JBS interrompe produção para China e concentra operação nos embarques
Cota chinesa perto do limite vai levar a empresa a redirecionar carne para outros mercados
A JBS, maior empresa de processamento de carne do mundo e que mantém cinco unidades em Mato Grosso do Sul por meio da marca Friboi, deve interromper, a partir deste sábado (20), a produção de carne destinada ao mercado chinês e concentrar esforços nas operações de embarque para o país.
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A JBS vai suspender, a partir deste sábado, a produção de carne destinada à China e concentrar-se apenas nos embarques, devido à proximidade do limite de 1,106 milhão de toneladas da cota chinesa para 2026. Segundo o CEO da Friboi, Renato Costa, a taxa sobre importações pode subir de 12% para 67% após o esgotamento da cota, tornando as vendas inviáveis. A empresa diz que redistribuirá o volume para outros mercados.
A informação foi divulgada pelo CEO da Friboi, Renato Costa, durante o FIAP (Fórum Internacional da Agropecuária), realizado na Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande.
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Segundo o executivo, a medida está sendo adotada porque a cota estabelecida pelo governo chinês para a compra de carne bovina brasileira em 2026, de 1,106 milhão de toneladas, está próxima de ser atingida.
A cota integra o mecanismo de salvaguarda aplicado pela China às importações de carne bovina. As compras realizadas dentro do limite estabelecido são tributadas em 12%. Após o esgotamento da cota, as importações passam a pagar uma sobretaxa adicional de 55%, elevando a tributação total para 67%.
“As linhas específicas para a China já tiveram uma diminuição de produção. Os embarques estão programados até outubro e assim vai seguir. Nós estamos organizados para, a partir do dia 20, só concentrar nos embarques, não na produção. Definir os portos, organizar, porque, se chegar fora da cota, tem uma sobretaxa muito alta.”
Renato Costa afirmou ainda que não acredita em uma ampliação da cota ainda em 2026. “Não enxergamos a ampliação da cota, porque nós nem fechamos o ano. Porque a China enxerga o Brasil como um dos exportadores. São 2,660 milhões de toneladas. Destas, 1,106 milhão do Brasil. Os demais países, se eles cumprirem a cota, e a gente acha que ela foi um pouco desproporcional na distribuição, aí o chinês vai ver que entrou aquele volume no ano e dizer: ok. Se não vimos, e inclusive já pedimos ao ministro André de Paula (Agricultura e Pecuária), que quem não cumpriu a cota, se faça a redistribuição da cota. Vemos isso como uma possibilidade, mas dentro deste ano, não.”

A JBS mantém unidades da Friboi em Mato Grosso do Sul, um dos principais estados exportadores de carne bovina do país. O mercado chinês é o principal destino da proteína bovina brasileira e responde por parcela significativa das exportações sul-mato-grossenses.
Sobre como o fim da cota pode afetar o mercado global, o executivo explicou que o volume deixará de ser destinado à China, mas será redistribuído para outros mercados atendidos pela companhia.
“Até falei em um evento recente em Nova York. Nós temos 34 plantas de abate, sendo 18 habilitadas para a China e outros mercados. O mercado interno tem crescido muito. Como empresa JBS, não vemos impacto no volume. Preço aí é o mercado que vai ditar, mas vemos que o volume nós redistribuímos isso como empresa.”
Apesar da interrupção da produção voltada ao mercado chinês, Costa afirmou que a companhia não prevê redução no volume total comercializado, uma vez que a carne poderá ser direcionada a outros mercados internacionais ou absorvida pelo mercado interno.


