ACOMPANHE-NOS    
JULHO, SÁBADO  04    CAMPO GRANDE 21º

Consumo

Nostalgia com aniversários antigos muda olhar para comemorações

Fala a verdade: quem aí sente saudade daquela festinha de aniversário em que família passava o dia todo organizando?

Por Thailla Torres | 26/05/2020 07:05
O biólogo e empresário Marcelo Rezende guarda doces lembranças das festinhas em casa.
O biólogo e empresário Marcelo Rezende guarda doces lembranças das festinhas em casa.

Hoje não é dia de #TBT, mas bem que as fotos caberiam. As imagens mostram como tudo era esperado com ansiedade em uma época que ter uma festa de aniversário custava muito dinheiro e contratar um decorador era privilégio. As comemorações eram registradas com orgulho, principalmente pelo trabalho da família, maioria das mães, que dedicavam horas ou dias na preparação de cada detalhe.

O biólogo e empresário Marcelo Rezende lembra bem desse tempo, e revirar o álbum de fotografias neste período de quarentena fez ele criar novos caminhos para a profissão, principalmente diante da pandemia, que exigem apenas comemorações em família, longe das aglomerações. Há alguns anos trabalhando com decorações de festa, ele disse que agora é oportunidade de ressignificar esses momentos para doces lembranças.

“Não é só chegar no salão e ter a festa pronta. Você pode contratar um decorador, também, para comemorações em casa, contando ainda com a participação e o olhar da família. Sinto que é um momento de resgatar as relações que se tinham com esse tipo de confraternização”, explica.

Revirar o álbum fez Marcelo voltar no tempo. As fotos encaixam certinho na saudade. O gosto da bala de coco enrolada no papelzinho de seda até parece surgir na boca, principalmente, ao lembrar como era doce cada momento de preparação das festinhas que a mãe, que sempre amou cozinhar, nunca abriu mão de fazer, tivesse ou não tivesse dinheiro suficiente.

Revirar o álbum fez Marcelo voltar no tempo. As fotos encaixam certinho na saudade.
Revirar o álbum fez Marcelo voltar no tempo. As fotos encaixam certinho na saudade.

“Em casa somos em três irmão, com diferença de três meses para cada aniversário. Ou seja, de três em três meses tinha uma festinha em casa. Minha mãe era quem preparava toda a festa, ela fazia os salgados ao longo da semana e ia congelando, cuidava do bolo e da decoração. Às vezes, para o serviço não ficar tão pesado, as vizinhas ajudavam nos preparativos”.

O bolo era sempre decorado, as balinhas e os docinhos não faltavam, a decoração colorida mudava a cada ano, mas o balão se repetia, como companhia indispensável a cada comemoração. “Foram anos inesquecíveis, isso me fez lembrar de quando eu ajudava a enrolar a bala de coco, escrevia à mão os convites para entregar aos amigos e de toda aquela atmosfera que era criado pela própria família”.

Na visão de Marcelo, esse sentimento não precisa excluído mesmo que você opte contratar um profissional, pelo contrário, a participação e o diálogo sobre desejos na hora de fazer uma festa é garantia de uma comemoração com mais personalidade, afetividade e reconexão com a própria história.

“Sinto que esse momento que estamos vivendo é algo que tem feito as pessoas prestarem mais atenção nesses momentos”, explica.

No Dia das Mães, por exemplo, Marcelo preparou uma mesa de comemoração pequena, mas sem ser simplista. Com cenografia preparada através de objetos que se tem em casa, reforçando a personalidade da família. “Sinto que esse também é um novo formato, festas que cabem em poucos metros, para poucas pessoas. E o decorador ainda pode trabalhar com o que ele oferece e o que também tem significado para a família, ou seja, em qualquer espaço, é possível ter uma produção bacana e com acabamento profissional, mas sem deixar de lado o olhar da própria família”.

“Foram anos inesquecíveis, isso me fez lembrar de quando eu ajudava a enrolar a bala de coco, escrevia à mão os convites para entregar aos amigos e de toda aquela atmosfera que era criado pela própria família”, diz o biólogo.
“Foram anos inesquecíveis, isso me fez lembrar de quando eu ajudava a enrolar a bala de coco, escrevia à mão os convites para entregar aos amigos e de toda aquela atmosfera que era criado pela própria família”, diz o biólogo.