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Arquitetura

Bolicho na frente de casa moderna é lembrança com mais de 50 anos

No mesmo terreno, casinha de madeira caindo aos pedaços é restinho da lembrança da mercearia da família

Por Bárbara Cavalcanti | 30/11/2021 06:30
Casinha de madeira antiga é contraste com construção moderna nos fundos. (Foto: Kísie Ainoã)
Casinha de madeira antiga é contraste com construção moderna nos fundos. (Foto: Kísie Ainoã)

Na Vila Marcos Roberto, existe uma casinha de madeira caindo aos pedaços que teima em ficar em pé. Nos fundos, um projeto moderno é o contraste que chama atenção de quem passa.

A maior curiosidade é porque até hoje, a memória continua ali. Na década de 70, o endereço era de um bolicho que pertencia à família dona do terreno. Hoje, o telhado praticamente não existe do lado esquerdo, mas as portas seguem originais, todas quebradas.

Hoje, quem vive no local é a professora Camila Rodrigues Farias, de 36 anos, com a mãe, a comerciante Abadia Cristina da Silva, de 59 anos. “Antes, aqui eram três peças: duas casinhas de madeira no fundo e o bolicho na frente”, comenta Abadia. O terreno pertence à família do motorista e pai de Camila, Francisco Rodrigues Faria, de 58 anos, que hoje já não mora na mesma casa.

Seu Francisco décadas atrás em frente ao bolicho. (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo Pessoal)
Seu Francisco décadas atrás em frente ao bolicho. (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo Pessoal)

Dona Dalva Francisca de Jesus Farias, mãe de Francisco, era comerciante e comprou o bolicho que já existia sabe-se lá há quanto tempo. “Mais ou menos na década de 70, eu, minhas irmãs e minha mãe fomos morar aí. Ela [a mãe] comprou o prédio e a gente tocou o comércio por um tempo”, lembra Francisco. De acordo com ele, a casinha passou por algumas reformas. A cor ainda é a original.

Dona Dalva ao centro, rodeada de netos na lateral do bolicho. (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo Pessoal)
Dona Dalva ao centro, rodeada de netos na lateral do bolicho. (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo Pessoal)

Nas casas dos fundos, era onde moravam os filhos de dona Dalva. Francisco e Abadia, quando ainda eram casados e chegaram a tocar o bolicho também.

Por fim, décadas depois, cada um tomou seu rumo até que por fim, só restaram Camila e Abadia. As casinhas nos fundos foram demolidas e deram espaço à casa de alvenaria, mais moderna. Camila, que gosta de fazer trabalhos artesanais em madeira, pegou pedaços da casa antiga e usou como decoração.

Vitral decorado com madeiras que antes eram da casa antiga. (Foto: Kísie Ainoã)
Vitral decorado com madeiras que antes eram da casa antiga. (Foto: Kísie Ainoã)
Casa aos fundos tem construção nova e moderna. (Foto: Kísie Ainoã)
Casa aos fundos tem construção nova e moderna. (Foto: Kísie Ainoã)

“A gente pensou nessas pequenas coisas juntas. Assim, tem pedaços da antiga casa ainda por aqui. E aos poucos, a gente vai fazendo tudo”, ressalta Camila.

Hoje, o bolicho na frente da casa serve como oficina e quarto da bagunça. Por pouco não foi demolida. Estava nos planos, mas veio a pandemia. Mesmo assim, é projeto para os próximos anos tirar a velha casa do cenário do bairro, após décadas. Do que fica do bolicho, são apenas as fotos e as lembranças.

“A Camila quando era pequenininha, gostava de pegar os ovos que estavam pra venda e derrubar no chão. Ela pegava um por um e derrubava, o pai dela ficava bravo”, lembra Abadia.

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