De "coração dividido", haitianos de Campo Grande aguardam duelo contra o Brasil
A expectativa para a partida é grande já que o Haiti retorna à Copa do Mundo após 52 anos

A confirmação do Haiti na Copa do Mundo de 2026 trouxe um sentimento especial para a comunidade haitiana que vive em Campo Grande.
RESUMO
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A confirmacao do Haiti na Copa do Mundo de 2026 gerou grande entusiasmo na comunidade haitiana de Campo Grande. A selecao caribenha retorna ao torneio apos 52 anos para enfrentar justamente o Brasil, pais que acolheu milhares de imigrantes. O presidente da associacao local, Junel Ilora, destaca o sentimento de coracao dividido e a gratidao pela ajuda brasileira pos terremoto de 2010. O evento sera celebrado com um encontro especial para prestigiar destaques como o artilheiro Duckens Nazon.
Pela primeira vez em mais de cinco décadas, a seleção caribenha voltará a disputar o principal torneio do futebol mundial e, para tornar o momento ainda mais marcante, terá pela frente justamente o Brasil, país que se tornou uma segunda casa para milhares de haitianos.
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A partida entre as equipes acontece hoje (19), às 20h30 (de Mato Grosso do Sul) no Estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia.
Para o presidente da Associação Haitiana-Brasileira em Campo Grande, professor e intérprete de idiomas Junel Ilora, de 38 anos, a partida representa um acontecimento histórico e carregado de emoção.
“Todos os haitianos no país estão se sentindo de coração dividido, porque o povo sempre torce pela seleção brasileira. Esse jogo é histórico para nós e nós vamos ganhar duas vezes. Não tem como perder”, afirmou.
A expectativa se justifica pelo fato de que o Haiti retorna à Copa do Mundo após 52 anos. A única participação da seleção haitiana havia sido em 1974. Agora, em 2026, a equipe volta ao cenário mundial justamente para enfrentar a seleção que sempre recebeu a torcida dos haitianos.
Segundo Junel, a paixão pelo Brasil acompanha gerações no Haiti. Durante as Copas do Mundo, famílias inteiras se reúnem no país com vizinhos para assistir aos jogos da seleção brasileira em telões espalhados pelas comunidades. Além disso, passeatas e motociatas costumam tomar as ruas para celebrar as partidas do Brasil.

Entre os jogadores mais admirados pelos haitianos está o atacante Duckens Nazon, de 32 anos, considerado por muitos o “Neymar do Haiti”. Ele é o maior artilheiro da história da seleção haitiana, com 44 gols marcados. Outros destaques da equipe são o atacante Wilson Isidor, de 25 anos, atualmente no Sunderland, da Inglaterra, e o experiente goleiro Johnny Placide, de 38 anos, que atua no futebol francês.
A ligação entre os dois países, porém, vai muito além do futebol. Junel lembra que o relacionamento entre Brasil e Haiti foi fortalecido especialmente após o terremoto de janeiro de 2010, que devastou o país caribenho.
“Naquele momento, o Brasil chegou com médicos, militares, medicamentos, comida e apoio. É uma coisa inesquecível para o povo haitiano”, recordou.
O próprio Junel teve sua vida transformada após a tragédia. Ele perdeu cerca de nove familiares no terremoto e decidiu buscar uma nova oportunidade no Brasil por meio do visto humanitário oferecido pelo governo brasileiro.
A chegada a Campo Grande aconteceu por acaso. Inicialmente, o haitiano pretendia seguir para São Paulo ou Rio de Janeiro, mas o dinheiro disponível só permitia a viagem até Campo Grande.
“Perguntei se Campo Grande era perto de São Paulo e me disseram que era pertinho. Quando cheguei aqui, gostei da acolhida do povo e fiquei. Hoje não troco Campo Grande nem Mato Grosso do Sul por outro lugar”, contou.

Atualmente, segundo ele, cerca de dois mil haitianos vivem em Campo Grande. A maioria trabalha na construção civil, enquanto outros atuam como motoristas de aplicativo, motoboys, professores e em diversos setores da rede hoteleira. A comunidade também cresce com novas famílias formadas na cidade.
Para celebrar o momento histórico, a Associação Haitiana-Brasileira vai organizar hoje um encontro especial da comunidade durante a partida entre Brasil e Haiti na Copa do Mundo.
“Vamos reunir quem puder participar, chamar filhos, esposas, amigos brasileiros e marcar esse momento. Talvez ele nunca se repita. Por isso queremos aproveitar e vibrar juntos”, afirmou Junel.
Os haitianos de Campo Grande se preparam para viver uma experiência especial. Quando a partida começar, o resultado não será o mais importante e dará lugar à celebração. A maior vitória já está garantida: ver Haiti e Brasil dividindo o mesmo gramado em uma Copa do Mundo.

