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Campo Grande, Sábado, 20 de Outubro de 2018

23/04/2018 06:30

No apartamento de mãe e filhas, grafite lembra Berlim e cadeira tem 100 anos

Em Campo Grande, o lugar mistura a tendência já consolidada da estética industrial urbana, com os móveis antigos garimpados pela família

Thaís Pimenta
Grafite remete à uma viagem que fizeram a Berlim. (Foto: Fellipe Lima)Grafite remete à uma viagem que fizeram a Berlim. (Foto: Fellipe Lima)

Assinado pela designer de interiores Cristianne Alves e pela arquiteta Karen Nasser Cantero, o apartamento de 97m² em Campo Grande é morada de três mulheres, mãe Cynthia Duailibi e as filhas Betina e Jamile. O lugar mistura a tendência já consolidada da estética industrial urbana, com os móveis antigos garimpados pela família sem perder a funcionalidade que um lar precisa ter para ser confortável. 

Com almas viajantes, o urbano sempre foi o estilo preferido delas e, pensando nisso, Cynthia sugeriu que as profissionais começassem a pensar no projeto por esse ponto. Tanto é que um dos destaques da sala do apartamento é o grafite feito por Rafael Mareco, com referências a uma arte de rua que as três viram durante viagem para Berlim. No desenho, dois astronautas vagam no espaço, com um buraco negro ao fundo.

Outro detalhe que se tornou quase uma obra prima da área comum é a cadeira de barbeiro de mais de cem anos, restaurada, e garimpada em um sebo em São Paulo. De acordo com a filha Jamile, de 18 anos, era uma peça que estava esquecida em um canto na casa onde moravam anteriormente. "Acho que porque não tinha nada a ver com o estilo de lá. Aqui, ela ganhou outro status e mesmo sendo da época do Brasil Ímperio, eu acho, combinou super", diz.

Visão ampla que se tem da sala entrando pela porta principal do apartamento, com a cadeira de barbeiro à direita. (Foto: Fellipe Lima)Visão ampla que se tem da sala entrando pela porta principal do apartamento, com a cadeira de barbeiro à direita. (Foto: Fellipe Lima)

O que faz esses espaços ganharem tamanha importância na sala é a iluminação, estrategicamente pensada para criar cenas dentro do apartamento. De forma direta ou indireta, foram criados pequenos ambientes dentro da sala, como o cantinho de leitura na cadeira garimpada, ao lado da estante de madeira de demolição, com uma luz vinda do teto e uma luminária de piso com iluminação indireta.

Atrás da televisão e em volta do balcão integrado com a cozinha, filetas de LED azul combinam com a cor predominante na sala. A grande mesa de jantar que compõe o ambiente era da casa antiga e já estava com a família há 40 anos. "É uma mesa que aguenta tudo e é muito usada por elas, então decidimos manter ela aqui e o tampo de mármore orna bem com todo o restante", explica a designer.

Uma releitura do famoso lustre aranha é o que traz a iluminação ao móvel. "Adaptamos ele com a quantidade de lâmpadas que queríamos para abarcar toda a extensão da mesa. Por ter esse aspecto descolado, deixa o ambiente ainda mais cool".

Cynthia não fazia questão da churrasqueira e da sacada originais na planta do apê, por isso ganharam espaço ao destruir o cômodo. Porém, como as moradoras não esperam ficar por muitos anos ali, decidiram por manter a churrasqueira para o imóvel não ser desvalorizado.

Mas as profissionais deram um jeitinho de a deixar menos aparente: fizeram um jardim vertical em cima da churrasqueira, com grades recolhidas em ferro velho e também recauchutadas. "Essas mesmas grades estão embaixo do balcão da cozinha também",completa Cristianne.

 

O couro do sofá combina com o tema industrial. Ao fundo, a churrasqueira disfarçada de jardim. (Foto: Fellipe Lima)O couro do sofá combina com o tema industrial. Ao fundo, a churrasqueira disfarçada de jardim. (Foto: Fellipe Lima)
Luminária que fica ao lado da estante e da poltrona de barbeiro. Detalhe para a iluminação na parede. (Foto: Fellipe Lima)Luminária que fica ao lado da estante e da poltrona de barbeiro. Detalhe para a iluminação na parede. (Foto: Fellipe Lima)

A cozinha é um caso a parte pois foram reaproveitados todos os móveis embutidos que já se encontravam no ambiente, instalados pelo antigo dono do apartamento. Mesmo assim, muita coisa ali foi alterada. "A cozinha não era integrada com a sala. Tínhamos ali onde está o balcão uma parede. Derrubamos parte dela para trazer mais amplitude para a área em comum da casa".

O próprio balcão tem um formato semelhante ao de uma prancha de surf para que a pequena Betina, de 4 aninhos, não bata a cabeça na quina. O piso do ambiente é o mesmo usado para revestir a bancada, um ladrilho hidráulico preto e branco. 

"A dona da casa nos pediu também para fazer com que a banqueta funcionasse como mesa no dia a dia e por isso ela é larga. Cabem as três ali", afirmou Cris.

O restante da casa ainda está em processo de finalização. Cada quarto conta com decoração de acordo com a personalidade de suas donas, diferente da área em comum, bem mais a cara da mãezona da casa. "O quarto da Betina tem inspiração em uma floresta, já o de Jamile é mais romântico".

O interessante de todo o projeto é que mesmo tendo estilo, teto em cimento queimado, tubulação aparente, a casa dessas três mulheres tem função de ser lar. Por mais despojada que seja, consegue ser aconchegante. O piso é fácil de limpar, os ambientes tem fluidez e, memo belíssimo, o apartamento não parece ser estático como as casas de revistas de decoração.

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