Companheiro de Oscar nas Olimpíadas de 1996, Janjão lamenta: “perdemos um ídolo”
Ex-atleta de MS relembra 8 anos ao lado do “Mão Santa” na Seleção e em clubes no Brasil e no exterior

O basquete brasileiro perdeu nesta sexta-feira (17) o seu maior ícone. Oscar Schmidt, conhecido como “Mão Santa”, morreu aos 68 anos, em São Paulo, após longa luta contra um câncer no cérebro, diagnosticado em 2011.
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O basquete brasileiro perdeu Oscar Schmidt, o Mao Santa, que faleceu aos 68 anos em Sao Paulo apos lutar contra um cancer no cerebro desde 2011. Idolo mundial e membro do Hall da Fama, o atleta conquistou o ouro no Pan-Americano de 1987 e detem o recorde de pontos em Olimpíadas. Ex-companheiros, como o sul-mato-grossense Janjao, destacaram sua dedicacao extraordinária e competitividade. Oscar deixou um grande legado social e esportivo, sendo referencia de determinacao dentro e fora das quadras.
Ídolo histórico do esporte, Oscar construiu uma carreira marcada por recordes, títulos e reconhecimento internacional. Entre suas maiores conquistas está o ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, além de três títulos sul-americanos, um Mundial de Clubes (1979) e a inclusão no Hall da Fama do Basquete, em 2013.
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Ex-companheiro de seleção, o campo-grandense Joélcio Joerke, o Janjão, lamentou profundamente a morte do ícone e relembrou momentos marcantes ao lado do atleta.
“Muito triste. Ele estava com um problema de saúde, um tumor no cérebro, e nesses últimos anos lutava contra a doença. Dentro da quadra, todo mundo acompanhou a carreira dele. Ele é um patrimônio nacional do basquete”, afirmou.
Referência do basquete em Mato Grosso do Sul, Janjão integrou a seleção brasileira entre 1994 e 2004 e conviveu diretamente com Oscar por oito anos, além de ter jogado ao lado do ídolo por duas temporadas no Flamengo. Segundo ele, a dedicação do “Mão Santa” era incomparável.
“Dentro da quadra, ele era exemplo de conduta, extremamente competitivo. Teve uma vez contra a Argentina que ele não foi bem. O jogo terminou por volta das 22h, e depois ele sumiu. Quando fomos ver, ele estava sozinho na quadra treinando arremessos”, relembrou.
A convivência também deixou lições fora das quadras. “O Oscar nos deixou muitos ensinamentos para a vida pessoal, como amor ao esporte e determinação. Ele sempre dizia que a última bola tinha que estar na mão dele, porque treinava mais que todo mundo”, destacou.
Durante a trajetória na seleção, Janjão participou ao lado de Oscar dos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, última participação do ídolo na competição. Na ocasião, o Brasil terminou em sexto lugar, com Oscar sendo o cestinha do torneio e encerrando sua história olímpica com 1.093 pontos, recorde histórico.
“Queríamos deixar um bom resultado para o fim do ciclo dele. Viajamos o mundo juntos, e ainda joguei com ele no Flamengo e em um clube na Itália onde ele também atuou. Era um ídolo em qualquer lugar, um exemplo dentro e fora de quadra”, afirmou.
Janjão também recorda momentos vividos em Mato Grosso do Sul, como um amistoso em Campo Grande antes da Olimpíadas de 1996, contra uma equipe universitária dos Estados Unidos.

Fora das grandes competições, Oscar também deixou legado no Estado. Em 2007, visitou o município de Ponta Porã e apoiou um projeto social de basquete com jovens atletas em quadra de terra, tornando-se padrinho da iniciativa que mais tarde se consolidaria como referência local.
Na cidade, Oscar Schmidt inaugurou uma quadra de basquete que um projeto social ainda usa até hoje para ensinar a modalidade a jovens estudantes.
Sua última passagem por Mato Grosso do Sul ocorreu em 2022, quando esteve em Campo Grande para o lançamento de um programa do Sistema Famasul e visitou o Bioparque Pantanal.
Para Janjão, a perda é irreparável. “A gente que gosta do esporte sente muito. Perdemos um grande ídolo. Eu levo comigo até hoje os ensinamentos e valores que aprendi com ele. É muito triste, ainda mais sabendo que ele era uma pessoa carismática, com quem todos se identificavam”, concluiu.

