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Comportamento

Há 40 anos, Adrianus deixou a Holanda para tentar a vida em MS

Tendo crescido em lavouras, imigrante trouxe coragem e paixão por maquinários

Por Aletheya Alves | 27/05/2024 06:55
Adrianus trouxe consigo gosto por maquinários. (Foto: Arquivo pessoal)
Adrianus trouxe consigo gosto por maquinários. (Foto: Arquivo pessoal)

Em 1983, Adrianus Vosters resolveu se aventurar e deixar a Holanda para tentar a vida nas lavouras de Maracaju. Tendo crescido no meio rural, o imigrante veio para Mato Grosso do Sul com o sonho de conseguir seguir os passos do pai e ainda trouxe o gosto por manter as memórias vivas com uma paixão por máquinas bem antigas.

Hoje, aos 73 anos, o produtor rural é também curador do museu da Ascomar (Associação de Colecionadores de Máquinas Agrícolas de Maracaju) e conseguiu passar a proximidade com as peças para os dois filhos que também seguem seus passos. Contando sobre sua história, Adrianus explica que veio justamente de uma pequena propriedade rural na Holanda.

“Fui criado lá, estudei e me formei em engenharia agrícola e durante dez anos fui instrutor de máquinas agrícolas em um centro do governo holandês. Nos anos de 1970, eu estava cansado de dar aula e queria seguir os passos do meu pai, que era produtor rural de um espaço pequeno”, diz Adrianus.

A questão é que, por ser um espaço pequeno, o filho não conseguiria seguir carreira ao lado do pai e comprar sua própria terra por ali era algo fora de questão devido aos preços. Por isso, ele começou a investigar países que poderiam oferecer possibilidades melhores.

Adrianus relata que costumava ler sobre o assunto e encontrou um artigo sobre holandeses em lugares diferentes do planeta, sendo que um deles falava sobre imigrantes no Brasil. “Consegui o contato desse pessoal e pedi para vir ver como era”.

Produtor rural com os filhos em viagem à Holanda. (Foto: Arquivo pessoal)
Produtor rural com os filhos em viagem à Holanda. (Foto: Arquivo pessoal)
Denise ao lado do pai em uma exposição de máquinas antigas. (Foto: Arquivo pessoal)
Denise ao lado do pai em uma exposição de máquinas antigas. (Foto: Arquivo pessoal)
Adrianus e seus filhos, Denise e Joan, no final dos anos de 1980. (Foto: Arquivo pessoal)
Adrianus e seus filhos, Denise e Joan, no final dos anos de 1980. (Foto: Arquivo pessoal)

Primeiro, a viagem foi realmente para conhecer Maracaju em 1979 e, em 1983, Adrianus estava de malas prontas se mudando para o interior de Mato Grosso do Sul.

Como o cenário era diferente décadas atrás, a maior parte das coisas realmente precisava ser feita por ele mesmo e, entendendo de mecânica, seu gosto por trabalhar no meio rural se uniu à paixão por colecionar memórias.

O holandês explica que na Europa há uma tradição mais forte de colecionar itens antigos e, em Maracaju, conheceu outros imigrantes que compartilhavam do gosto, incluindo Henricus Johannes Marinus Oomen.

Foi Henricus quem começou com o museu da Ascomar e convidou Adrianus para se juntar ao trabalho. Na época, o convite foi aceito rapidamente e, hoje, Adrianus é o curador do museu que mantém desde tratores até peças que compõem os maquinários antigos.

“A paixão por máquina veio de criança, com meu pai que tinha gosto por tudo que roncava, fazia barulho. A gente fazia trabalho braçal, pesado e, desde criança, ajudava meu pai a tirar leite, carregar alimento para o gado, a gente não sabia outra forma de fazer isso e quando veio a primeira máquina, o primeiro trator, foi um “uau, ele faz dez vezes mais do que a gente e sem se esforçar”. Foi uma admiração por algo que fazia parte das coisas melhor do que nossa família fazia na mão”, relata Adrianus.

E, passando os conhecimentos e gostos adiante, o imigrante conta que a filha Denise Vosters Falleiros tem seguido a trajetória. Confirmando, a produtora rural brinca que cresceu em meio aos tratores e plantações.

“Meu pai sempre gostou de máquinas agrícolas e na lavoura, ele sempre estava na oficina e nossas brincadeiras eram ali, levando as chaves para ele, subindo no trator. Como ele gostava e ainda gosta, ele desmonta um trator inteiro para arrumar e meu mundo sempre foi esse”, diz Denise.

A produtora rural relembra que aos 8 anos começou a brincar na lavoura ao lado do pai nos tratores e a vontade de se manter nesse cenário foi tanta que até hoje ela segue atuando no ramo. E, para completar, também se associou.

“Quando meu pai está no museu, é o momento da gente estar junto com ele em família, ajudando, colaborando, é um momento nosso. E fazer essa visita é de suma importância para o desenvolvimento do futuro”.

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