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Campo Grande, Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019

24/01/2019 09:00

Método de alimentação sem papinha é autonomia desde cedo para os bebês

A introdução alimentar participativa tem conquistado os pais que querem abrir mão dos alimentos batidos aos filhos

Thailla Torres
O filho de Maíra, super feliz com a alimentação participativa. (Foto: Arquivo Pessoal)O filho de Maíra, super feliz com a alimentação participativa. (Foto: Arquivo Pessoal)

Só quem é pai muito antenado já ouviu falar em BLW (Baby-led weaning), o método de introdução alimentar em que o bebê leva sozinho a comida à boca. Essa maneira de apresentar os alimentos vem ganhando força. O que muda? Uma refeição em família e a chance de ver, de perto, a autonomia dos bebês despertando bem cedo.

Por aqui, o método mais utilizado é Introdução Alimentar Participativa, em que os adultos participam desse momento ao lado das crianças, auxiliando, se for necessário, com os alimentos que chegam à mão dos pequenos. Com isso, a tradicional papinha ficou obsoleta na hora da refeição.

Mas, para alguns pais, esse processo não é simples. A bancária Carla Guazina Kolaceke, de 36 anos, sentiu dificuldades em introduzir sozinha uma alimentação que não fosse pastosa. "A introdução alimentar do Caio iniciou, aos 6 meses, com a orientação da pediatra. Mas, não deixava o Caio pegar no alimento, dava com a colher de silicone e não consegui evoluir por falta de conhecimento, técnica e coragem. Tinha medo dele se engasgar".

Essa foto mostra a evolução da consistência do alimento. É muito importante para que a criança esteja apta a comer a comida da família com 1 ano.Essa foto mostra a evolução da consistência do alimento. É muito importante para que a criança esteja apta a comer a comida da família com 1 ano.
Com seis meses, o pequeno Caio começou a comer alimentos com as próprias mãos. (Foto: Carla Guasina)Com seis meses, o pequeno Caio começou a comer alimentos com as próprias mãos. (Foto: Carla Guasina)

Carla então buscou ajuda. No consultório, o primeiro passo foi se sentir segura em relação ao alimento e a competência instintiva do bebê em mastigar mesmo sem dentes. No começo, o alimento passou a ser picado em pedaços pequenos e o filho Caio, à época, com 6 meses, começou a pegá-lo com as próprias mãos. "No início, ele não o levava à boca. Não reconhecia como alimento, mas, em 3 dias, já estava comendo sozinho. Essa autonomia o deixou muito feliz, vibrava na hora do “papa”. O próximo passo foi entregar a fruta inteira, por exemplo a pêra, e picar os alimentos em pedaços médios".

Exemplos como os de Carla são frequentes no consultório da nutricionista Maíra Zomkowski Ozorio, educadora alimentar em BLW e cursa especialização em Nutrição Materno Infantil. "Isso foi um avanço muito grande. Acredito que, no futuro, essa alimentação batidinha vá diminuir. No começo, as famílias que não procuram auxílio ficam inseguras e, às vezes, essa sensação passa para a criança, por isso, é importante ter um acompanhamento".

Os avanços surgiram com a necessidade de enfrentamento a resistência das crianças com a alimentação. Isso acontece porque, normalmente, com a papinha, as crianças comem apenas um sabor. "E quando chega perto de 1 ano de idade, ela tem que começar a comer a comida da família, mas tem dificuldade em aceitar alimentos separados porque sempre só conheceu um sabor, e não teve o processo de mastigação desde os 6 meses".

Método de alimentação sem papinha é autonomia desde cedo para os bebês
Método de alimentação sem papinha é autonomia desde cedo para os bebês

Os primeiros passos simples, ao invés de bater a comida, a orientação é picar em pequenos pedacinhos. Em seguida, aumente os tamanhos e permita que a criança pegue os alimentos com as mãos. O que exige nesse rotina é paciência, explica a especialista. "Para fazer isso é necessário ter uma disposição, o que não é a realidade de muitas famílias, porque muitos pais algumas deixam a criança na creche devido ao trabalho e, com isso, poucas famílias conseguem fazer o original o método. Mas aos pouquinhos, o método faz toda a diferença".

O engasgo é o medo mais comum dos pais, para isso basta observação e respeito pelos limites da criança. "A família precisa se preocupar com a qualidade dos alimentos do filhos, e quem dita a quantidade são as crianças. Porque o maior engano é achar que a criança está comendo muito pouco. A partir do momento que ela nega, faz carinha ou chora, significa que ela já está saciada. E observar isso é muito importante".

No nascimento da primeira filha, Maíra não tinha conhecimento e nem especialização sobre o método, mas, com a chegada do segundo, a experiência foi transformadora. "No primeiro momento não se falava muito, por isso, sempre dei  o alimento amassadinho. Com a chegada do segundo foi ótimo, é sempre muito interessante ver a autonomia dos bebês para comer".

Mãe do Yan, de 1 ano, a farmacêutica Carolina Ozorio, de 35 anos, iniciou a alimentação do filho aos 6 meses, mas se sentiu insegura como maior parte dos pais. "Por isso porte pelo método participativo", diz. "Mas o interessante é que os pais aprendem muito, porque no início, a gente acha que vai dar um alimento e o bebê já vai sair comendo, mas gente vê que não pode criar expectativas, é preciso paciência".

Carolina observou e registrou o passo a passo do filho. "A experiência foi muito interessante quando vi que ele reconhece os alimentos, a evolução do trabalho sensorial dele ao pegar, cheiras e observar o alimento antes de leva-lo à boca. Por isso, é preciso muita paciência, esperar o tempo dos pequenos e entender que cada momento são fazes", explica a mãe.

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