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Campo Grande, Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

05/09/2017 08:01

Há 30 anos, Heloísa tenta levantar um espaço que a maioria já condenou

Mariana Lopes
Para Heloísa, lutar para reerguer o Centro Comercial Terminal do Oeste é praticamente remar contra um tsunami (Foto: Marina Pacheco)Para Heloísa, lutar para reerguer o Centro Comercial Terminal do Oeste é praticamente remar contra um tsunami (Foto: Marina Pacheco)

Em uma loja pequena em meio a tantas portas fechadas nos corredores do Centro Comercial Terminal do Oeste, Heloísa Cury se lembra de quando chegou a Campo Grande em 1976, com 21 anos de idade, recém-casada e cheia de sonhos. Hoje, 41 anos depois, ela busca força e inspiração em sua própria trajetória para lutar por um ideal que ainda acredita e que muitos já o condenaram ao fracasso.

Natural de Presidente Epitácio, interior de São Paulo e divisa com Mato Grosso do Sul, Heloísa largou o emprego em um banco para construir a vida na Capital Morena. Quando ela e o marido chegaram aqui, compraram uma loja no condomínio onde também funcionava a Rodoviária a cidade. Na época, o comércio era muito forte no local e investir ali sem sombras de dúdiva era um bom negócio.

Em pouco tempo, os negócios deram certo e o casal investiu em mais salas. Das 14 que compraram no condomínio, eles tocavam 8 lojas e o restante alugavam para outros comerciantes. "Construi minha vida neste lugar, minha filha mais velha começou a andar nestes corredores, aqui era praticamente minha casa, tenho muitas histórias e lembranças em cada pedaço do prédio", diz Heloísa, deixando transparecer uma nostalgia gostosa, daquelas que tem cheiro e sabor.

Desta época, ela também se lembra dos vários natais que ficou com lojas abertas até às 23h. Dos domingos que passou por lá vendendo pipoca enquanto a clientela assistia o futebol que passava nas televisões de bares. "Eu estava grávida, com os pés inchados, meu marido tinha comprado uma máquina de pipoca e nós ficávamos aqui, tudo era uma alegria", conta.

Mas os tempos de glória duraram até uma grade impedir que os usuários dos ônibus tivessem acesso às lojas sem pagar passagem, o que diminuiu o fluxo de pessoas nos corredores onde ficavam as lojas. Alguns anos depois, a Rodoviária foi transferida do local e, com isso, o movimento, que já estava fraco, caiu ainda mais.

A antiga rodoviária de Campo Grande, como o prédio ainda é conhecidoA antiga rodoviária de Campo Grande, como o prédio ainda é conhecido

Para qualquer campo-grandense, o prédio é conhecido como "a antiga rodoviária" e reconhecido também por diversos problemas sociais que se instalaram no entorno. "Houve uma depreciação da nossa moral por causa disso", lamenta a empresária. Mas nem mesmo os piores contratempos fizeram Helô desistir do sonho de reerguer o local e transformar os ares do Centro Comercial Terminal do Oeste.

"Quero ver esse prédio cheio de alegria de novo, gerando empregos. Quando fecho os olhos, visualizo aqui um centro de cultura, tipo a praça benedito Calixto, em São Paulo, como feira, show, teatro, onde as pessoas possam vir com a família e ter lazer, boas opções para comer. É assim que imagino e sonho", vislumbra Helô, enquanto a maioria pensa que a melhor solução seria demolir tudo e pensar em outra aposta para a região.

Em 7 anos, desde que a Rodoviária de Campo Grande ganhou novo endereço, Heloísa já inventou de tudo para tentar mudar o cenário do prédio. Já realizou feiras, shows, eventos, já oferedeu espaço de graça para comerciantes, sem contar nos inúmeros projetos que montou e levou à Prefeitura pedindo apoio. 

Ela sabe que há muitos anos vai contra a corrente, ou como ela mesma diz: "remo, praticamente, contra um tsunami, é assim que me sinto, mas não desisto jamais", afirma. Para ela, o Centro Comercial vai muito além de uma necessidade financeira. "Cheguei aqui ainda menina, meu marido foi um dos primeiros a comprar salas aqui, e quando ele morreu, tive que assumir tudo, foi quando vi o quanto tinha investido minha vida neste lugar, não posso deixar acabar assim".

Para Heloísa, ir contra esta corrente é se dedicar de domingo a domingo a um sonho que ela acredita ser possível realizar. "Só depende de algumas pessoas certas acreditarem junto comigo e assinarem os projetos que tenho pra cá. Eu sei que uma hora vai dar certo, e esta hora está bem perto de acontecer". 

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