Da casa de sapé aos 70 anos de amor, Lourdes e João seguem juntos
Aos 89 e 85 anos, produtores rurais construíram família e vida lado a lado em Rio Verde de Mato Grosso
Aos 89 anos, João Ramos Nogueira não precisa pensar muito quando o neto pergunta quando ele se casou com Lourdes Leão Nogueira, hoje com 85. “26 de setembro de 56”, responde.
RESUMO
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Neste mês, a data completa 70 anos. São as chamadas bodas de vinho e uma vida inteira compartilhada pelo casal, que mora na região do Lajeado, em Rio Verde de Mato Grosso.
A história começou bem diferente dos casamentos de hoje. Não teve grande festa, decoração ou uma multidão de convidados. João conta que, naquele primeiro momento, os dois oficializaram a união apenas no cartório.
Chegar até lá também exigiu ajuda. A distância era grande e o transporte, bem mais difícil. João recorda até o nome de quem dirigiu a caminhonete usada na viagem. “O motorista chamava Cândido”, conta João.
A cerimônia religiosa viria depois. Décadas mais tarde, quando João e Lourdes completaram 50 anos de casamento, a união voltou a ser celebrada em uma festa.

Mas a história dos dois foi construída principalmente longe das cerimônias. Depois de se casarem, passaram por propriedades rurais da região até chegarem ao lugar onde formariam a família e construiriam a própria casa.
Naquela época, segundo João, a divisão dos municípios era muito diferente da atual. Lugares hoje conhecidos como São Gabriel do Oeste, Bandeirantes e Jaraguari ainda não tinham a configuração atual, e a família vivia em uma região que pertencia ao município de Rochedo.
Até resolver as obrigações do campo era uma viagem. “A gente ia pagar os impostos tudo lá, Rochedo. Ia a cavalo”, recorda.
Foi nesse cenário que João e Lourdes criaram os filhos e trabalharam como produtores rurais. A casa onde começaram também acompanhou as mudanças da família.
João conta que ergueu uma construção simples. “É casa de sapé de duas águas só. Só duas águas.”
Havia poucos cômodos. A cozinha, por exemplo, funcionava em uma varanda. “Era varanda de sapé. Não tinha telha na época, né?”, conta João.
Com o passar dos anos, a casa foi sendo transformada e ampliada. Partes da construção antiga também ganharam novas funções na propriedade. Enquanto a estrutura mudava, João e Lourdes permaneceram juntos, atravessando mudanças na região, a criação dos filhos e também perdas familiares.
Uma delas ainda aparece nas lembranças de João. Uma das filhas do casal morreu ainda pequena, quando a família já vivia na região. O relato vem acompanhado das dificuldades daquele período, quando até conseguir transporte para atendimento médico era complicado.
Sete décadas depois daquele casamento simples de 1956, muita coisa ao redor mudou. Municípios nasceram, estradas chegaram e a antiga casa de sapé ganhou outra forma. João e Lourdes, porém, continuam no campo onde construíram boa parte dessa história.
Para o neto Anderson Holsback, ter a chance de ver esses momentos dos avós é motivo de celebração. "É uma dádiva, um presentão de Deus. Nossa família é muito abençoada", finaliza.

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