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Economia

Juros sobem, dívida cresce e mais famílias atrasam pagamentos

Taxa média do crédito livre para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano em agosto; inadimplência atingiu 6%

Por José Cândido | 29/09/2026 09:38
Juros sobem, dívida cresce e mais famílias atrasam pagamentos
legenda para foto de notas de dinheiro Notas de dinheiro ilustram o avanço do crédito às famílias, que ficou mais caro em agosto, enquanto a inadimplência também aumentou. (Foto Marcelo Casal Jr/Agência Brasil)

O crédito ficou mais caro para as famílias brasileiras em agosto, mas elas continuaram recorrendo a empréstimos e financiamentos. Ao mesmo tempo, aumentou a parcela de dívidas em atraso. Os dados divulgados nesta terça-feira (29) pelo Banco Central mostram uma pressão crescente sobre o orçamento doméstico.

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O crédito ficou mais caro para as famílias brasileiras em agosto, mas a demanda seguiu em alta, segundo o Banco Central. A taxa média do crédito livre para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano, e o saldo dessas operações atingiu R$ 2,6 trilhões, alta de 10,5% em 12 meses. A inadimplência subiu de 5,8% para 6%, e o comprometimento da renda com dívidas ficou em 28,7%. Para as empresas, os juros recuaram para 24,2% ao ano.

A taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano, alta de 1,4 ponto percentual em relação a julho e de 2,9 pontos em 12 meses. O cartão de crédito rotativo e o parcelado estiveram entre as modalidades que mais pressionaram o indicador. Crédito livre é aquele cujas condições são negociadas entre a instituição financeira e o cliente, sem regras específicas de um programa de financiamento.

Mesmo com os juros mais altos, o saldo dessas operações contratadas por pessoas físicas alcançou R$ 2,6 trilhões, crescimento de 0,8% no mês e de 10,5% em um ano. Segundo o BC, o avanço veio principalmente do financiamento de veículos, do cartão rotativo e do crédito consignado para trabalhadores do setor privado.

O problema aparece com mais força nos pagamentos. A inadimplência das famílias, considerada a carteira total de crédito, subiu de 5,8% em julho para 6% em agosto. Há um ano, estava 1,1 ponto percentual abaixo do nível atual. bcb.gov.br

O endividamento familiar também avançou: chegou a 49,9% em julho, dado mais recente desse indicador. Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas ficou em 28,7%. Em outras palavras, uma parte expressiva do dinheiro que entra em casa já tem destino certo antes das demais despesas do mês.

Para as empresas, o movimento foi diferente. A taxa média do crédito livre recuou para 24,2% ao ano em agosto. O saldo dessas operações caiu 0,6% no mês, para R$ 1,6 trilhão. Consideradas todas as modalidades, o crédito do sistema financeiro somou R$ 7,4 trilhões, dos quais R$ 4,7 trilhões estavam nas operações com famílias.

Os números expõem uma tensão da economia brasileira: o crédito segue crescendo justamente quando custa mais e os atrasos aumentam. Para quem precisa financiar uma compra ou cobrir uma despesa, a taxa anunciada no contrato pesa cada vez mais no orçamento dos meses seguintes.