Suinocultura de MS aposta na Rota Bioceânica para incrementar vendas para a Ásia
Corredor logístico pode aumentar competitividade e impulsionar exportações

A suinocultura de Mato Grosso do Sul aposta na entrada em operação da Rota Bioceânica para ampliar exportações à Ásia e transformar um setor ainda concentrado no mercado interno em nova frente de crescimento internacional. Hoje, o estado exporta somente entre 3% e 4% do que produz, apesar de possuir o quarto maior rebanho suíno do país.
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A suinocultura de Mato Grosso do Sul aposta na Rota Bioceânica para ampliar exportações à Ásia. O estado tem o quarto maior rebanho suíno do país, com 125 mil matrizes e 3,75 milhões de animais abatidos em 2025, mas exporta apenas entre 3% e 4% da produção. No primeiro trimestre de 2026, foram exportadas 6,208 mil toneladas para 19 países, gerando receita de US$ 14,364 milhões, sendo as Filipinas o principal destino.
São 125 mil matrizes reprodutivas e, no ano passado, Mato Grosso do Sul abateu, segundo a Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), 3,75 milhões de animais. Apesar dessa dimensão, a maior parte da produção segue destinada ao consumo interno.
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Segundo o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), no primeiro trimestre de 2026, o estado exportou 6,208 mil toneladas para 19 países, obtendo receita de US$ 14,364 milhões. O principal destino foi as Filipinas, com 1,984 mil toneladas, o equivalente a 32% do total embarcado, e faturamento de US$ 4,103 milhões, ou 28,6% da receita.
No acumulado de janeiro a março, a Ásia foi o continente que mais comprou carne suína sul-mato-grossense. Foram 4,052 mil toneladas, 65,3% do volume exportado, resultando em receita de US$ 9,951 milhões, o equivalente a 69,3% do total.
A rota é uma megaestrada com mais de 2,4 mil quilômetros que liga os oceanos Atlântico ao Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, é o portal brasileiro do corredor. A expectativa dos quatro países é que a ligação se transforme em grande via de escoamento de produtos e importação de mercadorias entre a América do Sul e os mercados asiáticos, com possibilidade de redução de até 30% nos custos e de até 15 dias no tempo de transporte frente a rotas marítimas tradicionais, como o Canal do Panamá.
“Hoje a carne suína é a mais consumida no mundo. E entre os países asiáticos é o que eles mais comem. Com a Rota Bioceânica, diminuindo de 12 até 17 dias de deslocamento de navio na exportação para esses países, nós vamos ser muito competitivos. Hoje, nossas exportações são feitas por Santa Catarina, mas com a rota mudamos a logística e, com a crescente melhoria da produtividade de grãos, nós ficamos em primeiro lugar em competitividade e temos tudo para crescer muito”, projeta o presidente da Asumas (Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores), Renato Leandro Spera.
Duas obras fundamentais para viabilizar o corredor devem ser concluídas nos próximos meses. A Ponte da Bioceânica, que liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai, está com 89% dos trabalhos executados e a previsão é de conclusão no segundo semestre deste ano.
Já a pavimentação do terceiro trecho da rota no Paraguai, com 224 quilômetros da rodovia PY-15 entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, deve ser finalizada até janeiro de 2027, conforme o MOPC (Ministério das Obras Públicas e Comunicações do Paraguai).
Nesta quinta-feira (23), durante encontro de lideranças da cadeia produtiva, Spera destacou que Mato Grosso do Sul reúne todos os elos do segmento, da genética à nutrição, passando pela produção e abate.
“Lá atrás, se voltarmos 25 anos, tínhamos somente dois polos de produção isolados, em Dourados e São Gabriel do Oeste. E isso foi crescendo, cada polo desse. Hoje, onde está o principal rebanho do estado, está em Glória de Dourados. Depois temos Dourados, Jateí, São Gabriel... E assim sucessivamente. Esses polos foram crescendo em matrizes, em granjas de creche, em recria e terminação. Hoje temos também uma central de genética, de produção de sêmen para Mato Grosso do Sul, estados vizinhos e com potencial para exportação. Temos agora Sidrolândia crescendo. Com o sistema de integração em cooperativa muitos produtores têm sido atendidos e temos avançado de maneira sólida”, concluiu.
Entretanto, ele aponta que ainda existem desafios a serem superados pela atividade. “Mão de obra qualificada em primeiro lugar. As granjas estão atingindo um nível tecnológico muito grande, então precisamos de pessoas capacitadas e de parcerias, como o Senar/MS, por exemplo, para fazer isso. Também precisamos de estrutura nos municípios para atender as pessoas que vão trabalhar com a atividade. Saúde, escola para as crianças. E precisamos também continuar nos preocupando com aspectos como o bem-estar animal e a preservação do meio ambiente, porque tudo isso assegura a sustentabilidade da atividade”.


