Comercial pode repetir caminho do Operário para voltar à elite estadual
Em 2011, Galo aproveitou desistência do Costa Rica; agora, rival deve herdar vaga do Aquidauanense em 2027

A possibilidade de o Comercial retornar à primeira divisão do Campeonato Sul-Mato-Grossense sem conquistar o acesso em campo tem um precedente na história de seu maior rival. Em 2011, o Operário aproveitou a desistência do Costa Rica para disputar a Série A, mesmo depois de terminar a segunda divisão na terceira colocação. Quinze anos depois, o Colorado pode seguir caminho semelhante, com a vaga aberta pelo Aquidauanense para a temporada de 2027.
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A FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul) convocou o Comercial na quarta-feira (4), após receber o pedido de afastamento do Aquidauanense. O clube de Campo Grande terminou a Série B de 2026 em terceiro lugar e, por isso, aparece como substituto conforme o critério técnico previsto no edital da competição.
A confirmação, porém, depende do cumprimento das exigências da federação. O Comercial deverá participar da reunião do Conselho Técnico, marcada para segunda-feira (9), às 14h, na sede da FFMS, e assinar o termo de responsabilidade. Também precisará comprovar regularidade junto à federação e à CBF (Confederação Brasileira de Futebol), além de apresentar documentos e laudos do estádio até 25 de novembro.
A situação é semelhante à enfrentada pelo Operário em janeiro de 2011. Naquela ocasião, o Galo havia disputado a Série B de 2010 depois de sofrer seu primeiro rebaixamento no Campeonato Estadual, em 2009.
O clube fez boa campanha na primeira fase da segunda divisão, mas perdeu rendimento na etapa seguinte e terminou atrás de Ponta Porã e Maracaju. A terceira colocação deixou o Operário sem o acesso conquistado dentro de campo.
A oportunidade surgiu quando o Costa Rica decidiu não disputar a Série A de 2011. A desistência abriu uma vaga na competição, e o Operário apresentou à FFMS um pedido formal para ocupar o lugar.
Em 25 de janeiro daquele ano, a federação, então presidida por Francisco Cezário, aceitou a solicitação. A confirmação ocorreu no último dia do prazo para o Costa Rica oficializar sua saída.
Para garantir a participação, o Operário precisou quitar pendências financeiras com a FFMS e a CBF, regularizar documentos e comprovar a manutenção de uma equipe de base em competições reconhecidas.
Na época, a diretoria desembolsou aproximadamente R$ 3 mil para colocar a documentação em dia. A decisão permitiu que o clube voltasse à elite apenas uma temporada depois do primeiro rebaixamento.
A oportunidade, no entanto, não resolveu os problemas esportivos e administrativos do Operário. O clube voltou a enfrentar dificuldades e sofreu outro rebaixamento ao término do Campeonato Estadual de 2011.
Dois anos antes, em abril de 2009, o primeiro descenso havia ocorrido após uma derrota por 3 a 2 para o Nova Andradina, no Estádio Morenão. Na ocasião, o então técnico Rudinei Lucas atribuiu o resultado à falta de planejamento e aos problemas acumulados pelo clube.
Depois da segunda queda, o Operário ficou fora do calendário profissional de 2012. Em 2013, a situação financeira era tão delicada que a diretoria organizou uma campanha de arrecadação para conseguir retornar à Série B. Em abril daquele ano, o clube precisava de R$ 6,1 mil para regularizar sua situação junto à CBF e à FFMS.
A mobilização reuniu dirigentes e torcedores, que buscavam recuperar o espaço do tradicional clube no futebol estadual. O esforço também ocorreu em meio à repercussão da campanha do Novoperário, equipe criada por ex-torcedores do Galo e que havia conquistado a Série B de 2012.
Apesar das tentativas de reconstrução, o Operário só conseguiu retornar à primeira divisão após terminar a Série B de 2015 como vice-campeão. A equipe voltou a disputar a elite em 2016, encerrando um período de quatro temporadas fora da principal competição estadual.
Chance colorada
Agora, o Comercial pode aproveitar uma oportunidade semelhante àquela concedida ao rival há 15 anos. O Colorado está fora da primeira divisão desde 2023, quando terminou a fase de grupos na última colocação, com apenas dois pontos em oito jogos.
O rebaixamento ocorreu em 19 de março daquele ano, justamente em um clássico contra o Operário. O Comercial precisava vencer para manter as chances de permanecer na elite, mas perdeu por 1 a 0 no Estádio Jacques da Luz, nas Moreninhas. O atacante Kaique Marcial marcou o único gol da partida.
Desde então, o clube não conseguiu conquistar o acesso pela Série B. Na edição de 2026, terminou em terceiro lugar, posição insuficiente para garantir a promoção pelo resultado esportivo, mas que agora permite sua convocação para preencher a vaga deixada pelo Aquidauanense.
O edital publicado pela FFMS estabelece que o Comercial deverá apresentar a documentação necessária para disputar a competição, incluindo laudos de segurança, prevenção de incêndios, engenharia, acessibilidade e condições sanitárias do estádio escolhido para mandar seus jogos.
A previsão é que a Série A de 2027 comece em 9 de janeiro. Caso cumpra as exigências e confirme a inscrição, o Comercial retornará à primeira divisão quatro anos depois do rebaixamento, pelo mesmo tipo de oportunidade que beneficiou o Operário em 2011.
A semelhança está na abertura de uma vaga por desistência de outro participante. Em ambos os casos, a classificação em terceiro lugar na Série B, insuficiente para assegurar o acesso direto, permitiu que os clubes fossem considerados para completar a primeira divisão.
Além do Comercial, convocado para substituir o Aquidauanense, estão previstos na Série A do Campeonato Sul-Mato-Grossense de 2027 o Operário e o Pantanal, de Campo Grande; o Dourados, de Dourados; o Ivinhema, de Ivinhema; o Naviraiense, de Naviraí; o Corumbaense, de Corumbá; o Bataguassu, de Bataguassu; o CRA (Clube de Regatas Aquidauana), de Aquidauana; e o Misto, de Três Lagoas.
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