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Comportamento

Confundida com homem, Leonir foi advogada, artista plástica e escritora

Aos 87 anos, ela relembra carreira entre homens e dedicação às artes

Por Geniffer Valeriano | 30/07/2026 06:10
Confundida com homem, Leonir foi advogada, artista plástica e escritora
Leonir durante sua colação de grau em 1962 (Foto: Maya Severino)

Leonir Wiechert Barros, de 87 anos, chegou a Campo Grande em uma época em que quase não havia mulheres na advocacia e chegou a ser confundida até com homem. Formada no Rio de Janeiro (RJ), ela se mudou para a Capital em 1963, logo após se casar com um arquiteto corumbaense, e construiu carreira no direito cível por mais de 30 anos.

Na faculdade, Leonir dividia a sala com cerca de 20 mulheres. Já nos tribunais de Mato Grosso do Sul, conseguia contar nos dedos as colegas de profissão. Ainda assim, diz que nunca se sentiu intimidada.

“Dentro de uma faculdade cheia de homens, advogados ou não, eu não achei diferença nenhuma. Para mim, era normal. Só fui saber, quando cheguei aqui, que havia uma ou duas juízas”, relembra.

Mesmo em um ambiente predominantemente masculino, Leonir afirma que era bem recebida e acompanhou o crescimento da presença feminina na área. “Depois entraram várias mulheres, principalmente com a faculdade daqui, e começou uma movimentação maior dentro da advocacia”, conta.

Confundida com homem, Leonir foi advogada, artista plástica e escritora
Aos 87 anos, Leonir compartilhou parte de sua história com o Lado B (Foto: Maya Severino)

Um episódio curioso marcou sua trajetória: a confusão provocada pelo próprio nome. Por ser considerado unissex, Leonir era frequentemente confundida com homem ao ser convocada para júris. “Pensaram que eu fosse homem por causa do meu nome. Eu já trabalhava aqui havia anos, mas acredito que tenham se enganado e não confirmaram direito”, explica.

A percepção veio apenas durante uma sessão. “Fiquei sabendo depois, conversando com outros advogados. Eles disseram: ‘Acharam que você fosse homem’. Eu respondi: ‘Não, sou mulher’, e ficou por isso mesmo”, relata.

Após três décadas na advocacia, Leonir se aposentou do direito e passou a dedicar mais tempo à pintura, atividade que já fazia parte de sua rotina. Além da advocacia, ela também se formou em artes plásticas e chegou a manter um ateliê. “Não foi algo que veio depois. Fiz as duas faculdades juntas. Sempre pintei, fiz exposições e tinha um ateliê separado do escritório”, diz.

Confundida com homem, Leonir foi advogada, artista plástica e escritora
Leonir realizou exposição de suas obras em Campo Grande, Corumbá, São Paulo (SP) e Cuiabá (MT) (Foto: Maya Severino)

Hoje, o espaço ainda reúne diversas obras finalizadas, além de um quadro inacabado. A baixa visão, consequência da idade, a impediu de concluir a pintura. “Eu só não pintei arte moderna, disso eu não gostava. Fiz muitos animais, retratos e paisagens. Eu gostava muito de pintar”, afirma.

Leonir também se aventurou na literatura e escreveu oito livros. Entre eles, destaca “Mistério em Marrocos” e “Raptadas”, ambientados no Oriente Médio. “Eu sempre gostei de temas ligados ao Oriente, mistério. Quando consegui escrever esse livro, senti que tinha alcançado algo importante”, comenta.

Outros títulos incluem “Fronteira do Coração”, “Baile de Máscaras”, “Bianca” e “Feitiço da Lua”. Em “Magia do Pantanal”, a autora se representa na personagem Rebeca, que vive, ao lado do marido, um acidente de avião. Já em “Paulino Ruiz de Barros, um Pantaneiro Inesquecível”, conta a história do sogro.

Mãe de dois filhos, Leonir diz que gostaria de ver a tradição literária continuar na família. “Eu tenho dois ótimos filhos. Gostaria que um deles escrevesse, mas nenhum seguiu por esse caminho”, finaliza.

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