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Comportamento

Adeus a um amigo de Bonito

Por Especial / Bosco Martins | 23/11/2021 14:58
Empresário e ambientalista Jaime Augusto Paniza Sanches morto em 22/112021. (Fotos: Reprodução)
Empresário e ambientalista Jaime Augusto Paniza Sanches morto em 22/112021. (Fotos: Reprodução)

Foi sepultado na tarde dessa terça-feira (23) em São Paulo, Jaime Augusto Paniza dos Sanches aos 60 anos. Paulista de Moema, Jaime era um jovem apaixonado pela vida e pela natureza quando chegou em Bonito. O pai o trouxe para essas bandas, dono de um pesqueiro na barra dos rios Miranda e Formoso. Jaiminho como todos os chamavam era um empreendedor nato; foi ele quem socorreu a empresa da família numa das maiores crises econômicas da história recente do país. O pai e os tios eram proprietários da empresa Rochester, pioneira na distribuição de peças para Veículos Diesel no Brasil.

Em Bonito ele é o Jaiminho, figura muito querida da população e amigo de todos. Na década de 80, quando conheceu o pesqueiro do pai, a Fazenda da Barra, logo se apaixonou pela região e adquiriu mais tarde, o Rancho Tucano.

Essas propriedades são Reservas Particulares do Patrimônio Natural, uma área reservada pelo poder privado para proteger a natureza. Seu lema era: conservação x produção. Jaiminho trouxe pra Bonito as primeiras discussões e debates sobre a questão. Por meio do seu “Projeto Vivo” levou crianças bonitenses a conhecer as belezas naturais de sua região. As palestras nas escolas da cidade  e aulas de educação ambiental na fazenda da Barra formou uma geração de adolescentes e jovens na conscientização da conservação da natureza e em defesa do Cerrado e das águas cristalinas.

Jaiminho em foto com os filhos Thais e André
Jaiminho em foto com os filhos Thais e André

Segundo familiares, Jaiminho passou os últimos dois meses internado em um hospital em Fortaleza para se tratar de problemas cardiovasculares, vindo a falecer nesta segunda feira dia (22). Seu corpo foi transladado para SP, onde foi sepultado na tarde de hoje (23), no jazigo da família.

Jaime Augusto Paniza Sanches dedicou a vida à sua família, empresa e à ecologia, deixando um legado imensurável para a cidade e região.  Foi um dos responsáveis pela introdução do turismo sustentável em Bonito e teve reconhecido seu trabalho como ambientalista pela população.

Participou ativamente da criação de várias organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, dedicadas às lutas por um mundo melhor, mais ecológico, pacífico e democrático, entre as quais se destacam a Associação Brazil Bonito e a Fundação Neotrópica do Brasil. Foi em sua casa no BNH, a primeira sede da instituição em 2000. Jaime arou a terra, semeou, regou e cuidou das primeiras sementes da conservação ambiental na região.

Tenho certeza de que o Jaiminho continuará a nos inspirar e a motivar a seguir em frente.

Sua partida precoce e sem aviso prévio nos faz responsáveis pelo seu amor pela humanidade, a natureza e a paz. Perder o amigo significou para nós, eu e Marcia, a perda de um companheiro de caminhada. Para Bonito e o movimento ambientalista é a perda de um militante de primeira hora, um nome que alcançou projeção regional e nacional, mas nos deixa a lição e missão de que a sua luta nunca foi em vão e pressupõe perseverança e resiliência.

Sua morte pegou a todos de surpresa e aconteceu pouco antes de completar mais um ano de vida (faria 61 anos em 29 de dezembro). Em vida, surpreendeu a todos com sua humanidade, honestidade, amizade e afeto. E sua partida não foi diferente.

Um caráter inquieto e incapaz de desviar o olhar de uma iniquidade, disse um amigo nas redes sociais.

Jaime Augusto Sanches Paniza, ou simplesmente Jaiminho nunca guardou para si sua acurada visão da humanidade e do mundo, lembrou outros.

Foi dele que eu e dona Marcia compramos a propriedade em que construímos o primeiro Hotel Fazenda de Bonito no KM 11 da Rodovia do Turismo. Seu filho Florestan brincou junto aos nossos. Temos histórias lindas com ele. Lembro de meu pai e ele embaixo da sombra de um pé de cedro negociando aquele pedaço de chão e o Jaiminho, antes de pegar o cheque, dizendo: Seu Waldemar estou vendendo para o senhor e o Bosco porque sei, que como eu, amam a natureza, senão não faria o negócio.

E o Jaiminho era assim mesmo – direto, sincero e verdadeiro. E tinha paixão pelo verde!! Pois era verde até no time, como paulistano de boa cepa, era palmeirense roxo. Eu brincava vez ou outra, o chamando: – Fala seu Palestra!!! Nunca esqueço uma passagem, numa visita minha e de Marcia para ele e Marceuda em São Paulo, quando me “intimou” a ir com ele e mais um amigo palmeirense para assistir no Pacaembu seu Palmeiras derrotar, para sua enorme felicidade, o Corinthians. Mas antes do convite, fez uma advertência “cruel” para esse santista nato: – Boscão, vc vai ter que torcer pro Palmeiras, senão....

Foram anos dourados de uma bela amizade, rompida abruptamente por uma cruel fatalidade, quando seu filho, Florestan, o menino luz, se foi para sempre.

Depois daquele dia o Jaime nunca mais foi o mesmo!!! Tornou-se ainda mais retraído, tímido e se voltou para a os filhos Thais e André, ainda mais.

Dali pra frente, aos poucos foi se apartando de seu pedaço de chão e do rincão Bonito, indo posar com seus filhos, em paragens nordestinas.

Ninguém melhor para falar sobre a vida do ser humano, Jaiminho do que as pessoas que trabalharam com ele. Numa das despedidas um ex-colaborador de sua empresa relata que ao ser demitido recebe uma carta assinada por ele: “Recebi essa carta de suas mãos senhor Jayme Augusto Paniza Sanches , por uma pequena atitude que tomei, a carta ficou guardada por esse tempo e ficará guardada até ti encontrar novamente, obrigado pelo carinho, aprendizado e exemplos de respeito ao próximo, o mundo perde uma pessoa sensacional, vá em paz meu amigo, que Deus conforte o coração dos familiares.” Fabio Sandro, ex-funcionário e proprietário na empresa Marcenaria Stefanutto & Silva/SP.

E as redes sócias amanheceram abarrotadas de homenagens em Bonito, São Paulo, Fortaleza e Brasil afora a esse capricorniano que forma com o signo de Touro (meu signo) e Virgem, a triplicidade dos signos da terra: “Meu primo irmão, o capricorniano mais doce que alguém poderia conhecer. Sempre com um abraço afetuoso e um sorriso largo, lindo e maroto. Queria saber quem disse que somos insubstituíveis, porque você não é e nunca será! Descanse em paz na presença de JESUS , primo amado. Essa vai ser duro superarmos; mas por amor a você, nos esforçaremos e por fé em DEUS tentaremos ser resilientes. Te amaremos para sempre. Suas primas Paula e Claudia e seus tios Walter e Marlene.”

A Marcia, chora sua partida: “Não nos falávamos mais com tanta frequência... O tempo passou e aquela imagem de jovens esperançosos, corajosos e que não temiam nada e ninguém ficou para trás. Os acontecidos das nossas vidas transformaram nossos corações e nossas almas... Eu bem sei o quanto você sofria a dor do irmão, daquele que você conheci a e dos que você sabia da existência. Quando precisamos um do ombro do outro falávamos por hora no telefone...eu também briguei muito com vc qdo sumia de nós...aqui neste mundinho não tem Só lugar para dor, nem só para tristeza, nem para a solidão, nem só pro amor, nem só...Estou de coração partido como muitos dos amigos q aqui fez.  Não quero uma palavra de consolo para família quero um abraço desse ser de luz que passou por nossas vidas! Segue na luz e que o nosso menino luz esteja te recebendo, meu amigo e meu irmão!”

A Thais sua afilhada também presta homenagem: "Jaiminho, que legado que tu deixastes por aqui. Passa um filme na minha cabeça de tudo que vc me ensinou. Quando mais precisei vc me estendeu a mão. Foi uma honra caminhar durante anos com vcs, por este fato vocês são os padrinhos do meu tesouro mais precioso. Hoje estamos de luto, mas sei que aí em cima tem uma pessoinha muito especial para te receber! Cumpriu seu papel como ser humano, quantas pessoas vc ajudou, ensinou, que coração mais precioso. Me despeço com o coração partido, porém muito feliz por fazer parte de sua história. Que estrela mais linda. Mainha, Thata e Deco meus sentimentos, contem comigo sempre, amo vcs."

A Carla Cardoso, cujo pai trabalhou com você envia seu adeus: “Hoje Deus levou para morar junto dele você Jaiminho, uma das pessoas mais boas que nossa família teve o prazer de conhecer e poder chamá-lo de amigo e depois patrão. Porque era o amigão de meu pai e de todos que de ti se aproximava. Alguém que por onde passava deixava sua alegria e um legado de humildade como poucos nesse mundo. Sempre pensando no próximo e um dos amantes da natureza de bonito assim como suas lembranças estão espalhadas no projeto vivo e rancho do tucano por onde você era apaixonado. Com toda certeza seu lugar está reservado no mais lindo dos céus e sua estrelinha estará lá no infinito brilhando e nos iluminando. Que Jesus na sua infinita bondade te receba de braços abertos.

Na morte de meu pai, procurei buscar melhor essa passagem da vida da qual nenhum de nós deixara viver. Busquei na leitura de “A Morte é um dia que vale a pena viver”, livro de uma jovem médica, um pouco de reflexão para amenizar a perda, a mesma que sinto agora. A autora nos lembra “que o tempo passa no tempo dele, indiferente a torcida para apressar ou retardar sua velocidade. A vida é o intervalo que fazemos entre o espaço de nascer e morrer. O tempo corre em ritmo constante e poucas vezes nos damos conta disso: A compreensão do processo de morrer. Nos preparar para a morte não ajuda a evitar esse encontro, mas ajuda a evitar o temor dele e a transforma-lo em respeito. Muitas vezes é só com a consciência da morte que nos apressamos em construir o ser humano que deveríamos ser e não esperar até que nos deparamos em nossa caminhada com um grande muro que diga aqui é o final."

Você amigo foi um ser humano especial o tempo todo, cuja vida e história jamais colocará um final.

Bonito e sua gente serão eternamente gratos por seu legado.

Vai com Deus, meu irmão!!!

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