Após sete anos, qualidade do ensino estadual supera resultado pré-pandemia
Cerca de 90% dos estudantes fizeram as provas, inclusive nas escolas indígenas

A Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul superou, em 2025, os resultados registrados antes da pandemia e avançou nas três etapas da educação básica. Segundo o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, cerca de 90% dos estudantes participaram da avaliação, com aplicação das provas em todas as escolas, inclusive nas unidades indígenas.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul avançou nas três etapas da educação básica no Ideb 2025, superando pela primeira vez os resultados pré-pandemia. Nos anos iniciais, a nota foi de 5,4 para 5,7; nos finais, de 4,6 para 4,9; e no ensino médio, de 3,8 para 4,2. Cerca de 90% dos estudantes participaram, incluindo alunos de escolas indígenas. A taxa de abandono caiu para 0,1%, mas a matemática no ensino médio segue como principal desafio.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, a nota passou de 5,4, em 2023, para 5,7 em 2025. Nos anos finais, subiu de 4,6 para 4,9. Já no ensino médio, etapa apontada pela SED (Secretaria de Estado de Educação) como o principal desafio da rede, o indicador avançou de 3,8 para 4,2.
- Leia Também
- Escolas particulares de Campo Grande têm notas entre 5,5 e 8,3
- Entre escolas com nota divulgada, 3 estaduais lideram o Ensino Médio na Capital
Os números fazem parte do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), calculado com base na aprovação dos alunos e no desempenho nas provas de Língua Portuguesa e Matemática.
Durante entrevista coletiva, Daher afirmou que esta foi a primeira edição em que a rede estadual conseguiu superar os índices de 2019, último levantamento realizado antes da pandemia.
“Somente agora, em 2025, a gente superou as médias pré-pandemia”, declarou. Segundo ele, a recuperação ocorreu aproximadamente sete anos depois do início da crise sanitária, período marcado pela queda da aprendizagem em todo o País.

Participação ampliada - O secretário destacou que aproximadamente 90% dos estudantes da rede fizeram as provas. Até anos anteriores, conforme Daher, a participação ficava abaixo de 30%, o que permitia que apenas grupos menores e, potencialmente, com melhor desempenho fossem avaliados.
“Nós tínhamos esse caminho para adotar ou expandir muito a nossa base de alunos avaliados. Foi a opção que tivemos, mesmo sabendo que isso afetaria o resultado final”, afirmou.
Segundo Daher, todas as escolas estaduais participaram da avaliação, incluindo unidades indígenas e de regiões consideradas mais vulneráveis. “Aqui em Mato Grosso do Sul, a gente opta por colocar todas as escolas para fazerem a prova. A gente não deixa ninguém para trás, inclusive na política de avaliação da rede”, disse.
O secretário argumentou que a participação mais ampla fornece um retrato mais fiel da educação estadual, ainda que possa reduzir a nota média. Para ele, o índice deve funcionar como diagnóstico, e não apenas como instrumento de divulgação de resultados positivos.
“É uma opção do gestor público se ele quer usar o Ideb como instrumento de real avaliação da rede ou como instrumento político de resultado”, afirmou.
Aprovação cresce - A taxa de aprovação também aumentou em todas as etapas. Nos anos iniciais, passou de 94% para 95,5%. Nos anos finais, avançou de 93,2% para 96,9%. No ensino médio, o salto foi maior, de 84,9% para 93,5%.
Daher atribuiu parte do resultado às ações de recuperação paralela e ao acompanhamento dos alunos com baixo rendimento ou excesso de faltas.
“O aluno não reprova em dezembro. Ele começa a reprovar em março”, afirmou. Segundo o secretário, a rede passou a identificar estudantes com dificuldades ao longo do ano e criou períodos específicos de reforço escolar.
Ele também informou que a taxa de abandono, que anteriormente superava 1%, caiu para 0,1%. “O estudante deixou de desistir da escola”, declarou.
Matemática ainda preocupa - Os resultados das provas também apresentaram avanço. Nos anos iniciais, a pontuação em Língua Portuguesa passou de 202,8 para 207,6, enquanto Matemática subiu de 212,7 para 220,3.
Nos anos finais, Português avançou de 249,7 para 252,2, e Matemática passou de 245,7 para 250,7.
No ensino médio, a evolução foi menor. A pontuação em Língua Portuguesa subiu de 270 para 272, enquanto Matemática passou de 265,2 para 265,8.
Daher reconheceu que o desempenho matemático dos estudantes do ensino médio continua sendo um dos principais problemas da rede. “A matemática é um grande desafio para nós. É um drama nacional, porque os alunos do ensino médio têm muita dificuldade”, afirmou.
Por fim, o secretário avalia que o próximo ciclo de avaliação pretende manter o ritmo de crescimento do ensino médio. A nota da rede estadual passou de 3,8, em 2023, para 4,2 em 2025, e a meta citada pelo secretário é chegar a pelo menos 4,6. Ele admitiu que não esperava alcançar o resultado atual após ampliar de cerca de 30% para 90% a participação dos estudantes nas provas.
“Eu confesso que achei que a gente não chegaria a 4,2 neste momento”, disse. Segundo ele, os resultados serão analisados para identificar as principais dificuldades de aprendizagem e orientar a formação de professores e novas intervenções pedagógicas.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.

