Do ônibus ao cafezinho, quanto custa passar um dia no Centro?
Levantamento mostra preços de alimentação, transporte e estacionamento na região central
RESUMO
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Passar um dia no Centro de Campo Grande pode custar entre R$ 50 e R$ 122, dependendo do transporte e da alimentação escolhidos. Passagem de ônibus custa R$ 4,95, salgados variam de R$ 1 a R$ 8,50 e almoços de R$ 15 a R$ 45. Estacionamento por oito horas chega a R$ 80. Moradores de Nioaque que acompanham familiar em tratamento oncológico gastam até R$ 250 por dia na Capital.
Sair de casa, pegar ônibus, tomar café, almoçar em um lugar mais barato e comprar água pode custar cerca de R$ 50 em um dia no Centro de Campo Grande. Se entrar na conta estacionamento, transporte por aplicativo ou patinete, o valor aumenta. Separadamente, são despesas de poucos reais, mas, somadas, mostram quanto é preciso ter no bolso para passar o dia na região central.
Para Rosivaldo Lopes da Silva, de 50 anos, e Geovane Arruda Domingos dos Santos, de 55, os gastos no Centro já somavam R$ 120. Moradores de Nioaque, eles estavam na Capital para acompanhar o pai de Rosivaldo, que faz tratamento contra o câncer há dois anos. No momento em que conversaram com o Campo Grande News, na Praça Ary Coelho, os dois já haviam gastado com café da manhã, água e outros itens. Ainda faltava o almoço.
Confeiteiro e funcionário público, Rosivaldo faz o trajeto a cada três meses. Naquela manhã, duas garrafinhas de 500 ml de água de coco custaram R$ 20. Ele calcula que, em um dia na Capital, pode gastar cerca de R$ 250 com alimentação, água e deslocamentos. “É caro, é caro”, resume.
Os preços encontrados pela reportagem mostram que há opções para diferentes gastos. A água mineral custa cerca de R$ 4, a com gás R$ 5 e o refrigerante R$ 7. Os salgados ficam, em média, entre R$ 7 e R$ 8,50, mas também foi possível encontrar opção por R$ 1.
No almoço, os valores também variam. Há marmitex pequeno por R$ 15,99 e médio por R$ 17,99, além de prato feito com churrasco por R$ 29,99. O self-service com churrasco completo custa R$ 45, ou R$ 42 no pagamento em dinheiro ou Pix. Nos restaurantes do Sesc (Serviço Social do Comércio), o self-service a quilo custa a partir de R$ 3,59 a cada 100 gramas para trabalhadores do comércio e dependentes
Rosivaldo e Geovane, no entanto, calculavam gastar mais. O almoço costuma ficar em torno de R$ 50 por pessoa no restaurante que frequentam. Eles preferem voltar ao mesmo estabelecimento por já conhecerem a comida e por causa dos cuidados necessários com a alimentação do pai de Rosivaldo durante o tratamento.

Militar da reserva, Geovane também ajuda a dividir as despesas da viagem. “O almoço é dividido, o café da manhã também”, conta. Quando é necessário permanecer em Campo Grande para exames, Rosivaldo ainda precisa incluir hospedagem na conta.
Para quem mora em Campo Grande e depende do transporte coletivo, a primeira despesa pode ser a passagem, que custa R$ 4,95. São R$ 9,90 para fazer o trajeto de ida e volta, caso não haja integração ou benefício.
Morador das Moreninhas, André Alexander Batista Silva, de 29 anos, trabalha no Cijus (Centro Integrado de Justiça), das 12h às 19h. Ele usa vale-transporte, com cerca de R$ 100 descontados por mês. Quando precisa recorrer a um motorista de aplicativo, paga entre R$ 20 e R$ 28 no trajeto entre o bairro e o Centro, dependendo do horário.
A alimentação acrescenta de R$ 38 a R$ 40 nos dias em que André não consegue comer em casa ou levar marmita. “Às vezes compra um lanche aqui, um lanche ali. Mas acaba gastando”, diz. Quando tem tempo, prepara a comida na noite anterior e leva para o trabalho.
Ele recebe entre R$ 490 e R$ 500 de vale-alimentação por mês, mas procura não gastar todo o benefício nas refeições fora de casa. “Às vezes compro com o ticket, às vezes no dinheiro, porque o ticket você deixa para fazer a compra em casa", disse.
Do outro lado da conta está quem tenta passar a manhã no Centro gastando o mínimo possível. Anézia Cassimiro dos Reis, de 72 anos, sai do Bairro Nova Lima de segunda a sexta-feira para evangelizar na Praça Ary Coelho. Fica no local das 7h às 11h e leva água e bolacha na bolsa.
A aposentada não paga passagem porque utiliza a gratuidade destinada aos idosos. Quando precisa comer antes de voltar para casa, procura opções mais baratas. “Comprar aqui é caro. Às vezes compro chipa da senhora ali, que vende para mim a R$ 6. Eu sou aposentada e não dá para gastar muito”, relata.
Se também almoçar, Anézia procura refeições por cerca de R$ 15. Assim, chipa e almoço somam pouco mais de R$ 20. Ela diz que prefere esperar para comer em casa e só antecipa a refeição quando começa a sentir tontura.
A diferença de preços permite estratégias como a de Anézia. Enquanto um almoço pode passar de R$ 40, a reportagem encontrou refeições para viagem por menos de R$ 18. O mesmo ocorre com os lanches. Os salgados custam, em geral, entre R$ 7 e R$ 8,50, mas há locais com preços menores.
Foi uma dessas opções que Vitória Rosângela Zauer, de 19 anos, encontrou em sua primeira ida ao Centro. Moradora das Moreninhas há cinco meses, ela saiu para organizar a documentação necessária para começar a trabalhar em um supermercado.
Em aproximadamente seis horas, Vitória calculou ter gasto R$ 50, considerando transporte e alimentação para ela e o amigo Pedro, que a acompanhava. Os dois compraram dois salgados por R$ 7, café por R$ 1 e suco de uva por R$ 1,50.
Para quem passa todos os dias na região, pequenas compras também entram no cálculo. Há nove dias em Campo Grande, a argentina Adriana Gomes, de 57 anos, vende artesanato na Rua 14 de Julho e trabalha de segunda a domingo. Como está hospedada perto dali, não gasta com transporte, mas desembolsa entre R$ 40 e R$ 70 por dia com alimentação.
“Se eu for almoçar, gasto uns R$ 70. Se comer algo mais econômico, consigo gastar R$ 40”, conta. Para reduzir a despesa, Adriana costuma ir ao supermercado e comprar frutas, pão, queijo, presunto, iogurte e leite. “É o mesmo valor de um salgado, mas vem mais quantidade.”

A escolha do que comer depende também das vendas do dia. “Tem dia que você vende R$ 70, tem dia que vende R$ 40 e tem dia que vende R$ 10”, relata. Adriana pretende permanecer por cerca de três meses na Capital e tenta obter a documentação brasileira para conseguir receber pagamentos por Pix.
Para quem chega de carro, o estacionamento pode superar o valor da alimentação. Em um dos locais pesquisados, os primeiros 30 minutos custam R$ 5 e cada meia hora adicional acrescenta outros R$ 5. Uma hora, portanto, custa R$ 10. Para motocicletas, a hora sai por R$ 8. Não há parquímetros em funcionamento no Centro.
O patinete elétrico é outra despesa possível para quem circula pela região. O aluguel é feito por aplicativo, com taxa de R$ 0,99 para desbloqueio e cobrança a partir de R$ 0,33 por minuto. Há ainda plano de 30 minutos por R$ 13.
No fim, o valor depende de como cada pessoa chega e do que consome. Considerando os preços pesquisados, quem paga duas passagens de ônibus, compra um salgado de R$ 8,50, uma água de R$ 4 e almoça um prato feito de R$ 29,99 desembolsa R$ 52,39. Com 30 minutos de patinete, a conta sobe para R$ 65,39.
De carro, oito horas de estacionamento, um salgado, uma água e o mesmo prato feito somam R$ 122,49, sem incluir combustível, café ou outras despesas ao longo do dia.
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