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Diversão

Professor encontra jeito divertido de ensinar e tirar criança do tédio

Num cenário improvisado, Eduardo usa o celular para gravar vídeos de histórias populares e mexer com imaginação da criançada

Por Alana Portela | 06/07/2020 06:30
Eduardo Alcântara segurando a boneca e a baleia de papel (feito por Luiz Carvalho) usada na gravação. (Foto: Arquivo pessoal)
Eduardo Alcântara segurando a boneca e a baleia de papel (feito por Luiz Carvalho) usada na gravação. (Foto: Arquivo pessoal)

Um pufe amarelo da sala virou cenário para Eduardo Alcântara fazer vídeos sobre histórias populares brasileiras, em Campo Grande. Aos 29 anos, o professor e arte-educador resolveu improvisar dentro de casa, para fazer os alunos seguirem com o aprendizado à distância. A ideia é uma “válvula de escape” para evitar o tédio da quarentena e mexer com a imaginação da criançada.

“Estava muito deprimido, passava mais tempo deitado. Mas, agora está sendo bom porque estou conseguindo respirar mais, saindo desse sentimento [tristeza] e ficando mais empolgado. Faço isso pelos meus alunos, penso nessas crianças. Às vezes, eles não têm televisão a cabo, onde tem mais opções de conteúdo. Os vídeos são para que possam ter esse contato com a arte e também para manterem o nosso vínculo, pois estão me vendo”, explica.

O rolinho de papel higiênico usado como tripé e a luminária iluminando o puff amarelo, que virou um cenário improvisado para gravação. (Foto: Arquivo pessoal)
O rolinho de papel higiênico usado como tripé e a luminária iluminando o puff amarelo, que virou um cenário improvisado para gravação. (Foto: Arquivo pessoal)

Eduardo é professor da rede pública de ensino e está isolado desde março deste ano, após o coronavírus chegar à Capital e paralisar as aulas presenciais. No entanto, não deixou de trabalhar e de casa, passou a fazer vídeos para ensinar e ajudar os alunos a enfrentarem esse período de caos. “Fomos estimulados a produzir conteúdo para as crianças e quis ir para esse lado do teatro. Alguns alunos de escola pública nunca foram ao teatro, nunca viram uma peça e, às vezes, nem conhecem as histórias populares brasileiras”.

O professor é formado em Artes Visuais e se considera um brincante. A arte já faz parte de sua história, pois quando criança foi aluno da Casa de Ensaio – uma escola que promove trabalho social voltado a educação e cultura. “De aluno passei a dar aula lá. Foi um local muito importante na minha vida, mas, em 2015, deixei de fazer parte do projeto”.

Por lá, aprendeu muito sobre como ser criança e usar as brincadeiras e história a favor da infância. Agora, afastado das salas de aula, Eduardo começou a pensar em formas divertidas para ensinar os alunos e recordou da época de criança. “Retornou várias lembranças do passado, como Castelo Rá-Tim-Bum e outras produções que usavam bonecos. Estou tentando resgatar as brincadeiras, fantasias mais antigas, pois cresci vendo esses conteúdos”.

Entre uma lembrança e outra, o professor resolveu criar alguns bonecos de papel para dar início as gravações. O primeiro vídeo foi uma contação de história falando sobre a aventura do “Sapo Bocarrão”, de Keith Faulkner.

Uma luminária foi usada para dar mais efeito ao teatro com os personagens lúdicos. Sem muito equipamento para a produção, o professor transformou um rolinho de papel higiênico em tripé e filmou tudo com o celular. “Estou recebendo um feedback incrível”, afirma.

O saci-pererê virou boneco de pano para a série de folclore. (Foto: Arquivo pessoal)
O saci-pererê virou boneco de pano para a série de folclore. (Foto: Arquivo pessoal)

Notando a repercussão do trabalho, ele criou o projeto “Edu Brincante”, e agora conta com a parceria de Luiz Carvalho para a produção dos bonecos. “Está criando os personagens para mim”, diz. Com os materiais feitos pelo amigo, o professor contou e cantou a história “A menina do anel”, de Bia Bedran.

O boi da cara preta também vai ser personagem dos vídeos. (Foto: Arquivo pessoal)
O boi da cara preta também vai ser personagem dos vídeos. (Foto: Arquivo pessoal)

Criatividade é o que não falta para Eduardo e a cada produção, mais ideias surgem. Para agosto, ele já está preparando produções folclóricas e conta com as habilidades da amiga, Driely Alves, que está confeccionando os bonecos para as gravações,  como o saci-pererê e o boi da cara preta.  “Quero criar uma série sobre folclore, estou fazendo vídeos puxando para a arte popular do Brasil. A importância maior é levar o diferente, essas histórias simples, emocionantes, que criam fantasia e estimulam a imaginação”, frisa.

Os vídeos são curtos e dinâmicos, e conseguem prender a atenção da garotada. O resultado também tem sido positivo. “Recebo áudio das mães e até das crianças falando que adoraram assistir e isso não tem preço. É algo que me emociona”, destaca.

Além das contações de histórias, o professor também quer fazer brincadeiras para que os alunos possam se divertir sem sair de casa. Os conteúdos estão sendo postados na internet e dá para acompanhar através do Instagram @edubrincante e do canal do Youtube do projeto Edu Brincante.