científicas. “São produtos altamente especializados, originados da cadeia pecuária regional, que podem ganhar espaço no exterior com a redução de tarifas.”

Acordo Mercosul-UE entra em vigor, beneficiando mais de 100 empresas de MS
Consultor de comércio exterior, Aldo Barrigosse, avalia impacto do acordo para MS (Foto: Divulgação)

Tarifas e modernização industrial

A redução ou eliminação de tarifas impacta diretamente o custo final das mercadorias, permitindo que produtos brasileiros cheguem mais baratos ao mercado europeu. Da mesma forma, itens europeus tendem a entrar no Brasil com preços mais baixos.

De acordo com cálculos da CNI (Confederação Nacional da Indústria), mais de 5 mil produtos terão tarifa zero no mercado europeu com a entrada do acordo, o que representa mais de 80% das importações da União Europeia de bens brasileiros em 2025. Desse total, 2.932 produtos passarão a ter tarifa zerada, beneficiando 93% dos bens industriais.

Com isso, o acordo deve favorecer ganhos de eficiência produtiva, já que a importação de tecnologia tende a ficar mais barata. As empresas poderão adquirir máquinas, equipamentos e outros bens de capital com tarifas reduzidas ou zeradas, ampliando a produtividade.

“Esse movimento tende a estimular investimentos em modernização e aumento de produtividade, fortalecendo a competitividade do setor produtivo no estado.”

Também são esperados efeitos positivos sobre os preços de produtos importados para o consumidor, mesmo diante da alta do dólar. “Vinhos provenientes de Portugal e de outros países europeus, por exemplo, devem chegar ao mercado brasileiro com valores mais competitivos.”

Por outro lado, o Brasil possui uma indústria vinícola relevante, especialmente no Rio Grande do Sul e em Pernambuco. Por isso, o vinho é considerado um produto sensível no acordo, com prazos mais longos para redução de tarifas, permitindo adaptação do setor nacional à concorrência.

Os efeitos não são imediatos. A expectativa é de que a redução de preços comece a ser percebida em cerca de seis meses, considerando etapas como negociação, logística, desembaraço aduaneiro e distribuição.

A implementação do acordo será progressiva. A redução de tarifas para produtos sensíveis pode levar até 10 anos na União Europeia e 15 anos no Brasil. Para veículos elétricos, híbridos e novas tecnologias, o prazo pode chegar a 30 anos. O governo federal ainda publicará uma portaria para regulamentar a distribuição das cotas de importação entre os países do Mercosul.

Corrente de comércio

Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou saldo positivo de US$ 812 milhões no comércio com a União Europeia, com exportações de US$ 1,3 bilhão e importações de US$ 492 milhões.

Na avaliação do consultor, há espaço para crescimento superior a 10% nas exportações no primeiro ano do acordo, impulsionado pela redução de tarifas e pelo ganho de competitividade. Entre os setores beneficiados está o de carnes.

Para Barrigosse, o acordo representa uma oportunidade estratégica de diversificação de mercados, especialmente diante da desaceleração do comércio chinês em escala global, influenciada por conflitos internacionais que elevam custos de produção e de comercialização.

“Ampliar o acesso a um bloco econômico robusto como o europeu pode impulsionar as exportações sul-mato-grossenses, especialmente de commodities e produtos do agronegócio.”

Mesmo com essa desaceleração, a China mantém papel central no comércio global e segue como parceiro relevante para o Brasil e para Mato Grosso do Sul.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), reforça  que o acordo deve abrir novas oportunidades de negócios para o estado. “Estamos falando de celulose, farelo de soja, carne e etanol, produtos que movimentam o campo, a indústria, o transporte, os frigoríficos, os serviços e geram emprego e renda nas cidades.”

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o tratado amplia o acesso preferencial a um dos mercados mais estratégicos do mundo e oferece maior previsibilidade regulatória. “Representa uma oportunidade para ampliar a presença do Brasil no comércio internacional e fortalecer a competitividade industrial.”

Atualmente, os países com os quais o Brasil mantém acordos comerciais respondem por 8,9% das importações mundiais. Com o acordo Mercosul-União Europeia, esse percentual pode chegar a 37,6%.