Para chegar às urnas, eleitores enfrentam lama da qual reclamam há décadas
Moradores caminharam até os locais de votação por obrigação ou por acreditarem na importância do voto

Barro, chuva e até mais de uma hora de deslocamento fazem parte do caminho de alguns eleitores que saíram de casa para votar neste domingo (4), na região do Jardim Noroeste. Mesmo com as dificuldades, moradores ouvidos pela reportagem seguiram até os locais de votação. Os motivos variam: alguns dizem acreditar no voto como forma de buscar mudanças, enquanto outros afirmam que compareceram por considerar uma obrigação.
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Eleitores da região do Jardim Noroeste enfrentaram barro, chuva e deslocamentos de até uma hora e meia para votar neste domingo (4). Ouvidos pela reportagem, moradores relataram ruas sem asfalto e dificuldades de passagem, mas compareceram aos locais de votação. Alguns citaram a crença no voto como instrumento de mudança, outros a obrigação. Valdir Souza de Paula, de 62 anos, cobrou a pavimentação prometida. Nelson Ferreira, de 58, disse duvidar do peso do voto.
O pedreiro João de Souza Gomes, de 51 anos, levou cerca de meia hora caminhando pelo barro até chegar ao local de votação. No caminho, chegou a pensar em voltar para casa. “Eu pensei em desistir, mas falei: ‘Eu vou ter que ir lá’. Isso é necessário”, contou.
Para ele, participar da eleição ainda é uma forma de tentar mudar a realidade. “Tem que enfrentar esse barro. Tem que melhorar o país, com presidente, governo. É importante”, afirmou.
A bombeira civil Ramona Chaves, de 45 anos, mora mais perto e precisou caminhar apenas uma quadra. Ainda assim, encontrou água e lama pelo caminho. Para ela, a primeira motivação para sair de casa foi mais prática.
“É obrigação mesmo, tem que votar. Não tem jeito, então tem que votar”, disse. Apesar disso, Ramona também considera importante participar da eleição. “Votar é essencial para a gente. A gente tem que fazer.”
A assistente comercial Viviane Almeida, de 40 anos, enfrentou um trajeto bem maior. Segundo ela, foi cerca de uma hora caminhando sob chuva e pelo barro até chegar para votar.
“Horrível, meu Deus. Olha isso aqui. Como que passa, gente?”, questionou enquanto mostrava as condições do caminho.
Já Valdir Souza de Paula, de 62 anos, precisou segurar o guarda-chuva contra o vento enquanto seguia para votar. Ele também reclamou das condições da rua e disse que a falta de asfalto dificulta ainda mais a passagem em dias de chuva. “É muito complicado mesmo. A promessa aqui foi de ser asfaltado este ano, mas até agora nada”, afirmou.
Mesmo assim, Valdir manteve a rotina de comparecer às urnas. “Tem que ir. A gente tem que cumprir com a nossa obrigação e votar, porque senão como é que vai mudar isso? Mesmo com a chuva, tem que ir.”
Ele conta que participa de todas as eleições. “Todos os anos que tem eleição eu voto. Primeiro e segundo turno, se tiver, eu voto sempre.”
Para Nelson Morais Ferreira, de 58 anos, o percurso foi ainda mais longo. Atualmente morando no Bairro Caiçara, ele precisou se deslocar até a região onde vota e calcula ter levado cerca de uma hora e meia. “Tem que ir, é exigido”, resumiu.
Nelson também encontrou lama no caminho e reclamou da falta de pavimentação. “Isso aqui já era para ter asfaltado há uns 20 anos. Tem rua pior ainda, se olhar ali para baixo.”
Ao contrário de outros eleitores ouvidos pela reportagem, ele demonstrou descrença no peso do próprio voto, mas ainda assim decidiu comparecer. “Era importante. Hoje em dia não é mais nada importante, porque eles que decidem lá. O seu voto não vale nada”, finalizou.
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