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Economia

MS vê disparada da inadimplência e famílias passam quase 3 anos no vermelho

Número de negativados cresce acima da média nacional e bancos concentram quase 65% das dívidas no Estado

Por José Cândido | 07/05/2026 10:55
MS vê disparada da inadimplência e famílias passam quase 3 anos no vermelho
Aumento das despesas fixas tem levado consumidores a acumularem contas atrasadas e entrarem no cadastro de inadimplentes.

O endividamento das famílias de Mato Grosso do Sul acelerou e começou a preocupar empresários, lojistas e entidades do comércio. Dados divulgados pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), referentes a abril de 2026, mostram que o número de consumidores inadimplentes no Estado cresceu 10,07% em relação ao mesmo período do ano passado — índice acima da média nacional, de 9,25%, e muito superior ao registrado na região Centro-Oeste, de 6,66%.

RESUMO

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A inadimplência em Mato Grosso do Sul cresceu 10,07% em abril de 2026, acima da média nacional de 9,25%, segundo o SPC Brasil. Cada consumidor acumula em média 2,4 dívidas no valor de R$ 5.994,67, permanecendo 28,4 meses negativado. Bancos respondem por 64,69% das cobranças. A FCDL-MS alerta que 87% dos endividados são reincidentes e defende educação financeira e melhores condições de renegociação.

Na prática, isso significa mais sul-mato-grossenses convivendo com o nome negativado, contas acumuladas e dificuldade para reorganizar o orçamento.

O avanço também aparece na comparação mensal. Entre março e abril deste ano, a inadimplência subiu 1,47% em Mato Grosso do Sul, quase três vezes acima da média regional, indicando que o problema segue em expansão.

Para a presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), Inês Santiago, os números revelam um cenário de desgaste financeiro crescente dentro das famílias.

“São números bastante preocupantes. Tivemos um aumento de mais de 10% no número de endividados nas famílias sul-mato-grossenses, acima da média nacional e muito acima da média do Centro-Oeste”, afirma.

Dívidas maiores e mais longas

O tamanho da inadimplência também chama atenção. O volume de dívidas em atraso cresceu 20,84% em um ano, superando novamente os índices nacional e regional.

Hoje, cada consumidor inadimplente acumula, em média, 2,4 dívidas, com valor médio de R$ 5.994,67 — cifra considerada alta diante da renda média do trabalhador sul-mato-grossense.

Além disso, o tempo de permanência no vermelho mostra que sair da inadimplência virou uma tarefa cada vez mais difícil. Em média, os consumidores passam 28,4 meses com dívidas em aberto. Mais de um terço permanece negativado entre um e três anos.

“Cada consumidor tem, em média, 2,4 dívidas e cada uma delas gira em torno de R$ 5,9 mil, valor muito acima da média salarial do trabalhador em Mato Grosso do Sul. Isso mostra o tamanho da dificuldade enfrentada pelas famílias”, pontua Inês Santiago.

Ciclo da inadimplência

O levantamento do SPC Brasil aponta ainda que o endividamento deixou de ser um problema passageiro para muitos consumidores.

Em abril, 87,62% das negativações foram de consumidores reincidentes — pessoas que já haviam enfrentado restrições de crédito nos últimos 12 meses. O número de reincidentes cresceu 11,85% no acumulado de um ano.

Ao mesmo tempo, caiu a quantidade de consumidores que conseguiram quitar dívidas. A recuperação de crédito recuou 7,84% nos últimos 12 meses, desempenho pior que o registrado nacionalmente.

Na avaliação da FCDL-MS, isso mostra que os programas de renegociação acabam funcionando apenas como alívio temporário.

“Hoje, 87% dos endividados voltaram para o banco de negativação. Isso mostra que os programas acabam atacando o efeito, mas não a causa do problema. O consumidor até sai da inadimplência, mas volta rapidamente porque o ambiente econômico continua difícil, o crédito continua caro e a carga tributária segue pesada”, afirma a presidente da entidade.

Bancos lideram cobranças

A faixa etária mais afetada pela inadimplência em Mato Grosso do Sul é a de 30 a 39 anos, responsável por cerca de um quarto dos consumidores negativados. A divisão entre homens e mulheres é praticamente equilibrada, com leve predominância masculina.

Entre os setores credores, os bancos aparecem isolados na liderança: 64,69% das dívidas em atraso estão ligadas ao sistema financeiro.

Diante do avanço da inadimplência, a FCDL-MS defende medidas voltadas à educação financeira, ampliação das condições de renegociação e políticas econômicas que permitam às famílias recuperar o poder de compra e reorganizar as contas.