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Capital

OAB apura conduta de advogado preso suspeito de vazar operação a delegado

Entidade afirma acompanhar desdobramentos da prisão do profissional e que tomará medidas disciplinares

Por Maurício Aguiar | 30/09/2026 14:34
OAB apura conduta de advogado preso suspeito de vazar operação a delegado
Advogado Amilton Ferreira de Almeida na casa do delegado Hoffman D’Ávila durante apreensões do Gaeco (Foto: Osmar Veiga)

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Mato Grosso do Sul informou que tomará as medidas disciplinares cabíveis após a prisão do advogado Amilton Ferreira de Almeida, ocorrida nesta terça-feira (29). Ele é suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Infiltrados para o delegado Hoffman D'Ávila Cândido.

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A OAB de Mato Grosso do Sul informou que adotará medidas disciplinares após a prisão do advogado Amilton Ferreira de Almeida, suspeito de vazar dados sigilosos da Operação Infiltrados ao delegado Hoffman D'Ávila Cândido, de quem era defensor. Preso pelo Gaeco na Operação Obstructio, ele teve a preventiva mantida em audiência de custódia. Cerca de 40 advogados protestaram. A defesa alega que o encontro era apenas um café habitual.

Em nota enviada ao Campo Grande News, a instituição afirmou que a CDA (Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados) acompanha as diligências da Operação Infiltrados e da Operação Obstructio. A OAB afirmou que adotará as “medidas legais cabíveis, inclusive de natureza disciplinar, respeitando o direito à ampla defesa e ao contraditório”.

Amilton foi preso pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) durante a Operação Obstructio, que investiga o vazamento de dados da Operação Infiltrados, ação que desmantelou uma organização criminosa envolvida no desvio de drogas com participação de policiais. O advogado representava o delegado Hoffman D'Ávila, apontado como um dos líderes do esquema.

O advogado foi detido em sua residência, na Vila Albuquerque, onde foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Em seguida, foi levado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada). Nesta quarta-feira (30), passou por audiência de custódia no Fórum de Campo Grande, onde a prisão preventiva foi mantida.

Na ocasião, cerca de 40 advogados acompanharam a audiência em protesto contra a prisão, alegando violação das prerrogativas da advocacia criminal e classificando a medida como ilegal.

Para tomar um café – Segundo o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), há “evidências já materializadas” do que o órgão classifica como “comunicação criminosa” do vazamento da ação policial. Conforme os promotores, o repasse das informações sigilosas atrapalhou diretamente o andamento das investigações do Gaeco.

A advogada Damares Costa Machado, que representa Amilton, afirmou que o cliente havia apenas combinado de tomar café com Hoffman por volta das 5h. O horário, segundo a defesa, era habitual porque ambos costumavam caminhar juntos no início da manhã. Após o encontro, Hoffman não retornou para casa e acabou se apresentando voluntariamente à tarde, na Corregedoria da Polícia Civil.

Na quinta-feira passada (24), quando o delegado se apresentou, Amilton declarou ao Campo Grande News que a saída de Hoffman pouco antes da chegada dos policiais do Gaeco fora “pura coincidência” e negou que houvesse vazamento de informações.

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