Mato Grosso do Sul já produz mais energia do que usa e esbarra na própria rede
Capacidade de escoamento aparece zerada até 2030, enquanto avanço da fotovoltaica amplia pressão no sistema
Relatório do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) confirma que Mato Grosso do Sul já apresenta sinais de excesso de geração de energia em determinados períodos do dia, cenário que pode levar a restrições operacionais e até cortes na produção, caso a infraestrutura não acompanhe o crescimento do setor.
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Relatório do ONS aponta que Mato Grosso do Sul já apresenta excesso de geração de energia em determinados períodos, com risco de sobrecarga na rede de transmissão e possíveis cortes na produção. O Estado registrou carga líquida negativa de até 906 MW, e a expansão de usinas solares agrava o cenário. Subestações em Ilha Solteira e Dourados estão entre os pontos críticos identificados pelo operador.
De acordo com o documento, o Estado tem registrado saldo exportador, especialmente em horários de menor consumo. “O estado do Mato Grosso do Sul tem apresentado saldo exportador de energia em determinados cenários, especialmente nos períodos diurnos e de menor demanda”.
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A tendência, segundo o operador, é de intensificação desse cenário. “Essa característica de exportação de potência do estado deve ser ainda mais acentuada devido à crescente procura de novos empreendedores de geração, notadamente de usinas fotovoltaicas”.
O crescimento acelerado da geração, porém, já começa a pressionar a infraestrutura. O relatório aponta que, em momentos de excesso de produção, há impacto direto na rede. “Observam-se elevados carregamentos na área elétrica, notadamente em regiões de fronteira com estados vizinhos”.
Um dos pontos críticos identificados é a subestação de Ilha Solteira 2, na divisa com São Paulo, considerada estratégica para o escoamento da energia produzida em Mato Grosso do Sul.
Outro alerta aparece na ligação entre Dourados e o Paraná, onde o operador identifica “risco de sobrecarga, em regime normal de operação e em condições de contingência”, o que reforça a necessidade de obras estruturais para ampliar a capacidade da rede.

O relatório também destaca um fenômeno mais recente e sensível: o avanço da geração distribuída, como sistemas solares em telhados, que já supera o consumo local em determinados momentos do dia. Segundo o documento, há estados, incluindo Mato Grosso do Sul, onde “a geração distribuída já supera de forma consistente a carga atendida nas redes de distribuição”
Na prática, isso significa que o Estado chega a injetar energia no sistema nacional durante o dia. O próprio operador detalha que Mato Grosso do Sul registrou “carga líquida negativa [...] com valores mínimos de até 906 MW”, evidenciando o volume de excedente.
Apesar do ganho em produção, esse cenário traz risco operacional. O ONS alerta que o crescimento da geração distribuída, que não é totalmente controlável, pode provocar desequilíbrio no sistema. “A expansão da geração distribuída [...] pode acarretar desequilíbrio entre carga e geração”.
Em situações mais críticas, o documento indica a possibilidade de intervenção direta. Segundo o relatório, já existem medidas operativas que preveem “o corte manual da geração distribuída [...] mediante solicitação do ONS”.
O cenário reforça o que já foi mostrado em reportagem da Folha de S.Paulo, que mostrou restrições para novas conexões de energia solar em estados como Mato Grosso, Acre e Rondônia, devido à saturação das redes locais.
No caso de Mato Grosso do Sul, os dados indicam que o Estado caminha para uma situação semelhante, mas com um agravante: além da pressão na rede de distribuição, há sinais de limite também na rede de transmissão, responsável por levar a energia para outras regiões.
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