OAB apura conduta de advogado preso suspeito de vazar operação a delegado
Entidade afirma acompanhar desdobramentos da prisão do profissional e que tomará medidas disciplinares

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Mato Grosso do Sul informou que tomará as medidas disciplinares cabíveis após a prisão do advogado Amilton Ferreira de Almeida, ocorrida nesta terça-feira (29). Ele é suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Infiltrados para o delegado Hoffman D'Ávila Cândido.
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Em nota enviada ao Campo Grande News, a instituição afirmou que a CDA (Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados) acompanha as diligências da Operação Infiltrados e da Operação Obstructio. A OAB afirmou que adotará as “medidas legais cabíveis, inclusive de natureza disciplinar, respeitando o direito à ampla defesa e ao contraditório”.
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Amilton foi preso pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) durante a Operação Obstructio, que investiga o vazamento de dados da Operação Infiltrados, ação que desmantelou uma organização criminosa envolvida no desvio de drogas com participação de policiais. O advogado representava o delegado Hoffman D'Ávila, apontado como um dos líderes do esquema.
O advogado foi detido em sua residência, na Vila Albuquerque, onde foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Em seguida, foi levado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada). Nesta quarta-feira (30), passou por audiência de custódia no Fórum de Campo Grande, onde a prisão preventiva foi mantida.
Na ocasião, cerca de 40 advogados acompanharam a audiência em protesto contra a prisão, alegando violação das prerrogativas da advocacia criminal e classificando a medida como ilegal.
Para tomar um café – Segundo o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), há “evidências já materializadas” do que o órgão classifica como “comunicação criminosa” do vazamento da ação policial. Conforme os promotores, o repasse das informações sigilosas atrapalhou diretamente o andamento das investigações do Gaeco.
A advogada Damares Costa Machado, que representa Amilton, afirmou que o cliente havia apenas combinado de tomar café com Hoffman por volta das 5h. O horário, segundo a defesa, era habitual porque ambos costumavam caminhar juntos no início da manhã. Após o encontro, Hoffman não retornou para casa e acabou se apresentando voluntariamente à tarde, na Corregedoria da Polícia Civil.
Na quinta-feira passada (24), quando o delegado se apresentou, Amilton declarou ao Campo Grande News que a saída de Hoffman pouco antes da chegada dos policiais do Gaeco fora “pura coincidência” e negou que houvesse vazamento de informações.
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