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Campo Grande, Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018

20/02/2018 07:36

Yoga vai parar no presídio e faz mulheres pensarem no futuro longe da prisão

Atualmente, 50 mulheres participam da atividade uma vez por semana

Thailla Torres
Mulheres com diferentes histórias, se unem para aula de yoga que as levam a um mundo diferente no presídio. (Foto: André Bittar)Mulheres com diferentes histórias, se unem para aula de yoga que as levam a um mundo diferente no presídio. (Foto: André Bittar)

A cada aula, elas tentam movimentos mais intensos e desafiadores. É assim há quatro semanas, no Presídio Feminino Irmã Irma Zorzi, onde mulheres com diferentes histórias se unem para aulas de yoga.

Ao fechar os olhos para a meditação, Luiza Simone Jesus, de 41 anos, diz que reflete sobre tudo o que a deixou presa no tempo. "Ajuda a colocar a cabeça no lugar, mas sem desespero, porque quando a gente chega aqui é muito desesperador", explica ao fazer os movimentos de yoga pela primeira vez na vida.

Luiza encontra forças para não perder as esperanças. (Foto: André Bittar)Luiza encontra forças para não perder as esperanças. (Foto: André Bittar)

A novidade veio como presente na véspera do aniversário de Luiza, comemorado hoje (20). Ela ainda não sabe quem vai abraçá-la, mas com a prática ficou mais confiante. "Sorte que aqui dentro tem muita gente de bom coração".

Luiza tem quatro filhos e cinco netos a esperando do lado de fora. Há 35 dias, aguarda uma resposta de como será o futuro ali dentro. Como tantas outras mulheres, chegou na prisão por envolvimento com tráfico. É cozinheira profissional há anos, mas viu nas drogas a chance de ganhar dinheiro mais rápido, uma "oportunidade" que durou pouco tempo. "Foi uma besteira na vida. Se eu me arrependo? Muito, mas sei o que eu fiz e vou pagar pelo meu erro".

Nesse momento o yoga traz força, que atrás das grades ela não encontra. "Não é fácil, porque a gente fica pensando em tudo que fez e se desespera, vem a dor. Na hora que você relaxa parece os pensamentos bons aparecem..."

Flaviane diz que mantém o controle. (Foto: André Bittar)Flaviane diz que mantém o controle. (Foto: André Bittar)

O yoga ajuda a manter o controle, diz Flaviane Nunes Lima, de 21 anos, que faz a aula desde o primeiro dia como forma de amenizar a angústia que diz sentir há 7 meses. "Me sinto mais mais calma e me traz um controle. No início senti algumas dores, mas ajuda muito", garante.

Flaviane ainda aguarda julgamento. É de Rondônia, tem um filho de 2 anos e começou a ver no yoga, uma resposta para um futuro diferente dentro e fora do presídio. "Quando eu cheguei aqui, a primeira coisa que você escuta é: bem vinda ao inferno. Eu só ficava na cela e até arrumava encrenca. Mas isso tem me ajudado muito na convivência".

As técnicas que envolvem postura e respiração estão ajudando a tornar o ambiente  do presídio mais tranquilo, garante o professor de yoga Marco Antônio Gerevini, de 39 anos, idealizador do projeto.

As atividades são voluntárias e a iniciativa nasceu de uma conversa do professor com a promotora Renata Goya, da 50ª Promotoria de Justiça, para levar a prática ao presídio.

"Isso tem resultado. De acordo com o que elas passam para gente, estão ficando mais calmas e tranquilas. O sistema prisional é um ambiente pouco favorável para pensamentos construtivos e positivos e com o yoga, elas também revêm conceitos na vida".

O projeto vai até dezembro e conta com a participação de 50 mulheres. A aula tem duração de 30 minutos, com alongamentos, respiração, meditação e posturas que ajudam na flexibilidade, força e equilíbrio.

Atualmente, 329 mulheres estão no Presídio Feminino Irmã Irma Zorzi.

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O projeto vai até dezembro e conta com a participação de 50 mulheres, entre elas, 4 gestantes. (Foto: André Bittar)O projeto vai até dezembro e conta com a participação de 50 mulheres, entre elas, 4 gestantes. (Foto: André Bittar)


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