Com El Niño no radar, Saúde cria grupo de resposta a eventos extremos em MS
Equipe vai mapear áreas de risco e preparar o SUS para calor, queimadas, tempestades e inundações

Diante da previsão de chuva acima da média e de períodos de maior intensidade do El Niño nos próximos meses, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) criou um grupo permanente para preparar a rede pública para os impactos de eventos climáticos extremos em Mato Grosso do Sul.
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A criação do Grupo Condutor Estadual de Preparação e Resposta aos Eventos Climáticos Extremos e seus Impactos à Saúde consta em resolução publicada nesta quinta-feira (3) no DOE (Diário Oficial do Estado).
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O colegiado terá a responsabilidade de planejar, coordenar e monitorar as ações de prevenção, preparação, resposta e recuperação do setor de saúde. Entre as atribuições estão identificar municípios e populações mais vulneráveis, estabelecer níveis de alerta e acompanhar a capacidade de atendimento dos serviços.
A medida foi publicada no início de um trimestre que poderá ser marcado por chuva acima da média histórica em parte do Estado, principalmente na região sul. Conforme noticiado anteriormente, boletim divulgado pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) aponta que o El Niño poderá apresentar maior intensidade em alguns períodos entre setembro e novembro, com efeitos sobre os padrões de temperatura e precipitação.
As temperaturas devem permanecer acima da média em praticamente todo o País. Os meteorologistas, entretanto, não descartam quedas bruscas durante setembro devido à entrada de massas de ar frio.
O novo grupo deverá acompanhar ameaças como secas, estiagens, ondas de calor, baixa umidade, incêndios florestais, queimadas, tempestades, vendavais, alagamentos, inundações e frio extremo. Alterações na qualidade e na disponibilidade da água para consumo humano também entrarão no monitoramento.
Segundo a resolução, esses eventos podem provocar ou agravar doenças respiratórias, problemas relacionados ao calor e ao frio, intoxicações, acidentes, doenças transmitidas por vetores e enfermidades de transmissão hídrica ou alimentar. A exposição à fumaça das queimadas e a poluentes atmosféricos também aparece entre os riscos considerados.
Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos, povos indígenas, comunidades tradicionais, moradores da zona rural e populações que vivem em áreas suscetíveis a desastres serão considerados grupos prioritários.
Estoques e capacidade da rede - Uma das responsabilidades do colegiado será elaborar e implementar o Plano Estadual de Preparação e Resposta do Setor Saúde aos Eventos Climáticos Extremos. O documento deverá orientar as medidas adotadas antes, durante e depois de situações de emergência.
O grupo também poderá propor ações emergenciais, divulgar alertas e protocolos e prestar apoio técnico aos municípios na elaboração dos próprios planos de resposta.
Outra atribuição será monitorar a capacidade operacional da rede de saúde e a disponibilidade de medicamentos, vacinas, soros, equipamentos, insumos e recursos laboratoriais. Dados meteorológicos, ambientais, epidemiológicos e assistenciais deverão ser reunidos para orientar as decisões do Estado.
O colegiado será coordenado pela Superintendência de Vigilância em Saúde e terá representantes de 14 áreas da SES, incluindo vigilância epidemiológica, imunização, controle de vetores, saúde do trabalhador, atenção primária, vigilância sanitária e Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública).
Representantes do Ministério da Saúde, das prefeituras, da Defesa Civil, de órgãos ambientais, instituições meteorológicas, universidades e centros de pesquisa também poderão ser convidados. A participação não será remunerada.
Em situações de emergência, as reuniões poderão ocorrer diariamente. O grupo ainda poderá criar equipes temporárias para acompanhar problemas específicos, como seca e segurança da água, calor extremo, incêndios florestais, inundações, arboviroses e capacidade de atendimento da rede.
A resolução determina a produção de relatórios periódicos com os riscos identificados, os municípios e as populações prioritárias, as ações realizadas e as recomendações à gestão estadual. No entanto, não estabelece prazo para a instalação do grupo, indicação dos representantes ou conclusão do plano estadual. Também não informa com que frequência os relatórios serão elaborados nem como serão divulgados.
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