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Lado Rural

Centro-Oeste retoma liderança agrícola e MS movimenta R$ 47,8 bilhões

Valor da produção sul-mato-grossense cresce 33,9%; soja, milho e cana concentram 93% da receita do campo

Por José Cândido | 18/09/2026 06:17
Centro-Oeste retoma liderança agrícola e MS movimenta R$ 47,8 bilhões
Soja liderou as lavouras sul-mato-grossenses, com receita de R$ 25,1 bilhões. (Foto Gilson Abreu/AEN)

O Centro-Oeste voltou a ocupar o posto de maior força agrícola do Brasil, e Mato Grosso do Sul teve papel importante nessa arrancada. O valor da produção das lavouras sul-mato-grossenses chegou a R$ 47,8 bilhões em 2025, crescimento nominal de 33,9% na comparação com os R$ 35,7 bilhões registrados no ano anterior.

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Mato Grosso do Sul registrou valor de produção agrícola de R$ 47,8 bilhões em 2025, crescimento de 33,9% em relação ao ano anterior, ocupando a oitava posição no ranking nacional e respondendo por 5,2% dos R$ 927,2 bilhões movimentados pelas lavouras brasileiras, segundo o IBGE. Soja, milho e cana-de-açúcar concentraram 93% desse resultado.

Com o resultado, Mato Grosso do Sul alcançou a oitava posição entre os estados com maior valor de produção agrícola do País. O Estado respondeu por 5,2% dos R$ 927,2 bilhões movimentados pelas lavouras brasileiras, segundo a Pesquisa da Produção Agrícola Municipal do IBGE.

A recuperação foi ainda mais forte no conjunto do Centro-Oeste. A região movimentou R$ 288 bilhões, alta de 31,8%, e ultrapassou o Sudeste, que havia liderado o levantamento em 2024. Sozinho, o Centro-Oeste concentrou 31% de toda a receita agrícola brasileira.

Mato Grosso permaneceu na liderança nacional, com R$ 165,6 bilhões, seguido, dentro da região, por Goiás, com R$ 72,7 bilhões. Mato Grosso do Sul aparece em terceiro, com R$ 47,8 bilhões, e o Distrito Federal soma R$ 1,9 bilhão.

O avanço de Mato Grosso do Sul passou principalmente pela recuperação da soja e do milho. A soja gerou R$ 25,1 bilhões, aumento de 30,4% em um ano. O milho quase dobrou de valor: saltou de R$ 6,1 bilhões para R$ 11,3 bilhões, crescimento de 83,4%.

A cana-de-açúcar completou o grupo das culturas bilionárias, com R$ 8,1 bilhões. Somadas, soja, milho e cana responderam por aproximadamente 93% do valor de toda a produção agrícola estadual. O dado mostra a força dessas culturas, mas também revela o alto grau de concentração da agricultura sul-mato-grossense em poucas commodities.

Outros produtos tiveram participação menor, embora relevante para economias regionais. A mandioca movimentou R$ 871,6 milhões; o algodão, R$ 695 milhões; e o amendoim, R$ 536 milhões. Também houve crescimento do sorgo, da borracha, do arroz e do trigo.

Maracaju entra no grupo dos gigantes

No mapa municipal, Maracaju reafirmou sua posição como principal potência agrícola de Mato Grosso do Sul. O município movimentou R$ 3,8 bilhões em 2025, alta de 60,9% sobre o ano anterior, e alcançou o 15º lugar no ranking nacional.

Ponta Porã ficou em segundo no Estado, com R$ 2,8 bilhões, seguida por Sidrolândia, também com R$ 2,8 bilhões. As duas cidades aparecem, respectivamente, nas posições 29 e 30 entre os municípios de maior valor agrícola do Brasil.

Rio Brilhante, com R$ 2,3 bilhões; Costa Rica, com R$ 2,2 bilhões; Dourados, com R$ 2,2 bilhões; e Chapadão do Sul, com R$ 2,1 bilhões, completam o grupo de municípios sul-mato-grossenses que superaram a marca de R$ 2 bilhões.

No País, o valor da produção agrícola cresceu 18,4% e atingiu o maior patamar da série histórica. A safra de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou ao recorde de 345,4 milhões de toneladas. Soja, milho e arroz representaram 92,4% desse volume.

A soja, sozinha, movimentou R$ 315,2 bilhões e respondeu por 34% de todo o valor agrícola brasileiro. O milho veio em seguida, com R$ 122,1 bilhões.

Os números do IBGE representam o valor bruto estimado da produção — quantidade colhida multiplicada pelo preço médio pago ao produtor — e não o lucro que ficou nas propriedades. Também são valores nominais, sem desconto da inflação e dos custos com sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas, juros e transporte.

O recorde, portanto, mostra o tamanho da riqueza produzida no campo, mas não encerra a discussão. Para Mato Grosso do Sul, o desafio é transformar essa força econômica em industrialização, empregos, infraestrutura e renda que permaneçam no Estado. Produzir mais é importante. Fazer essa riqueza circular além da porteira é o passo seguinte.