Paraguai ganha torcida extra de quem perdeu peso antes da Copa
Apesar das medicações paraguaias serem proibidas por aqui, tem gente que aposta nelas
O Paraguai ganhou um reforço inusitado na torcida durante a Copa do Mundo. Em Campo Grande, não faltam brasileiros que dizem apoiar a seleção vizinha por um motivo bem específico: o Mounjaro.
A brincadeira apareceu durante a cobertura do jogo do Brasil e virou piada entre quem já usou ou conhece alguém que atravessou a fronteira em busca da tirzepatida, substância utilizada no tratamento da obesidade e do diabetes.
A dentista Eduarda Oliveira Bernardo é uma delas. Ela conta que perdeu 14 quilos, mas garante que a preferência continua sendo verde e amarela. "A gente quer muito o hexa", afirma.
Mesmo assim, admite que existe espaço para uma segunda torcida. "Só quando não jogar com o Brasil."
A dentista Evelyn Souza também entrou na tiração de sarro. "Pelo Ozempic, pelo Mounjaro, acho que a galera precisa torcer para o Paraguai, senão o preço vai lá em cima. Vamos torcer para o Paraguai também."
O cabeleireiro Gabriel Marques segue a mesma linha. "Vou torcer para o Paraguai porque eles que estão deixando os brasileiros magros."
Já a vendedora Izabele Fogolin tem uma justificativa ainda mais forte: ela nasceu no país vizinho. "Sou paraguaia, vou torcer, lógico que merece."
Quando perguntada se caberia na camiseta que vestia sem a ajuda do tratamento, respondeu sem pensar duas vezes: "Jamais."
O contador Dilian Gomes também declarou seu apoio. "Vou torcer para o Paraguai, que emagreceu um monte de gente aí, está movimentando mais que o Brasil. Com certeza sou 100% Paraguai."
As declarações, em tom de brincadeira, mostram algo recorrente em Mato Grosso do Sul: muita gente passou a buscar versões paraguaias da tirzepatida por causa da diferença de preço.
Hoje, a medicação é considerada uma das mais modernas entre os chamados agonistas de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1). No Brasil, o Mounjaro é a forma aprovada e comercializada da substância, indicada para pacientes com diabetes e obesidade.
O principal atrativo das versões encontradas no Paraguai é o custo. Enquanto o tratamento mensal com a dose inicial do Mounjaro pode custar cerca de R$ 1,4 mil no Brasil, algumas versões paraguaias chegam a ser vendidas por menos de um terço desse valor.
Apesar da popularidade nas redes sociais e em grupos de mensagens, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) alerta que diversas marcas paraguaias são proibidas no país. Segundo o órgão, os produtos não passaram pela avaliação sanitária brasileira e, por isso, não há garantia de eficácia, segurança ou controle adequado de armazenamento e transporte.
A entrada dessas versões no Brasil é considerada irregular e pode configurar crime de contrabando.
Vale lembrar que, no Brasil, a tirzepatida é um medicamento de venda sob prescrição médica. O uso deve ser acompanhado por um profissional de saúde, que avalia a necessidade do tratamento, os riscos e a dosagem adequada para cada paciente.

