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Cezário não aparece para depor, mas diz que R$ 800 mil apreendidos são economias

“Situação dele é péssima”, admite advogado; cliente optou por silêncio em dia de interrogatórios no Gaeco

Por Anahi Zurutuza e Ana Beatriz Rodrigues | 28/05/2024 14:36
André Borges, o advogado de Francisco Cezário de Oliveira, na chegada ao Gaeco, na tarde desta terça-feira (28) (Foto: Alex Machado)
André Borges, o advogado de Francisco Cezário de Oliveira, na chegada ao Gaeco, na tarde desta terça-feira (28) (Foto: Alex Machado)

O presidente afastado da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul, Francisco Cezário de Oliveira, de 77 anos, optou por exercer o direito ao silêncio e nem será levado do Presídio Militar de Campo Grande à sede do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) para interrogatório. De acordo com o advogado André Borges, a situação do cliente “é péssima”.

O Cezário não vai comparecer hoje aqui. Isso já foi informado [ao Gaeco] agora de manhã. Nesta oportunidade, ele vai se valer do direito constitucional ao silêncio. Porque ele está preso, a situação dele é péssima nesse momento. Ele tem dificuldades em reunir documentação, apresentar testemunhas. Ele prefere então que, assim que for apresentada a denúncia, especialmente ele estando em liberdade, vai apresentar toda a sua defesa, com documentação, com justificativas para cada um dos itens que serão objeto da acusação”, afirmou André Borges.

O responsável pela defesa de Cezário afirmou ainda que apesar de fragilizado com a prisão, o cliente acredita que conseguirá provar sua inocência.“Ele nega ter praticado qualquer crime e diz ter plenas condições de apresentar as provas a respeito disso. Ele é advogado. Então, nessas poucas conversas que eu tive com ele até agora, ele se demonstra confiante de que poderá apresentar justificativas válidas até agora para essas suspeitas”.

O advogado nega que o pedido de licença do cargo de presidente da FFMS seja um “atestado de culpa”. “Ele está preso. A situação dele é péssima, no atual momento, assim como dos demais presos, e ele não tem qualquer condições, evidentemente, de continuar preso exercer a liderança junto à Federação de Futebol”.

O defensor afirmou ainda que está trabalhando para que Cezário possa responder ao inquérito e depois, ação penal, fora da cadeia. “Está em análise pelo Judiciário um pedido de liberdade para Francisco Cezário e para todos os demais presos. Como essa situação é urgente, nós acreditamos que hoje, no mais tardar amanhã, nós teremos uma decisão da Justiça”.

Por fim, André Borges comentou que o presidente da FFMS, também no futuro, explicará porque guardava R$ 800 mil em espécie em casa, e não numa conta bancária, aplicações ou poupança. “Fruto do trabalho dele, de economias particulares. Não é crime pela legislação brasileira manter dinheiro guardado em casa. Ele se compromete de apresentar provas de que esse dinheiro é fruto de atividade lícita, no momento oportuno, porque agora ele não tem como provar nada, está preso”.

Pablo Buarque Gusmão, advogado, conversa com o cliente, Rudson Bogarim Barbosa (Foto: Alex Machado)
Pablo Buarque Gusmão, advogado, conversa com o cliente, Rudson Bogarim Barbosa (Foto: Alex Machado)

Depoimentos – Investigados na Operação Cartão Vermelho, presos ou não, foram convocados para depor no Gaeco nesta terça-feira (28). O interrogatório de Cezário, acusado de liderar esquema de desvios milionários do dinheiro do futebol sul-mato-grossense, estava marcado para às 14h15.

Ao todo, sete pessoas foram presas. A lista tem Aparecido Alves Pereira, Francisco Cezário de Oliveira, Francisco Carlos Pereira, Marcelo Mitsuo Elzoe Pereira, Umberto Alves Pereira, Valdir Alves Pereira e Rudson Bogarim Barbosa.

Estão no Gaeco para depor nesta tarde: Francisco, que é irmão de Umberto, Valdir e Aparecido – sobrinhos de Cezário apontados como integrantes do esquema – e Rudson Bogarim Barbosa, gerente de TI (Tecnologia de Informação) da federação. "Beto" e o filho dele, Marcelo Mitsuo Pereira, também foram levados para interrogatório.

Contraditório – Advogado de Francisco Carlos, Aaran Rodrigues, afirma que aguarda apreciação do pedido de revogação da prisão preventiva feito em favor do cliente e por enquanto, não vai se manifestar.

Já a defesa de Rudson pede a substituição da prisão preventiva (por tempo indeterminado) por medidas cautelares, como o monitoramento por tornozeleira eletrônica do cliente. O pedido foi formulado pelos advogados Pablo Buarque Gusmão e Renato Cavalcante Franco na semana passada.

“Nem tudo aquilo que é asseverado pelo órgão acusador, caracteriza verdade irrefutável, tratando-se de opinião unilateral de quem conduz procedimento investigatório e que padece da necessária submissão ao contraditório, um dos pilares norteadores do sistema processual penal”, também informou a defesa do gerente de TI em nota enviada à imprensa.

Nesta terça-feira (28), Gusmão informou que o cliente também ficará em silêncio em frente aos promotores do Gaeco. “Nesse momento, o meu cliente vai permanecer em silêncio, tendo em vista que nós não conseguimos habilitação em todos os procedimentos ainda”.

Explicou ainda que a relação de Rudson com Cezário é estritamente profissional.

À esquerda, Umberto Alves Pereira conversa com o advogado Guilherme Delmondes, também defensor do filho de Beto, Marcelo Mitsuo Elzoe Pereira (Foto: Alex Machado)
À esquerda, Umberto Alves Pereira conversa com o advogado Guilherme Delmondes, também defensor do filho de Beto, Marcelo Mitsuo Elzoe Pereira (Foto: Alex Machado)

Cartão Vermelho – A Operação do Gaeco apura desvio de R$ 6 milhões na FFMS, que recebe recursos do governo estadual e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

De acordo com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a ofensiva desbaratou organização criminosa voltada à prática de peculato e delitos correlatos na federação que comanda o futebol no Estado. Foram 20 meses de investigação.

“Uma das formas de desvio era a realização de frequentes saques em espécie de contas bancárias da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul – FFMS, em valores não superiores a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para não alertarem os órgãos de controle, que depois eram divididos entre os integrantes do esquema”, informa a nota da promotoria.

Nessa modalidade, verificou-se que os integrantes da organização criminosa realizaram mais de 1.200 saques, que ultrapassaram o total de R$ 3 milhões.

A organização criminosa também contava com esquema de desvio de diárias dos hotéis pagos pelo Estado de MS em jogos do Campeonato Estadual de Futebol. O esquema de peculato tinha “cashback”, numa devolução criminosa de valores.

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