“Que sociedade é essa?”: Com escalada do ódio à mulher, desafio é educar o homem
"Estamos iniciando o mês de março, mas não tem o que comemorar", diz pesquisadora
Num cenário de escalada do ódio às mulheres em Mato Grosso do Sul, cuja face mais trágica é o feminicídio, que já somam sete casos neste ano, quem estuda o tema aponta o desafio de educar o homem para que rompa com comportamento masculinista, violento e controlador.
RESUMO
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A escalada do ódio contra mulheres em Mato Grosso do Sul preocupa especialistas, com seis casos de feminicídio registrados apenas neste ano. A coordenadora do curso de Jornalismo da UFMS, Katarini Miguel, destaca a necessidade de combater comportamentos masculinistas e violentos na sociedade. Em homenagem à jornalista Vanessa Ricarte, assassinada pelo ex-noivo em 2025, a UFMS inaugurou um Banco Vermelho. A iniciativa, reconhecida como política pública, visa ampliar o debate sobre violência de gênero. Vanessa havia procurado ajuda na delegacia horas antes do crime, mas não recebeu o acolhimento adequado.
“Estamos iniciando o mês de março, mas não tem que comemorar. É estranho, mas parece que tem esse efeito manada, que se acontece uma vez, outros casos podem se repetir. Mas é fruto de uma sociedade machista, que se espanta mais com o termo feminista do que a palavra feminicida. Que sociedade é essa?”, afirma a coordenadora do curso de Jornalismo da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Katarini Miguel.
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A pesquisadora estuda há dez anos sobre a relação da cobertura jornalística e violência de gênero. Para a professora, se as questões institucionais não vierem acompanhadas das questões culturais, não adianta ter a melhor legislação do mundo.
“Ainda tem resistência dentro das casas para se discutir as questões de gênero. Principalmente por acharem que é questão ideológica. Acham que alguns papéis são só de homens e que outros servem só para mulheres. Que o lugar do homem é o lugar da força, do mandante, do general”.
Nesta segunda-feira (dia 9), a UFMS inaugurou o Banco Vermelho em memória à jornalista Vanessa Ricarte, egressa do curso de Jornalismo, turma de 2005. Ela foi assassinada pelo ex-noivo em fevereiro de 2025.
A campanha Banco Vermelho é reconhecida como política pública por meio da Lei nº 14.942, de 31 de julho de 2024, e tem como objetivo mobilizar a sociedade, ampliar o debate sobre a violência de gênero e divulgar canais de denúncia e apoio às vítimas.
Vanessa foi homenageada pela amiga Nayara Xavier, que trabalha no MPT (Ministério Público do Trabalho), último local onde a jornalista assassinada trabalhou.
“A Vanessa era uma colega admirada e uma pessoa que deixa marcas profundas por onde passa. Inteligente, sensível e muito dedicada ao que fazia. Acredito que esse ato representa uma importante oportunidade para que possamos reafirmar que a vida da Vanessa não pode ser reduzida à violência”, diz a amiga.
Nayara leu uma carta de agradecimento dos pais de Vanessa, que lembraram do orgulho da filha em ter estudado na UFMS.
O vice-reitor Albert Schiaveto de Souza destacou que é preso refletir, mas agir em defesa dos direitos das mulheres.

Feminicídio - Vanessa Ricarte, de 42 anos, foi assassinada no dia 12 de fevereiro de 2025 pelo ex-noivo, o músico Caio Cesar Nascimento Pereira. Horas antes do crime, ela havia procurado a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) para denunciar violência e solicitar medida protetiva de urgência.
Ela relatou episódios de agressão e ameaças, mas, segundo familiares, não recebeu acolhimento adequado. Em um áudio enviado a um amigo no mesmo dia, a jornalista contou que foi atendida de forma “fria e seca” e orientada a voltar para casa, sem garantia de segurança.
O caso provocou forte repercussão nacional e questionamentos sobre os protocolos de atendimento a mulheres em situação de risco.
A decisão judicial que determinava o afastamento do agressor ainda não havia sido comunicada quando Vanessa foi atacada. Ela foi esfaqueada três vezes na entrada da casa onde morava, no Bairro São Francisco.
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