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Campo Grande, Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

09/05/2017 07:58

Conheça Panther, projeto de console de 32bit da Atari para desbancar Mega e Snes

Edson Godoy e Micael XBr
Um dos kits de desenvolvimento do Panther.Um dos kits de desenvolvimento do Panther.
Anúncio feito para a imprensa pela Atari, mostrando as especificações técnicas do futuro console.Anúncio feito para a imprensa pela Atari, mostrando as especificações técnicas do futuro console.

No capítulo de hoje do nosso especial História do Videogame, vamos voltar ao final da década de 80, época em que o console dominante no mundo era o Nintendinho, o Famicom em terras nipônicas. Nesta época a SEGA lançava o Mega Drive, console de 16bit que anos depois faria muito sucesso nos Estados Unidos, Europa e Brasil. Enquanto isso a Atari planejava suas próximas cartadas. A empresa não era mais a mesma: seus últimos consoles e micros não faziam o sucesso retumbante de outrora – em especial nos tempos do Atari 2600, quando a empresa davas as cartas no mercado – e a gigante Warner Communications não comandava mais a empresa há anos, estando ela nas mãos da família Tramiel, conhecidos por serem ex-donos da Commodore, empresa criadora da linha de micros Amiga.

Nessa época, os últimos consoles de mesa da empresa haviam sido o Atari 7800 (veja reportagem) e o Atari XE Game System – XEGS, uma versão consolizada da linha de microcomputadores de 8bit da Atari, ambos incapazes de fazer cócegas ao poderio da Nintendo na época. No ramo dos portáteis, a empresa apostou alto e em 1989 lançou o Atari Lynx (veja reportagem), o primeiro portátil colorido da história, muito à frente de seu tempo, através de um projeto de codinome Handy, da empresa Epyx. E nos micros, a Atari tinha o ST, que vendia bem nos Estados Unidos e na Europa. Faltava então um console para brigar com o recém-chegado Mega Drive e com o futuro sucessor do Nintendinho, o Super Nintendo. É aí que entra o Panther.

 

As entranhas do protótipo. As entranhas do protótipo.
Maquete de como seria versão comercial do Atari. Maquete de como seria versão comercial do Atari.

Sua história é bastante controversa. Muito do que se tinha como verdade até então foi contradita recentemente em uma rede social por um dos membros da família Tramiel, Leonard. Se dizia que a Atari buscou criar uma versão bombada do Atari XE, chamada de Super XE, que reuniria elementos do Atari ST. Mas o projeto ainda não estava bom o suficiente. Entra no cenário então uma empresa chamada Flare II, contratada pela Atari para melhorar o projeto, que passou a se chamar Panther em razão de ser o nome do carro (Panther Kallista) da esposa de um dos engenheiros da Flare II, Martin Brennan, criador do chip Panther que passou a fazer parte do projeto do console. Mas o papel principal da Flare II era colocar em prática o seu próprio projeto: o Jaguar.

Segundo Leonard Tramiel, o projeto do Panther não se baseava em nenhum projeto já existente, ao contrário do que se acreditava. Leonard também disse que o Panther era tratado na empresa como um plano B ao Jaguar. Tanto que o felino de 64bit da Atari avançava rapidamente em seu processo de desenvolvimento, enquanto que o Panther estacionava em seus protótipos não funcionais. Esta é também outra novidade trazida pelas recentes declarações de Leonard: segundo ele o Panther nunca chegou a ter um protótipo funcional e por isso não existe software de verdade para ele – acreditava-se até então que jogos como Cybermorph e Crescent Galaxy, ambos da primeira leva do Jaguar, teriam sido inicialmente desenvolvidos para o Panther. Aliás, Leonard disse que o primeiro chip Panther possuía severos bugs que nunca foram consertados.

Porém diversos desenvolvedores renomados e ex-funcionários da Atari dizem o contrário. Há alguns anos atrás, o historiador inglês Kieren Hawken entrevistou pessoas como Jeff Minter (criador do jogo Tempest 2000, um dos maiores sucessos do Jaguar), Martin Hooley (da softhouse Imagitec Design), Fred Gill (da softhouse ATD, criadora de Cybermorph) and Darryl Still (Gerente de Marketing da Atari no Reino Unido e Gerente de Produto do Lynx e do Jaguar). Todos afirmam terem visto a máquina operacional, sendo que os desenvolvedores em questão chegaram a trabalhar nela, criando jogos como Cybermorph e Panther Pong (este último acabou virando um bônus no jogo Defender 2000 do Jaguar).

Essa mesma placa do suposto protótipo mostra uma arquitetura diferente do que foi anunciado posteriormente pela própria Atari, em um release feito para a imprensa. Nela estão todas as especificações que o futuro console teria, como um processador central M68000 – da mesma família do Mega Drive, e um processador gráfico / de objetos de 32bit. Leonard trouxe informações importantes sobre o hardware do Panther: ele possuía pouquíssima memória RAM, item que encarecia bastante os produtos eletrônicos na época, com a ideia de que o console praticamente não utilizasse esse tipo de memória, trazendo uma memória ROM no próprio console carregada com sprites e texturas, que seriam utilizadas de forma dinâmica, sem necessidade de qualquer tipo de carregamento. Segundo Leonard, games como Crescent Galaxy e Raiden se beneficiariam dessa técnica, porém o console seria incapaz de criar algo como Cybermorph.

Outros dois pontos bastante interessantes revelados por Leonard foi que o Panther não seria retrocompatível com nenhum sistema anterior da Atari, praticamente um recomeço para a empresa. E que o esquema de processador de objetos do Panther foi otimizado e utilizado no Atari Jaguar. O Panther era pensado para ser uma poderosa máquina 2D, mas segundo Leonardo, o plano A da Atari – o Jaguar – fazia isso e muito mais, razão pela qual não havia mais motivo para seguir desenvolvendo o Panther, focando totalmente a atenção da empresa no console de 64bit.

Interessante citar Darryl Still, um dos chefes da Atari na Europa: "eu nunca soube as verdadeiras razões negociais por trás do cancelamento do Panther. É factível pensarmos que foi umas das principais razões para o insucesso do Jaguar. Se tivéssemos lançado o Panther com um bom estoque e uma boa linha inicial de jogos, teria facilitado e muito nossas relações com os desenvolvedores e as publishers. Mas é claro, poderia também significar que cometeríamos os erros do Jaguar mais cedo e não conseguíssemos nem lançar o console de 64bit depois". A história do Jaguar nós já contamos aqui e marcou o fim da clássica Atari em 1996. Abaixo você pode conferir os vídeos especiais que fizemos sobre o último console dessa icônica empresa. E terminamos assim mais um capítulo do nosso especial “História do Videogame”. Em breve contaremos aqui a história de mais um console dessa rica história de mais de 40 anos de videogames.

Visite o Vídeo Game Data Base, o museu virtual brasileiro dos videogames.




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