ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, TERÇA  20    CAMPO GRANDE 24º

Comportamento

Após viver enchentes no RS, só o bordado salvou controladora de voo

Durante a mudança e trauma no Sul, hobby ajudou a lidar com ansiedade e ganhou novos significados

Por Geniffer Valeriano | 20/01/2026 06:48
Após viver enchentes no RS, só o bordado salvou controladora de voo
Maria durante criação de peça de encomenda (Foto: Osmar Veiga)

Depois de viver enchentes no Rio Grande do Sul, só o bordado salvou controladora de voo, Maria Eduarda Sadler Barros, de 31 anos.  A coisa  começou como terapia acabou se transformando até em renda extra. Foi em maio de 2024, durante as enchentes que o bordado entrou de vez na rotina. Com o local de trabalho alagado, o tempo ocioso passou a se misturar a um cenário de destruição, incertezas e ansiedade.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O bordado, inicialmente uma forma de terapia para a controladora de voo Maria Eduarda Sadler Barros, de 31 anos, transformou-se em fonte de renda extra. A atividade ganhou força durante as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, quando ela enfrentava um período de ansiedade devido à transferência profissional para Campo Grande. O hobby evoluiu para um negócio após seu casamento, quando a cerimonialista, impressionada com seu trabalho, começou a indicá-la para outras noivas. Hoje, mesmo mantendo sua profissão principal, Maria Eduarda produz peças personalizadas com materiais premium, tendo o porta-alianças de seu próprio casamento como sua criação mais especial.

O trauma foi grande e ela se mudou de lá e para Mato Grosso do Sul. Maria conta que fazer artesanato não foi uma novidade para ela, que cresceu em um ambiente onde o fazer manual sempre esteve presente. O primeiro contato com a prática foi observando a mãe criar, ainda na infância, quando aprendeu a valorizar o trabalho feito com as próprias mãos.

Ela conta que em 2012, sua mãe passou a trabalhar com patchwork, produzindo almofadas, necessaire e bolsas. “Aprendi com ela, experimentei algumas criações e esse contato inicial despertou em mim um carinho especial por trabalhos manuais”, relembra.

Após viver enchentes no RS, só o bordado salvou controladora de voo
Após viver enchentes no RS, só o bordado salvou controladora de voo
Primeiras peças produzidas por Maria foram presentes para amigos e familiares (Foto: Arquivo Pessoal)

Com o tempo, os caminhos seguiram rumos diferentes. A mãe migrou para o crochê, atividade que mantém até hoje, enquanto Maria Eduarda se dedicou à carreira de controladora de voo. A base criativa, no entanto, permaneceu guardada.

“Mesmo sem perdas diretas na minha família, acompanhar tudo o que estava acontecendo era emocionalmente pesado. Eu também estava em processo de transferência de Porto Alegre para Campo Grande, o que gerava ainda mais ansiedade”, conta.

Nesse contexto, o bordado surgiu quase como um encontro. Após pesquisar atividades que pudessem ocupar a mente e ter significado, ela se encantou pela técnica, inicialmente sem grandes pretensões. “Quando comecei a bordar, a ansiedade diminuiu. O tempo passava mais leve e eu conseguia me desligar um pouco do que estava acontecendo ao redor”, diz.

Após viver enchentes no RS, só o bordado salvou controladora de voo
Peças produzidas por Maria também fazem parte da decoração de sua casa (Foto: Osmar Veiga)

Maria Eduarda passou a dedicar horas ao estudo de desenhos, pontos e técnicas, em um processo que define como profundamente reconfortante. Aos poucos, o que era apenas distração ganhou outra dimensão. “As pessoas se encantavam não só com o bordado, mas com o cuidado e a intenção por trás de cada peça. Os elogios e os pedidos foram mostrando que aquilo poderia ir além de um hobby”, explica.

A criação de uma página nas redes sociais surgiu de forma intuitiva, como um espaço para registrar a própria evolução e compartilhar peças feitas, inicialmente, para presentear pessoas próximas. O bordado, porém, ganhou novo papel no fim de 2024, quando Maria Eduarda se mudou definitivamente para Campo Grande e passou a organizar o próprio casamento.

Pensando em uma renda extra para custear pequenos gastos sem comprometer o orçamento, ela começou a oferecer os bordados. No início, cobrava valores simbólicos. “Eu ainda estava aprendendo e não via aquilo como uma segunda renda estruturada”, afirma.

Após viver enchentes no RS, só o bordado salvou controladora de voo
Para Maria, o trabalho mais marcante foi o porta alianças usado em seu casamento (Foto: Osmar Veiga)
Após viver enchentes no RS, só o bordado salvou controladora de voo
Principais encomendas realizadas pela controladora de voo são para casamentos (Foto: Osmar Veiga)

A virada veio a partir do contato com a cerimonialista do casamento, que se encantou pelo trabalho, fez encomendas e passou a indicá-la para outras noivas. Com o aumento da demanda, surgiram os investimentos em materiais premium e a busca por especialização. Hoje, o retorno financeiro é consistente.

“Percebo que essa prática me tornou mais sensível aos detalhes da vida, mais paciente e mais atenta aos pequenos gestos e significados. Todas as peças acabam sendo especiais, porque acompanho cada etapa do processo, da criação da arte ao acabamento final. Cada bordado carrega um pouco de mim”, afirma.

Apesar do carinho por cada trabalho, uma peça ocupa um lugar especial: o porta-alianças do próprio casamento. Foram cinco versões até chegar ao modelo final. “Foi um processo cheio de dúvidas, testes e emoção. Mas o resultado ficou exatamente como imaginávamos. Sem dúvida, é uma das peças mais especiais da minha trajetória”, lembra.

Conciliar o bordado com a rotina de controladora de voo não se tornou um obstáculo. Por trabalhar em escala, Maria Eduarda consegue organizar o tempo de forma estratégica, reservando momentos específicos para as encomendas.

O cuidado também se reflete no atendimento. Sem mensagens automáticas, ela prefere conversar com cada cliente, entender histórias e expectativas. “Talvez por ter começado essa jornada sendo noiva também, faço questão de oferecer um atendimento muito humano”, afirma.

Hoje, o bordado é, ao mesmo tempo, refúgio, terapia e renda complementar. “Por não ser minha principal fonte de renda, consigo trabalhar com leveza e amor. Faço porque amo. É um processo que me traz calma, satisfação e realização, do primeiro contato com a cliente até o momento de embalar a peça finalizada”, resume.

Atualmente, Maria Eduarda aceita encomendas de bordados personalizados pelo WhatsApp, no número (51) 9831-9631.

Confira a galeria de imagens:

  • Campo Grande News
  • Campo Grande News
  • Campo Grande News
  • Campo Grande News
  • Campo Grande News
  • Campo Grande News
  • Campo Grande News
  • Campo Grande News

Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.