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Campo Grande, Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018

26/09/2018 08:30

Motoboy da música sertaneja, "Zé Goré" morreu, mas continua lembrado por música

Simples, José ficou conhecido como funcionário gente boa de Munhoz e Mariano

Thaís Pimenta
Publicação da dupla em homenagem ao falecimento do amigo. Na foto, Munhoz e Zé Gore. (foto: Reprodução)Publicação da dupla em homenagem ao falecimento do amigo. Na foto, Munhoz e Zé Gore. (foto: Reprodução)

O motoboy e office boy José Aparecido Braz deixou a música sertaneja no fim de semana. Não era nada famoso, só um funcionário dos bastidores. Mas ficou conhecido pelo apelido que surgiu depois do sucesso de uma canção. Nesse meio de tantas celebridades, era um cara comum, mas lembrado pela dedicação.

Um AVC fulminante levou o filho de uma família humilde e numerosa, que morou a vida toda no bairro Universitário. Foi o jeito de ser "gente boa" que o transformou em Zé Goré, apelido dado por Munhoz e Mariano, depois da fama de uma canção com o nome do personagem.

Muita gente acha, inclusive, que a música surgiu em homenagem a José e até poderia ser verdade, tamanho o afeto que a dupla tinha por ele. Mas Munhoz e Mariano já cantavam e começavam a fazer sucesso quando a composição de Antônio Vicentino Neri da Silva e Darcilio Gonzaga das Merces estourou por aí. Os dois explicam que, na verdade, José ganhou o apelido por conta da música.

"O apelido surgiu em razão de o José ter uma motocicleta na época que a música estourou, o que motivou no início uma brincadeira entre os colegas, que começaram a lhe chamar dessa maneira e o apelido pegou. Conhecemos o Zé quando ele trabalhava em outra empresa como motoboy e depois de algum tempo ele veio trabalhar com a gente como motoboy", contaram por meio de nota enviada pela assessoria da dupla. 

Desde então, o motoboy que já havia trabalhado com o Grupo Tradição e com a dupla Maria Cecília e Rodolfo, entrou para a equipe de Munhoz e Mariano, há cerca de 7 anos, e faleceu fazendo parte da família da equipe dos campo-grandenses. Com eles, trabalhou por anos na divulgação da dupla e depois assumiu trabalhos mais burocráticos no escritório.

No Instagram, os amigos lamentaram e agradeceram pela amizade em um post. "Com muita tristeza e todo agradecimento por esses anos que passamos juntos, nos despedimos do amigo Zé Gore. Para sempre será lembrado. Que Deus conforte o coração de toda família e de nós, seus amigos que te amamos tanto!".

A assessoria da dupla enviou uma nota ao Lado B em que diz que "Toda a equipe do Munhoz & Mariano está de luto, pois o José (Zé Gore) era muito querido entre os colegas de trabalho, tendo desempenhado suas funções sempre com muita dedicação, amizade, ética e companheirismo."

Motoboy da música sertaneja, Zé Goré morreu, mas continua lembrado por música

No bairro em que viveu, ele se tornou personalidade. De acordo com o amigo Claudemir Levi da Silva Junior, o Juneco, Zé Goré era um "cara que, quando ele não tinha, não tinha, mas quando tinha dividia tudo e fazia o impossível para ajudar os amigos". Talvez por isso tenha despertado afeição.

"Zé não falava mal de ninguém, era sempre prestativo. Acredito que foram essas características que faziam as pessoas se encantar por ele. Em cinco minutos de conversa, a pessoa já estava amiga ele", completa.

O apelido também deu origem a uma marca de bonés, a Zé Gore Made in Cabaré.

Zé ao centro, com os músicos do Tradição. (foto: Acervo Pessoal)Zé ao centro, com os músicos do Tradição. (foto: Acervo Pessoal)
Juneco e Zé. (foto: Acervo Pessoal)Juneco e Zé. (foto: Acervo Pessoal)

Filho mais velho dos quatro irmãos, lidar com os amigos de José, tem tornado os dias ainda mais difícies para a família.

"Teve muita repercussão o falecimento dele. Desde quando ele estava internado por conta do derrame o pessoal já começou a ligar procurando por ele. Hoje mesmo eu atendi um menino especial pelo Whatsapp com o qual meu irmão conversava sempre. Ele era essa pessoa, que tentava ajudar os outros, dando atenção. Então tá sendo muito difícil sua partida", comenta o irmão, Manuel Braz dos Santos.

Wagner Hildebrand, produtor do Tradição, disse que tem sido um luto muito sensível. "O Zé era uma pessoa muito querida, amigo de todos do nosso escritório e também dos músicos. Volta e meia ele ia com a gente em alguma viagem. Foi uma pessoa muito querida, sempre com o astral muito bom, de uma luz incrível", finaliza.

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