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Na Íntegra

Adoção ainda esbarra em idade, saúde e no medo dos adultos

Juíza aponta o desafio de humanizar a permanência em abrigo ao divulgar o tema no Mês da Adoção

Por Maristela Brunetto | 07/05/2026 16:07

 

RESUMO

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Crianças pequenas encontram pretendentes rapidamente para adoção, mas adolescentes e aquelas com problemas de saúde aguardam mais tempo em abrigos, sofrendo prejuízos no desenvolvimento neurológico de quatro meses a cada ano de acolhimento. Em Campo Grande, cerca de 200 crianças esperam por um lar. A juíza Katy Braun alertou para a necessidade de mais famílias acolhedoras e destacou o Projeto Padrinho como forma de apoio. Uma caminhada ocorre no dia 24, saindo do Bioparque Pantanal às 8h.

As crianças mais novas ficam muito pouco na “fila de espera” por adoção, enquanto as que têm algum problema de saúde ou os adolescentes já precisam conviver com uma permanência mais longa em abrigos. A colocação por si só de uma criança nessa condição já prejudica sua vida; a cada ano de acolhimento, há perda de 4 meses no desenvolvimento neurológico. A juíza da Infância, do Adolescente e do Idoso de Campo Grande e presidente da Abraminj (Associação Brasileira de Magistrados da Infância e da Juventude), Katy Braun do Prado, conversou com o podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, e apontou o desafio de acelerar o encontro entre pessoas inscritas no cadastro nacional e os filhos que esperam novos pais.

No próximo dia 25, o Dia da Adoção reforça o debate ao longo do mês. Falar sobre adoção ajuda a dar visibilidade às várias camadas de um assunto tão delicado: de um lado, crianças e adolescentes que foram retirados do poder familiar por negligência ou violência, na maioria dos casos, e, de outro, adultos que querem adotar. Na Capital, há cerca de 200 crianças e adolescentes “na fila” por um lar.

Nós temos crianças de todas as idades que precisam de família. As pequenas, no dia em que entram no sistema já encontram pretendentes.



Katy Braun menciona que houve casos de crianças que apresentavam indicativos de transtornos, situação que afasta o interesse de muitos pais pretendentes, mas que após adotadas o cenário mudou, afastando a hipótese de algum problema. Ela atribui esse desfecho ao afeto e à importância do convívio familiar para o bem-estar das crianças e adolescentes.

A exemplo da fila de transplantes, há um cadastro nacional, mas a Justiça prioriza encontrar primeiro uma família na própria cidade ou estado onde a criança vive. Sem a possibilidade, a busca avança pelo país e, em último caso, pro exterior.



A juíza revela preocupação com a permanência mais longa de jovens e até crianças adoentadas em abrigos. São 14 na cidade, sendo 10 conveniados ao Município e 4 da própria prefeitura. A magistrada aponta a necessidade de melhor estrutura e pessoal em 3 deles, lamentando a rotatividade de funcionários.

Cada ano de acolhimento gera perda de 4 meses no desenvolvimento neurológico de uma criança

 As pessoas que se sensibilizam com a situação das crianças podem ajudar na rotina delas nos abrigos, seja com suporte material, para consultas, estudos, ou ainda levá-las para atividades culturais ou mesmo oferecer acolhimento aos finais de semana, para que tenham uma vivência familiar. A equipe do Projeto Padrinho, conduzido pelo Poder Judiciário, identifica o interesse de quem procura o projeto e a forma como cada um pode contribuir.

Serviços psicológicos são prestados por meio de uma parceria com o projeto.



Há ainda a possibilidade de colocar as crianças em famílias acolhedoras, preparadas para cuidar delas e que são remuneradas. Na Capital há somente 10, quando o ideal seria chegar a cerca de 50, atendendo uma estimativa desejada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Ao longo da entrevista ao podcast, Katy Braun ainda falou sobre a preparação das pessoas que querem adotar e sobre o projeto Dar a Luz, que apoia gestantes que querem entregar o bebê para adoção. Ela explicou que cerca de metade desiste da decisão quando se aproxima a chegada do bebê. Ela ainda contou como a Justiça tenta encaminhar famílias com vários irmãos para novas famílias e disse que a voz das crianças é determinante para a solução.

Caminhada pela adoção- No dia 24, o TJMS promoverá uma caminhada para mobilizar as pessoas em torno do tema da adoção. Ela sairá às 8h da frente do Bioparque Pantanal com previsão de um percurso de cerca de 2,7 quilômetros.

Para quem se interessou em saber como ajudar o Projeto Padrinho, o telefone é o 3317.3512. Os interessados também podem procurar atendimento no Fórum de Campo Grande.